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Índice de poluentes eleva busca médica

André Henriques/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Setor de emergência tem aumento que pode chegar
até 50% em dias mais poluídos, segundo pesquisa


Vanessa Oliveira
Do Diário do Grande ABC

12/06/2016 | 07:00


Os variados poluentes que respiramos, emitidos por meios de transporte e indústrias, são responsáveis por aumentar em 10% a procura por atendimento médico de emergência, por doenças cardiovasculares e respiratórias. E o índice pode chegar a 50%. É o que aponta a tese de Doutorado, em fase de conclusão, da gestora do curso de Farmácia da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), Cristina Vidal, em análise na cidade de São Caetano. A pesquisa é feita no Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), coordenado por Paulo Saldiva, um dos especialistas mais renomados em poluição.

Os períodos avaliados foram 2010 e 2011. Em um total de 90 dias, a concentração de ozônio na atmosfera do município ultrapassou o padrão nacional, de 160 mcg/m3 em uma hora, sendo que, em 24 deles foi alcançado o nível de atenção (400 mcg/m3), segundo os relatórios da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo). O ozônio é o poluente que mais ultrapassa os padrões de qualidade do ar no Estado.

Para a pesquisa, foram coletados prontuários de 60 mil pacientes que, nos anos de 2010 e 2011 deram entrada no Pronto-Atendimento do Hospital Municipal de Emergências Albert Sabin, no bairro Santa Paula. Os poluentes analisados foram material particulado, dióxido de enxofre, dióxido de nitrogênio e ozônio. “No dia em que os níveis aumentaram, subiu em cerca de 10% os atendimentos aos pacientes com hipertensão, por exemplo, mostrando que, ao respirar os poluentes, tende a ter aumento de pressão arterial”, fala Cristina. “Existe uma variação para cada poluente, associado a cada doença, que pode aumentar os atendimentos em 1% até 50%”, completa.

O problema é antigo. O médico e professor de Pneumologia na Faculdade de Medicina do ABC, Elie Fiss, conta que, na década de 90, estudo do especialista Paulo Saldiva, destacava a situação, em Santo André. “Entre 24 e 48 horas depois de pico de poluição, aumentava em até 40% o número de pessoas que procuram o Pronto-Socorro com sintomas de doenças respiratórias. A poluição também está relacionada a problemas cardiológicos e neurológicos”, pontua.

Cristina ressalta que a intenção de seu trabalho é poder incentivar políticas públicas de redução da emissão de poluentes. “A análise é apenas do paciente que deu entrada na emergência por algum problema e, naquele dia, a poluição estava alta. Mas ele pode ter sido internado, o que é um custo muito alto para a saúde pública, e pode ter evoluído para óbito. Algo tem que ser feito para diminuir os níveis de poluição, porque senão, as pessoas vão adoecer e morrer por causa disso. Os governantes não podem fechar os olhos.”


No ano passado, São Bernardo se destacou por nível elevado de ozônio

Em 2015, na estação de monitoramento da qualidade do ar de São Bernardo, foi observado o segundo maior número de ultrapassagens do padrão de ozônio no Estado – 34 dias, perdendo apenas para a estação Cidade Universitária-USP-Ipen, com 53. Nas demais cidades que possuem estações medidoras, a ultrapassagem ocorreu em 22 dias em Diadema; 24 em Mauá; 13 em Santo André-Capuava; e 23 em São Caetano.

Os veículos, grandes contribuintes da poluição, passaram de 1,2 milhão para 1,6 milhão na região, comparando abril de 2010, com o mesmo mês de 2016.

Melhorar a mobilidade urbana é uma das medidas para amenizar a situação, mas em abril, o Consórcio Intermunicipal do Grande ABC contratou consultoria para a produção do Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa, que deve ser utilizado para a gestão de riscos de emissões e identificação de oportunidades de redução das mesmas. O custo é de R$ 200 mil e prazo de oito meses a partir da assinatura do contrato. (VO) 



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Índice de poluentes eleva busca médica

Setor de emergência tem aumento que pode chegar
até 50% em dias mais poluídos, segundo pesquisa

Vanessa Oliveira
Do Diário do Grande ABC

12/06/2016 | 07:00


Os variados poluentes que respiramos, emitidos por meios de transporte e indústrias, são responsáveis por aumentar em 10% a procura por atendimento médico de emergência, por doenças cardiovasculares e respiratórias. E o índice pode chegar a 50%. É o que aponta a tese de Doutorado, em fase de conclusão, da gestora do curso de Farmácia da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), Cristina Vidal, em análise na cidade de São Caetano. A pesquisa é feita no Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), coordenado por Paulo Saldiva, um dos especialistas mais renomados em poluição.

Os períodos avaliados foram 2010 e 2011. Em um total de 90 dias, a concentração de ozônio na atmosfera do município ultrapassou o padrão nacional, de 160 mcg/m3 em uma hora, sendo que, em 24 deles foi alcançado o nível de atenção (400 mcg/m3), segundo os relatórios da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo). O ozônio é o poluente que mais ultrapassa os padrões de qualidade do ar no Estado.

Para a pesquisa, foram coletados prontuários de 60 mil pacientes que, nos anos de 2010 e 2011 deram entrada no Pronto-Atendimento do Hospital Municipal de Emergências Albert Sabin, no bairro Santa Paula. Os poluentes analisados foram material particulado, dióxido de enxofre, dióxido de nitrogênio e ozônio. “No dia em que os níveis aumentaram, subiu em cerca de 10% os atendimentos aos pacientes com hipertensão, por exemplo, mostrando que, ao respirar os poluentes, tende a ter aumento de pressão arterial”, fala Cristina. “Existe uma variação para cada poluente, associado a cada doença, que pode aumentar os atendimentos em 1% até 50%”, completa.

O problema é antigo. O médico e professor de Pneumologia na Faculdade de Medicina do ABC, Elie Fiss, conta que, na década de 90, estudo do especialista Paulo Saldiva, destacava a situação, em Santo André. “Entre 24 e 48 horas depois de pico de poluição, aumentava em até 40% o número de pessoas que procuram o Pronto-Socorro com sintomas de doenças respiratórias. A poluição também está relacionada a problemas cardiológicos e neurológicos”, pontua.

Cristina ressalta que a intenção de seu trabalho é poder incentivar políticas públicas de redução da emissão de poluentes. “A análise é apenas do paciente que deu entrada na emergência por algum problema e, naquele dia, a poluição estava alta. Mas ele pode ter sido internado, o que é um custo muito alto para a saúde pública, e pode ter evoluído para óbito. Algo tem que ser feito para diminuir os níveis de poluição, porque senão, as pessoas vão adoecer e morrer por causa disso. Os governantes não podem fechar os olhos.”


No ano passado, São Bernardo se destacou por nível elevado de ozônio

Em 2015, na estação de monitoramento da qualidade do ar de São Bernardo, foi observado o segundo maior número de ultrapassagens do padrão de ozônio no Estado – 34 dias, perdendo apenas para a estação Cidade Universitária-USP-Ipen, com 53. Nas demais cidades que possuem estações medidoras, a ultrapassagem ocorreu em 22 dias em Diadema; 24 em Mauá; 13 em Santo André-Capuava; e 23 em São Caetano.

Os veículos, grandes contribuintes da poluição, passaram de 1,2 milhão para 1,6 milhão na região, comparando abril de 2010, com o mesmo mês de 2016.

Melhorar a mobilidade urbana é uma das medidas para amenizar a situação, mas em abril, o Consórcio Intermunicipal do Grande ABC contratou consultoria para a produção do Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa, que deve ser utilizado para a gestão de riscos de emissões e identificação de oportunidades de redução das mesmas. O custo é de R$ 200 mil e prazo de oito meses a partir da assinatura do contrato. (VO) 

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