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‘Meu legado à cidade é Saúde e Segurança’, diz Paulo Pinheiro

Celso Luiz/DGABC: Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Júnior Carvalho
Do Diário do Grande ABC

05/06/2016 | 07:00


A quatro meses de disputar a reeleição, o prefeito de São Caetano, Paulo Pinheiro (PMDB), elenca as áreas de Segurança e Saúde como principais legados de sua gestão. Em entrevista ao Diário, o peemedebista cita ações dos dois setores que, segundo ele, marcarão sua administração.

Pinheiro afirmou ainda que seu antecessor, o ex-prefeito José Auricchio Júnior (PSDB), provável adversário em outubro, foi “o pior gestor desde a emancipação” da cidade, em 1948. “Ele (Auricchio) deixou um mal para a cidade permanente, que foi a verticalização desenfreada. Isso causou um dano para o município, para a qualidade de vida do morador da cidade, de uma maneira que não tem retorno, é insanável”, avaliou.

Para o peemedebista, 70% do plano de governo já foram cumpridos.

Confira a entrevista completa:
 

O sr. assumiu a Prefeitura com dívida de R$ 264,5 milhões. Quanto já foi quitado?
Nesses três anos, já pagamos R$ 158 milhões. A característica da dívida que foi herdada é que tinha muita parte de impostos. Por exemplo, INSS de funcionários ele (ex-prefeito José Auricchio Júnior, do PSDB) não pagou, férias de professor também não. Não tinha como não pagar. Se eu não pagasse, eles não trabalhariam. Num primeiro momento deixamos de colocar em prática os nossos projetos para saldar esse passivo. O primeiro ano ficou inviabilizado só por conta da dívida. Não construí nada. Tudo o que ele fez de construção, durante os oito anos (2005 a 2012), não dá os R$ 158 milhões. Só isso já diz tudo.

Quanto o sr. já cumpriu do plano de governo?
Acredito que já atingi pelo menos 70% do meu plano de governo, em média. Acho que, se não fosse essa dívida, dava para cumprir pelo menos 90%. Era só contar o que a gente iria fazer para melhorar os serviços e ver quanto iríamos gastar.

Então esses 30% restantes o sr. atribui à divida?
Sim, à situação que eu encontrei. Tive de restringir as coisas que eu gostaria de executar, como (a construção do) Hospital Dia. É uma coisa que a sociedade quer e a gente tem dificuldade de fazer. Outro equipamento seria o Hospital Dia para o idoso. Mas o custo da obra e o custeio do equipamento inviabilizaram. É uma das obras que eu tinha em mente e que infelizmente não pude realizar.

O sr. acredita que deixará legados da sua administração?
Sim, principalmente na Segurança e na Saúde. Antes, a pessoa vivia amedrontada na cidade. Falo da gestão anterior, quando ele não queria saber dos órgãos de segurança. A Polícia Militar foi várias vezes apresentar propostas e ele não quis receber. Isso é perfil de quem quer ajuda? Então, como é que quer que os policiais tenham intenção e força de vontade de agir na cidade se o gestor não da nenhuma ajuda? Eu penso que me espelhei no (ex-governador) Mário Covas (do PSDB, morto em 2001) que, quando assumiu o Estado, decidiu sanear as contas do Estado no primeiro mandato e, dentro do possível, não abandonou os serviços. Dentro do possível ele colocou na balança o que poderia diminuir nas finanças e fazer com que a população não sofresse muito com a queda dos serviços. E hoje eu estou tentando sanear as contas. Só que eu peguei época de recessão do Brasil que não me deixou sanear totalmente. Queria saldar todas as dívidas que eu encontrei. Se eu vier para a reeleição, no próximo mandato vou trabalhar com toda vontade para fazer aquilo que estava em mente.

Qual a diferença do sr. vindo para a reeleição da campanha do Auricchio em 2008, quando ele foi reeleito?
Tem muita diferença, porque o tempo era outro, a época era diferente. Há oito anos o Brasil vivia o auge do seu desenvolvimento econômico e isso melhorou bastante para que ele se reelegesse. Se ele pega essa fase que eu peguei, realmente não sei se ele seria reeleito. Tem o componente político também. Hoje a classe política está desgastada. Alem disso, (não seria reeleito) se deixasse uma dívida para ele mesmo.

Alguns dizem que ele colheu os bons frutos do ex-prefeito Luiz Tortorello...
Sim, e pegou uma época boa do Brasil, o que não aconteceu com os prefeitos de atualmente.

Qual avaliação o sr. faz do Auricchio como gestor?
Ele foi o pior gestor de São Caetano desde a emancipação (em 1948). Foi um administrador que deixou um mal para a cidade permanente, que foi a verticalização. Isso causou um dano para o município, para a qualidade de vida do morador da cidade, de uma maneira que não tem retorno, é insanável. Não houve planejamento e hoje estamos colhendo. Vamos precisar de escola. Estou fazendo uma, mas não vai ser suficiente, vai precisar de mais e eu estou sem recurso para poder fazer.

O sr. está motivado para essa eleição com a possibilidade de enfrentar o Auricchio?
Realmente se tiver essa disputa, se ele sair candidato, realmente a população que vai escolher e vai avaliar quem realmente pode contribuir mais com a cidade. A verdade vai vir à tona e a população vai reconhecer quem quer o bem da cidade. Porque não é possível uma pessoa que faz uma verticalização como essa possa gostar da cidade e do morador. Isso foi um dano para o munícipe que não avaliaram e que estamos começando a sentir agora, com a Mobilidade Urbana. Qualquer rua que você vai tem trânsito. Na política é igual futebol: você não tem de escolher adversário. Quem vier, terei que enfrentar. Na democracia é bom isso, a população ter livre escolha.

O seu governo resolveu fazer o recadastramento dos usuários do cartão Cid Card, para priorizar o atendimento para os moradores da cidade. Por quê?
A gente quer dar atenção total ao morador da cidade. Nesses equipamentos, o que for tratado eletivamente, que não for de urgência, só será atendido o morador da cidade. Logicamente tem vezes que é difícil saber se é morador ou não. Mas pelo menos, queremos diminuir esse percentual de gente de fora para que o gasto (com forasteiros) não seja o atual. Por isso a gente fará sindicância, para que o mínimo possível de pessoas de fora da cidade esteja usufruindo da Saúde da cidade.

Quanto o governo desembolsa com os usuários de outras cidades?
Eu creio que em torno de 40% do que a gente gasta com Saúde vão para o morador de fora. Se eu gasto R$ 300 milhões no ano, R$ 120 milhões são para custear o atendimento de pessoas de outros município. Isso sem a ajuda de outros governos.

O sr. chegou a tratar essa medida com o Consórcio?
Não. A gente conversa (com os prefeitos), mas todos eles dizem que atendem pacientes de fora. Cada um tem sua queixa. Mas o percentual maior de receber pessoal de fora está em São Caetano.

O sr. acha que tinha de ser revista essa fórmula de repasse do SUS?
O que a gente gostaria é que o SUS nos reembolsasse mais. A gente recebe R$ 12 milhões por ano e gasta R$ 300 milhões com a Saúde. É uma diferença muito grande. O SUS reembolsa bem a atenção básica, que são as UBSs (Unidades Básicas de Saúde). Mas não quer reembolsar urgência e emergência. Tanto é que (o governo federal) banca a construção da UPA (Unidade de Pronto Atendimento 24 horas), mas quem tem de manter é o município.

Juridicamente é possível aplicar essa medida restritiva, tendo em vista que o direito à Saúde é previsto na Constituição?
É legal. Estamos impedindo que a pessoa faça exames em São Caetano. A Saúde é municipalizada. Cada cidade cuida do seu morador. No caso de urgência, não. Se alguém vier na cidade e passar mal, vai ser atendido. Ninguém pode negar. Mas se não for urgência, cada um que vá na sua cidade. A gente não vai conseguir filtrar 100%, mas se a gente conseguir 80% já ajuda.

Não teme que essa medida possa ser vista de forma negativa ou interpretada como preconceituosa?
Não, porque você fala para o morador e o sentimento dele é de ser bem tratado. É a defesa do morador da cidade, que ele seja bem tratado e o outro morador de outra cidade seja bem tratado na cidade dele. A gente não quer menosprezar ninguém de fora, mas queremos cuidar de quem é da gente. É como numa família, você vai querer cuidar dos seus filhos e os filhos dos outros que sejam cuidados pelos outros pais. Se houver urgência, a gente vai socorrer. Mas não vamos sustentar aquela pessoa.



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