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Alunos da EJA ganham óculos

Denis Maciel Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Parceria entre Prefeitura de Santo André e Lions
Clube beneficia jovens e adultos da rede municipal


Natália Fernandjes
Do Diário do Grande ABC

15/05/2016 | 07:00


Desempregada, Rosalina Novembrino, 44 anos, voltou para a escola para concluir os ensinos Fundamental e Médio e tentar vaga no mercado de trabalho. No entanto, a aluna da EJA (Educação de Jovens e Adultos) da Emeief (Escola Municipal de Educação Infantil e Fundamental) Cora Coralina, no Jardim Santo André, enfrenta dificuldade em aprender desde que seu óculos quebrou, há cerca de um ano. A moradora da área carente do município integra lista de pelo menos 350 estudantes desta etapa do conhecimento que apresentaram problemas de visão e serão beneficiados por parceria entre a Prefeitura e o Lions Clube Santo André com novas lentes.

Nesta primeira edição do programa Visão para Todos, serão atendidos 4.000 estudantes com idade entre 16 e 60 anos de 23 escolas da rede municipal. Após serem identificados pelos educadores em sala de aula, os alunos passam por exame de vista e, caso necessitem, recebem óculos gratuitamente. Já os casos mais sérios serão encaminhados para tratamento especializado na rede de Saúde do município.

“Sinto muita dificuldade. Várias vezes preciso levantar e ir até a lousa para conseguir enxergar o que está escrito”, revela Rosalina, que já foi babá, recepcionista, balconista e cuidadora de idosos. “Sem emprego, é impossível comprar um óculos. É caríssimo. Fiquei muito feliz com essa oportunidade. Espero ser contemplada”, comenta.

Diretor filantrópico do Lions Clube Santo André, Adherbal Marconato destaca que, inicialmente, a parceria prevê entrega de 250 óculos, no entanto, a entidade fará “todos os esforços” para atender a totalidade das pessoas identificadas com o problema. “É um gesto simples que muda a vida do cidadão. Eu mesmo descobri meu problema oftalmológico num programa desses”, observa. Segundo ele, ainda não é possível precisar o valor do investimento necessário tampouco a data da entrega dos objetos. “Estamos buscando parceiros para participar da ação”, justifica.

A jovem Emanuele Peixoto de Lima, 18, é um dos casos que nunca havia visitado oftalmologista antes do programa. Ela voltou para a escola porque tem de concluir o Ensino Médio, etapa escolar que precisou ser abandonada para o nascimento da primeira filha, hoje com 1 ano e 3 meses. “Já desconfiava que minha vista estava fraca, porque sinto muita dor de cabeça e dificuldade de enxergar, principalmente à noite”, destaca. Assim como a colega de sala, a tática para conseguir visualizar a tarefa na lousa é sentar na primeira fileira da sala de aula.

Vice-diretor da unidade de ensino, Jailton Cardoso de Souza destaca que o projeto tende a melhorar a qualidade de vida dos estudantes. “Muitos alunos têm vergonha de demonstrar sua dificuldade de enxergar, até porque estamos falando de pessoas que não têm condições. Alguns deles, inclusive, tinham receitas antigas, mas que nunca foram usadas, porque não tinham como pagar pelo óculos”, ressalta.

RECOMEÇO

O auxiliar de portaria Francisco Alves dos Santos recomeçou sua vida escolar em janeiro, aos 46 anos. Sem saber ler nem escrever, o morador do bairro periférico do município se sente ainda mais excluído pelo fato de ter dificuldade de enxergar. A expectativa do munícipe é receber óculos mediante o programa e, com isso, conseguir evoluir nos estudos. “Fiz exame há uns dois anos, mas não consegui comprar o óculos, porque custava R$ 900”, diz.

A meta do estudante é ter condições de “pelo menos” tirar carteira de motorista. “É muito cansativo, porque volto a pé da empresa, que fica no Sertãozinho (em Mauá). Eu até consigo me virar bem, mas pegar ônibus sozinho é meio arriscado. Vou pela cor”, confessa Santos. Outra atividade que o morador do Jardim Santo André vislumbra é conseguir ler a Bíblia, tarefa básica para quem sonha em se tornar pastor da igreja que frequenta.

CRIANÇAS

O projeto Educando com Visão, voltado às crianças da rede municipal de Santo André existe há 12 anos, mediante parceria com o Rotary Clube Santo André – Norte. Neste período, cerca de 3.000 alunos do Ensino Fundamental já passaram por exames de vista nos mutirões do programa e 1.800 alunos foram beneficiados com óculos de graça ou foram encaminhados para tratamento especializado.


Sem conseguir aprender, estudantes desistem da escola, destaca educadora

“Acho que não tenho mais cabeça para aprender”. Essa é uma das frases mais ouvidas por profissionais da EJA (Educação de Jovens e Adultos). Muitas vezes, conforme explica a gerente da modalidade de ensino em Santo André, Ana Maria Gouveia Colombo, os alunos não sabem que problemas na visão podem ser um dos motivos que atrapalham o aprendizado. “Temos casos de pessoas que não conseguem acompanhar e acabam desistindo sem ao menos saber que vão mal porque não enxergam direito”, destaca.

A expectativa da gerente é que o programa Visão para Todos propicie aos estudantes a oportunidade de qualificar a aprendizagem. “Quando falamos da EJA 1, são pessoas com faixa etária entre adultos e idosos e que normalmente já apresentam problemas de visão. Muitos chegam a ter de ir embora da aula porque estão com dor de cabeça. Essa é uma luta que já mantemos há quatro anos. Estamos falando de uma população extremamente carente, que não tem como comprar óculos”, ressalta. 



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