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O impeachment e a economia


Sandro Maskio*

30/04/2016 | 07:01


O Brasil passa por momento delicado da sua história política, marcado pelo andamento de um processo de impeachment que decidirá sobre o afastamento ou não da presidente Dilma Rousseff (PT).

Tendo em vista o objetivo desta coluna de desvendar o funcionamento da economia e os fatores que a influenciam, avaliaremos como se dá a contaminação da atividade econômica pela atual crise política.

As decisões do setor produtivo, nos diversos segmentos, dependem da expectativa dos empresários sobre o cenário futuro, em especial o comportamento do mercado em que atuam e, em específico, o quanto esperam ter de demanda, o quanto julgam que conseguirão vender. É a partir destas expectativas, que na maioria dos casos não estão associadas a um cálculo frio de prognóstico, que os empresários decidem o quanto irão produzir, e consequentemente o quanto irão movimentar a cadeia de fornecedores e o mercado de trabalho.

Como se formam as expectativas sobre os períodos futuros? Certamente não é por um método determinístico, único, tendo em vista que há diversas variáveis que influenciam a perspectiva sobre o futuro, incluindo o próprio conjunto de valores pessoais. Ainda assim, seguramente, dois fatores influenciarão a formação das expectativas do setor produtivo: o recente desempenho do empreendimento e do mercado em que atua, além dos acontecimentos presentes.

Diante do atual ambiente político, as incertezas decorrentes – não apenas sobre a permanência ou não da atual presidente, mas especialmente sobre a condução da política econômica futura – colocam o setor produtivo em compasso de espera.

Não bastasse a retração atual da economia provocada pela necessidade de ajustar o orçamento público, reduzir despesas do governo e ampliar a arrecadação, além de combater a inflação com aumento dos juros e redução da disponibilidade de crédito, a economia também é afetada pelo desestímulo do setor produtivo em investir e ampliar a utilização da capacidade produtiva até que o cenário se torne mais claro. Esse comportamento tende a ocorrer até que o horizonte se mostre mais previsível e seja possível adotar decisões com grau de risco menor.

Dessa forma, em um momento político conturbado, marcado pelo impeachment em votação no Senado Federal, o setor produtivo não se sentirá estimulado a impulsionar a atividade econômica. Não podemos deixar de observar também que a recessão, em parte promovida pela política fiscal e monetária do governo, de forma semelhante também desestimula o impulso do setor produtivo. 

* Coordenador de estudos do Observatório Econômico da Faculdade de Administração e Economia da Metodista.



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O impeachment e a economia

Sandro Maskio*

30/04/2016 | 07:01


O Brasil passa por momento delicado da sua história política, marcado pelo andamento de um processo de impeachment que decidirá sobre o afastamento ou não da presidente Dilma Rousseff (PT).

Tendo em vista o objetivo desta coluna de desvendar o funcionamento da economia e os fatores que a influenciam, avaliaremos como se dá a contaminação da atividade econômica pela atual crise política.

As decisões do setor produtivo, nos diversos segmentos, dependem da expectativa dos empresários sobre o cenário futuro, em especial o comportamento do mercado em que atuam e, em específico, o quanto esperam ter de demanda, o quanto julgam que conseguirão vender. É a partir destas expectativas, que na maioria dos casos não estão associadas a um cálculo frio de prognóstico, que os empresários decidem o quanto irão produzir, e consequentemente o quanto irão movimentar a cadeia de fornecedores e o mercado de trabalho.

Como se formam as expectativas sobre os períodos futuros? Certamente não é por um método determinístico, único, tendo em vista que há diversas variáveis que influenciam a perspectiva sobre o futuro, incluindo o próprio conjunto de valores pessoais. Ainda assim, seguramente, dois fatores influenciarão a formação das expectativas do setor produtivo: o recente desempenho do empreendimento e do mercado em que atua, além dos acontecimentos presentes.

Diante do atual ambiente político, as incertezas decorrentes – não apenas sobre a permanência ou não da atual presidente, mas especialmente sobre a condução da política econômica futura – colocam o setor produtivo em compasso de espera.

Não bastasse a retração atual da economia provocada pela necessidade de ajustar o orçamento público, reduzir despesas do governo e ampliar a arrecadação, além de combater a inflação com aumento dos juros e redução da disponibilidade de crédito, a economia também é afetada pelo desestímulo do setor produtivo em investir e ampliar a utilização da capacidade produtiva até que o cenário se torne mais claro. Esse comportamento tende a ocorrer até que o horizonte se mostre mais previsível e seja possível adotar decisões com grau de risco menor.

Dessa forma, em um momento político conturbado, marcado pelo impeachment em votação no Senado Federal, o setor produtivo não se sentirá estimulado a impulsionar a atividade econômica. Não podemos deixar de observar também que a recessão, em parte promovida pela política fiscal e monetária do governo, de forma semelhante também desestimula o impulso do setor produtivo. 

* Coordenador de estudos do Observatório Econômico da Faculdade de Administração e Economia da Metodista.

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