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Com PT em crise, petistas tentam esconder a estrela

Marina Brandão/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Candidatos do PT tentam esconder qualquer
referência ao partido para driblar rejeição


Raphael Rocha
Do Diário do Grande ABC

24/04/2016 | 07:00


Era a última semana de julho de 2012 quando o então deputado estadual Carlos Grana, escolhido pelo PT para ser candidato a prefeito de Santo André daquele ano, entrou com pedido de mudança na Justiça Eleitoral. Ele queria ter em seu nome de urna a sigla PT, para mostrar a qualquer cidadão andreense que pertencia ao partido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente Dilma Rousseff. Passados quatro anos, achar qualquer referência à legenda em suas redes sociais é exercício que demanda tempo. Assim como Grana, prefeitos e candidatos do PT no Grande ABC tentam, ao máximo, esconder a filiação partidária em meio à maior crise institucional vivida pela agremiação fundada por Lula em 1980.

Na segunda-feira, Grana reuniu funcionários comissionados de seu governo no início de trabalho para convencer seu grupo que a campanha à reeleição terá participação ativa das 11 legendas de seu arco de alianças. “Eu sou petista histórico e não posso esconder isso. Mas não sou só candidato (a prefeito) do PT”, afirmou ele, que prepara mudanças no núcleo que vai coordenar sua campanha. Embora o projeto seja liderado por Carlos Sanches, o Carlão, petista de longa data e ex-secretário de Obras, Grana quer espaço a aliados no comitê – Cícero Martinha (PDT), por exemplo, terá função de destaque, assim como Donizete Ferreira, o Tio Donizete, presidente do PTdoB municipal.

O discurso vigente contrasta, e muito, com o utilizado por Grana em 2012, quando o então candidato solicitou alteração no seu nome de urna. “Faço questão de colocar o vermelho, a estrela, o 13 (número da agremiação), o Lula e a presidente Dilma do meu lado. Por isso, pedi correção no registro da campanha. Isso servirá para que nenhum órgão de pesquisa procure desvincular o nome Carlos Grana do PT”, disse, à época.

Donisete Braga, prefeito de Mauá pelo PT em 2012 e candidato à reeleição em outubro, adota há meses política de campanha “suprapartidária”. Uma das cidades com maior concentração de petistas, Mauá conferiu quatro mandatos a integrantes do partido, sempre com chapa pura – prefeito e vice do PT. Donisete levou meses, mas convenceu o diretório a abrir a legenda. Argumentou que hoje o PT não tem condições de eleger um prefeito sem composição. E encaminhou o vereador Alberto Betão Pereira Justino, filiado ao PTB, como seu vice. Betão foi presidente da Câmara quando o prefeito era Leonel Damo, entre 2005 e 2008. Damo é a figura política mais repudiada pelo PT na cidade.

“Com as inúmeras denúncias de corrupção, o partido vem acumulando um enorme desgaste. A impressão é que o PT foi sequestrado pelo projeto pessoal de suas maiores lideranças, que almejam apenas a sua sobrevivência, colocando em risco, com isso, a própria existência do partido. A reação de sua base – leia-se prefeitos, vereadores – é a melhor ilustração desse fenômeno, chegando ao cúmulo de buscar disfarçar a ligação com o partido. Assim, mantidas as atuais circunstâncias, o cenário para o PT é muito negativo, pois, os resultados eleitorais tendem a ser ruins, reduzindo a relevância da legenda no cenário nacional”, avaliou Gustavo Andrey Fernandes, economista, professor assistente de Gestão Pública da FGV (Fundação Getulio Vargas) e pesquisador da HKS (Harvard Kennedy School), escola especializada em políticas e administração pública de Harvard, nos Estados Unidos.

Professor da FGV e cientista político, Paulo Barsotti corroborou a tese. “Isso que está acontecendo no Grande ABC, de uma espécie de camuflagem, é consequência desse profundo desgaste que o PT está sofrendo e que me parece irreversível, já que prolonga há mais de um ano”, citou o especialista, lembrando da debandada de políticos do partido – só em São Paulo foram 16 chefes de Executivo que oficializaram saída da legenda na janela eleitoral de março.

Tido como principal expoente do PT no Grande ABC e coordenador de políticas da agremiação na região, o prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho, é outro a tentar esconder sua filiação partidária. Em sua página oficial no Facebook, estrelas vermelhas deram lugar a símbolos sem referência a legendas políticas (veja foto abaixo).

A camuflagem é seguida pelo secretário de Serviços Urbanos e de Coordenação Governamental, Tarcisio Secoli (PT), escolhido por Marinho para ser candidato do governo à Prefeitura de São Bernardo. Ele criou um blog para dialogar com os munícipes, mas a página é toda verde, sem nenhuma referência à sigla.
(Colaborou Vitória Rocha) 



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Com PT em crise, petistas tentam esconder a estrela

Candidatos do PT tentam esconder qualquer
referência ao partido para driblar rejeição

Raphael Rocha
Do Diário do Grande ABC

24/04/2016 | 07:00


Era a última semana de julho de 2012 quando o então deputado estadual Carlos Grana, escolhido pelo PT para ser candidato a prefeito de Santo André daquele ano, entrou com pedido de mudança na Justiça Eleitoral. Ele queria ter em seu nome de urna a sigla PT, para mostrar a qualquer cidadão andreense que pertencia ao partido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente Dilma Rousseff. Passados quatro anos, achar qualquer referência à legenda em suas redes sociais é exercício que demanda tempo. Assim como Grana, prefeitos e candidatos do PT no Grande ABC tentam, ao máximo, esconder a filiação partidária em meio à maior crise institucional vivida pela agremiação fundada por Lula em 1980.

Na segunda-feira, Grana reuniu funcionários comissionados de seu governo no início de trabalho para convencer seu grupo que a campanha à reeleição terá participação ativa das 11 legendas de seu arco de alianças. “Eu sou petista histórico e não posso esconder isso. Mas não sou só candidato (a prefeito) do PT”, afirmou ele, que prepara mudanças no núcleo que vai coordenar sua campanha. Embora o projeto seja liderado por Carlos Sanches, o Carlão, petista de longa data e ex-secretário de Obras, Grana quer espaço a aliados no comitê – Cícero Martinha (PDT), por exemplo, terá função de destaque, assim como Donizete Ferreira, o Tio Donizete, presidente do PTdoB municipal.

O discurso vigente contrasta, e muito, com o utilizado por Grana em 2012, quando o então candidato solicitou alteração no seu nome de urna. “Faço questão de colocar o vermelho, a estrela, o 13 (número da agremiação), o Lula e a presidente Dilma do meu lado. Por isso, pedi correção no registro da campanha. Isso servirá para que nenhum órgão de pesquisa procure desvincular o nome Carlos Grana do PT”, disse, à época.

Donisete Braga, prefeito de Mauá pelo PT em 2012 e candidato à reeleição em outubro, adota há meses política de campanha “suprapartidária”. Uma das cidades com maior concentração de petistas, Mauá conferiu quatro mandatos a integrantes do partido, sempre com chapa pura – prefeito e vice do PT. Donisete levou meses, mas convenceu o diretório a abrir a legenda. Argumentou que hoje o PT não tem condições de eleger um prefeito sem composição. E encaminhou o vereador Alberto Betão Pereira Justino, filiado ao PTB, como seu vice. Betão foi presidente da Câmara quando o prefeito era Leonel Damo, entre 2005 e 2008. Damo é a figura política mais repudiada pelo PT na cidade.

“Com as inúmeras denúncias de corrupção, o partido vem acumulando um enorme desgaste. A impressão é que o PT foi sequestrado pelo projeto pessoal de suas maiores lideranças, que almejam apenas a sua sobrevivência, colocando em risco, com isso, a própria existência do partido. A reação de sua base – leia-se prefeitos, vereadores – é a melhor ilustração desse fenômeno, chegando ao cúmulo de buscar disfarçar a ligação com o partido. Assim, mantidas as atuais circunstâncias, o cenário para o PT é muito negativo, pois, os resultados eleitorais tendem a ser ruins, reduzindo a relevância da legenda no cenário nacional”, avaliou Gustavo Andrey Fernandes, economista, professor assistente de Gestão Pública da FGV (Fundação Getulio Vargas) e pesquisador da HKS (Harvard Kennedy School), escola especializada em políticas e administração pública de Harvard, nos Estados Unidos.

Professor da FGV e cientista político, Paulo Barsotti corroborou a tese. “Isso que está acontecendo no Grande ABC, de uma espécie de camuflagem, é consequência desse profundo desgaste que o PT está sofrendo e que me parece irreversível, já que prolonga há mais de um ano”, citou o especialista, lembrando da debandada de políticos do partido – só em São Paulo foram 16 chefes de Executivo que oficializaram saída da legenda na janela eleitoral de março.

Tido como principal expoente do PT no Grande ABC e coordenador de políticas da agremiação na região, o prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho, é outro a tentar esconder sua filiação partidária. Em sua página oficial no Facebook, estrelas vermelhas deram lugar a símbolos sem referência a legendas políticas (veja foto abaixo).

A camuflagem é seguida pelo secretário de Serviços Urbanos e de Coordenação Governamental, Tarcisio Secoli (PT), escolhido por Marinho para ser candidato do governo à Prefeitura de São Bernardo. Ele criou um blog para dialogar com os munícipes, mas a página é toda verde, sem nenhuma referência à sigla.
(Colaborou Vitória Rocha) 

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