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Fuso horário deixa confuso


Juliana Ravelli
Do Diário do Grande ABC

26/06/2011 | 07:00


Samira Jarouche, 11 anos, de Santo André, viaja com frequência para o Líbano, onde vive sua família. Algo bem curioso acontece com ela e as irmãs Nacima, 9, e Leila, 7, naquele país. Nos primeiros dias, o sono demora para chegar. "Quando fui para lá pela primeira vez, não conseguia dormir. Depois me acostumei."

Com Caroline Tie Tsuchimoto, 7, o problema é outro. Nem sempre consegue conversar com os primos, que moram na França, pelo computador ou telefone. "Às vezes, ligo e eles já estão dormindo."

Isso tudo acontece porque cada lugar tem um horário diferente. A Terra é parecida com grande bola e você já deve ter aprendido que ela não fica paradinha no espaço. Um dos movimentos que faz é chamado rotação, em que demora 24 horas para dar uma volta completa em torno de si mesma.

Desse modo, a superfície do planeta não recebe os raios solares ao mesmo tempo. Como gira da esquerda (Oeste) para a direita (Leste), o dia nasce primeiro nos países localizados na metade Leste (Japão, China, Rússia, Austrália e o Líbano, onde mora os familiares da Samira).

O homem percebeu essa diferença há milhares de anos, mas apenas em 1884 resolveu organizar o horário do mundo; até aquele ano era grande bagunça. Então, criou-se o fuso horário. Como o globo terrestre tem circunferência de 360°, essa área foi dividida em 24 pedacinhos iguais (porque o dia tem 24 horas). Cada parte ficou com uma hora.

Para facilitar, determinou-se que o ponto inicial - linha imaginária que marca a metade do planeta - seria a cidade de Greenwich, na Inglaterra. Assim, cada pedaço que fica à direita dele tem uma hora a mais; aqueles que estão à esquerda têm uma hora a menos (dê uma olhadinha no mapa).

Entendeu por que Samira e as irmãs demoram para sentir sono no Líbano? A diferença entre o Brasil e aquele país é de cinco horas. Enquanto aqui são 17h, lá são 22h. Precisam de alguns dias para se acostumar.

Algo semelhante ocorre com a França, onde moram os primos de Carol. A diferença é de quatro horas. "É meio confuso. Metade do mundo é dia e a outra é noite", explica a menina.

 

Relógio dentro do cérebro

Quem viaja para um lugar distante, em geral, sente dificuldade nos primeiros dias para se acostumar à diferença de fuso horário. Isso acontece porque todos os seres (gente, bicho, planta) têm um relógio biológico. É algo natural que fica no cérebro e, no caso dos humanos, prepara o organismo para ficar ativo de dia e dormir à noite.

É ajustado de acordo com o ciclo de claro e escuro da Terra. Assim, o relógio biológico de cada um está adaptado ao país em que vive. Ele define nosso ritmo, e todas as atividades dependem do seu bom funcionamento.

Cada órgão, por exemplo, trabalha de modo diferente dependendo da hora. É o caso do intestino, que funciona mais durante o dia, enquanto estamos acordados e comendo. O mesmo ocorre com o estômago, que fica embrulhado só de pensar em ingerir arroz e feijão de manhã ou de madrugada.

Ao viajar para um país distante, é preciso se adequar ao novo horário (ciclo de claro e escuro). O brasileiro que visita o Japão convive com a noite, enquanto seu relógio biológico está ajustado ao dia (a diferença de fuso entre as duas nações é de 12 horas). Mas em cerca de sete dias o organismo se adapta e volta a funcionar bem.

 

Saiba mais

- Difícil de entender? Imagine que a Terra é uma mexerica com 24 gominhos. Cada um corresponde ao espaço que o planeta se movimenta no período de uma hora. Por isso, cada fuso horário sempre tem uma hora de diferença; a mais se estiver a Leste do Meridiano de Greenwich ou a menos se ficar a Oeste.

- Já acordou cedinho no fim de semana sem precisar do despertador? Isso acontece por causa do funcionamento do relógio biológico, que está acostumado a despertar sempre naquele horário.

- O relógio biológico funciona de forma diferente, conforme a idade. Criança, em geral, acorda cedo. Adolescente, no entanto, passa mais tempo na cama. Idoso volta a despertar cedinho.

 

Tem de respeitar o horário

A saúde depende do bom funcionamento do relógio biológico. Muitos aproveitam as férias para ir dormir mais tarde. Depois, têm dificuldade para se readaptar ao horário escolar. Resultado: cansaço e mau-humor.

Não é fácil para os adultos que trabalham de madrugada. O organismo fica desregulado, pois alimentam-se e fazem atividades na hora em que deveriam estar dormindo.

Além de engordar com mais facilidade, pode-se desenvolver doenças. Também é preciso grande cuidado para não sofrer acidentes de trabalho porque nesse período o cérebro funciona lentamente.

 

Ao contrário

Além da diferença de horas, as irmãs Samira, Nacima e Leila encontrarão outra estação no Líbano. Enquanto no Brasil já é inverno, lá é verão. O movimento que a Terra faz em torno do Sol - chamado translação - é que determina as quatro estações.

Nesta época do ano, por causa da inclinação do planeta (que não gira retinho), o Hemisfério Norte recebe mais raios solares e o Hemisfério Sul, menos. Por isso, quando é inverno no Brasil, a noite fica mais longa e o dia mais curto. O contrário ocorre no Hemisfério Norte.

O inverno chegou no Brasil dia 21, às 14h16. O horário, calculado pelos astrônomos, é o exato momento em que o Sol atinge os pontos terrestres que determinam as estações.

 

Do Brasil para a Áustria

Ainda pequena, a brasileira Emanuelle de Oliveira Schwendinger, 11, descobriu que os países tem horários diferentes. Aos 3 anos, mudou- se com a família para a Áustria, mas a cada dois anos passa férias aqui. Também viaja muito para outros lugares da Europa. "No Brasil, não consigo dormir direito nas primeiras semanas." Segundo ela, a diferença de fuso ainda atrapalha a comunicação. "Tenho de procurar a hora certa para poder telefonar."

 

Consultoria de Gisele Akemi Oda, professora do Laboratório de Cronobiologia da USP, e Paulo Menezes, coordenador do Laboratório de Cartografia da UFRJ



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