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A crise de valores afeta as organizações?


Cíntia Bortotto*

21/03/2016 | 07:00


Uma pergunta que as pessoas vêm me fazendo é se a crise de valores no Brasil afeta as organizações. Na verdade, sim. E o pior é que as organizações já vêm sofrendo com questões de discernimento entre o certo e o errado há bastante tempo.

Casos como os que estamos vendo na mídia, em instituições públicas, como pessoas que falam sem pensar, que acham que podem ter direito ao que não é seu por direito, são muito similares ao que vemos no mundo do capital privado.

Parece que passamos por uma espécie de relativismo para tudo... hoje em dia, tudo ‘depende’.

Depende. Posso pagar propina se isso não for visto como algo errado, se este valor for implicitamente considerado como parte do negócio.

Depende. Posso ficar com algo pelo qual não paguei só porque ninguém pagou e está disponível (por exemplo um assento melhor que não foi pago).

Depende. Posso não pagar por um serviço prestado por considerar que a pessoa estava disponível para ser contratada neste período.

As pessoas têm achado que tudo depende.

Mas eu digo que muita coisa não depende. A maioria das situações tem certo e errado e ter o discernimento do que deve ser feito em cada situação é sinal de uma característica muito importante: integridade.

Já temos testes que medem se as pessoas tendem a ser mais íntegras ou menos íntegras de acordo com a congruência entre ações e o que é falado.

Em situações complexas em um primeiro momento, em que o que é certo deve ser refletido e não ser considerado como reação de continuidade: “Ah!, isto sempre foi feito assim, então continuemos”.

Eu, que já trabalhei em empresas pequenas, médias e grandes de todos os tipos de capitais – aberto, fechado –, nacional, norte-americana, europeia, afirmo: não importa o tamanho do negócio, não importa de quem é o capital e para quem se presta conta sobre os resultados obtidos, as pessoas querem trabalhar com gente íntegra, honesta e responsável.

A repulsa que temos visto neste País por conta dos acontecimentos mostra que a maioria das pessoas, ou pelo menos a maioria das pessoas que foram para as ruas, manifesta que não há como viver e trabalhar em um País em que esta característica básica do caráter está ausente. Não há como conviver com a falta de integridade, com a desonestidade. Nenhum dos empresários, pares, colaboradores ou cidadãos quer conviver com pessoas desonestas. Este é o grito. É por isso que temos visto as pessoas tão inflamadas.

Espero que os leitores desta coluna façam a reflexão de lutar pela integridade e prezá-la diariamente em pequenos gestos, em hábitos em não aceitar o desonesto, em não aceitar o que é tido como certo sem fazer todas as reflexões cabíveis.

Espero que todas as instituições tenham mecanismos de ajudar a verdade e a transparência protegendo os que têm coragem de falar contra o errado, o desonesto.

Que possamos ter força para construir um País melhor e mais honesto, senão para nosso desfrute, para nossos filhos.

* Cíntia Bortotto é consultora em RH, psicóloga pela PUC-SP, especialista em recursos humanos pela FGV, em dinâmicas de grupo pela Associação Brasileira de Dinâmicas de Grupo, com MBA em Gestão de Negócios, também pela FGV. Como executiva de sucesso, atuou em grandes empresas, como Otis, Unilever e Bombril – www.cintiabortotto.com.br 



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