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Marinho tentou falar com STF para ajudar Lula, revela grampo

Prefeito de São Bernardo buscou informações com ministros para saber se apartamento do ex-presidente seria alvo de ação da Polícia Federal


Evaldo Novelini
Do Diário do Grande ABC

17/03/2016 | 07:00


 O prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho (PT), tentou obter informações privilegiadas junto a ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) para auxiliar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, também petista. A intenção era descobrir se o apartamento do atual ministro da Casa Civil, nomeado ontem, seria alvo de procedimento da PF (Polícia Federal) na manhã de 7 de março. A informação consta em grampo telefônico autorizado pelo juiz da Operação Lava Jato, Sérgio Moro.

A ligação telefônica que implica Marinho foi gravada no fim da noite de 6 de março e registra o diálogo entre dois servidores da República a serviço do ex-presidente. Às 23h17, o tenente do Exército Edson Antonio Moura chama o colega Valmir Moraes da Silva e ambos combinam ação para monitorar as imediações do prédio onde Lula mora, na Avenida Francisco Prestes Maia, Centro de São Bernardo, na madrugada seguinte.

Segundo a PF, a dupla conversava a pedido de Marinho, que ouvira algo a respeito da iminente operação policial. “O prefeito não sabe se é briefing ou não. Tentou falar... Porque hoje houve reunião lá no Supremo, ele tentou falar com os ministros alguma coisa, mas não conseguiu, devido ao horário já”, diz Moura a Moraes, sugerindo que um deles, segundo a investigação, “saia de moto e verifique às 4 horas da manhã se tem alguém na frente” do prédio.

Moura instrui ainda que alguém monitore também a sede da Superintendência Regional da PF, localizada no número 95 da Rua Hugo Dantola, na Capital, de onde supostamente deveria sair a equipe para o procedimento em São Bernardo. O tenente do Exército indica nomes que poderiam realizar o serviço: “Ou o PQD ou o Elias que mora ali na Lapa, o Elias, pode ficar ali umas 4 horas, 6 horas se não sair nada, e não tiver movimentação estranha nenhuma, ele mantém o senhor informado”.

A possível operação de policiais federais no apartamento de Lula teria sido identificada pelo prefeito de São Bernardo depois que ele foi informado de que emissora de rádio, a Globo, havia alertado seus repórteres para que se posicionassem às 5h de 7 de março tanto no edifício da Avenida Prestes Maia quanto na sede da PF. “Eu falei com o prefeito agora”, relatou Moura, segundo transcrição que consta nas páginas 41 e 42 de Auto de Interceptação Telefônica Nº 58/2016 da Lava Jato.

Os fatos mostram que a desconfiança de Marinho era infundada. A PF não visitou o apartamento de Lula, onde ele mora com a ex-primeira-dama Marisa Letícia, naquela manhã. Os agentes haviam estado no apartamento do ex-presidente três dias antes, para conduzi-lo, coercitivamente, a prestar depoimento para esclarecer suspeita de ter recebido R$ 30 milhões de empreiteiras envolvidas em esquema de desvio de verbas da Petrobras – o Ministério Público Federal crê que parte do dinheiro seja pagamento de propina.

Marinho não foi encontrado na noite de ontem para comentar o caso. No Facebook, no fim da tarde, ele postou vídeo, convidando os seguidores para manifestação amanhã à tarde, na Avenida Paulista, Capital, “em defesa da democracia e contra o golpe”: “Eu estarei lá. Sabe quem estará também? O presidente Lula, hoje ministro-chefe da Casa Civil”. Até a madrugada de hoje, a postagem tinha 87 curtidas.



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