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Rio Grande e Ribeirão estão na 'lanterna' do ranking orçamentário


Illenia Negrin e
Sucena Shkrada Resk
Do Diário do Grande ABC

04/12/2004 | 11:44


Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra são as cidades que tiveram menos dinheiro para gastar em 2004, entre os sete municípios. As duas amargam na lanterna do ranking orçamentário do Grande ABC, com verba anual de R$ 75 milhões e R$ 17 milhões, respectivamente. São os municípios mais pobres da região, porque as áreas de manancial afastam de seus limites as indústrias que se instalam nas vizinhas. A situação econômica se reflete, claro, no bolso dos moradores: em nenhuma das duas se pode encontrar quarteirões de riqueza, muito menos bolsões extensos de prosperidade econômica.

De acordo com estudo realizado pela Fundação Seade, em Ribeirão Pires e Rio Grande, o número de moradores que vive em situação de nenhum risco social é inexpressivo a ponto de nem constar do mapa. A pesquisa criou o Índice Paulista de Vulnerabilidade Social e divide todos os municípios do Estado em seis níveis, que vão de nenhuma a muito alta vulnerabilidade social. Ou seja, dos que nada dependem de serviços públicos essenciais, como saúde e educação, aos totalmente carentes de políticas públicas.

Em Ribeirão Pires, mais da metade da população, 54 mil pessoas, está concentrada em baixa vulnerabilidade, a classe média. Em Rio Grande, 24 mil estão no quesito médio, 65% do total, dependentes do Estado, mas bem alimentados, sem passar fome. Apesar das estatísticas do índice, a imagem da pobreza é bastante evidente nas duas cidades.

Cerca de 7 mil pessoas vivem em condições precárias em Ribeirão Pires, o que representa cerca de 7% do total. Em Rio Grande, o índice é ainda mais alarmante: 8 mil engrossam o cordão da miséria, 20% do total. É o município com menor número de habitantes no Grande ABC e, ao lado de Mauá, o que concentra as maiores porcentagens de pobreza.

A carência social imprimiu em duas famílias Silva, uma de cada cidade, características muito parecidas de exclusão. Embora, à primeira vista, a pobreza de Rio Grande pareça maior que a de Ribeirão. De perto, são idênticas.

No limite - Viver no limite da pobreza já faz parte da rotina da família da dona de casa Heidi Aparecida da Silva, 21 anos, do Jardim Lídia, em Rio Grande da Serra. Em três cômodos de madeira, na estrada do Rio Pequeno, ela vive com seu marido Paulo José, 30 e seus três filhos - Vitor Hugo, 4 meses, Paulo César, 2 anos, e Poliana, 3. No quintal de terra batida, ainda ficam alguns agregados - três vira-latas e dois gatos.

O orçamento é para lá de apertado e a fome já bateu muitas vezes na porta dos Silva. "Sobrevivemos com o salário de R$ 280 de ajudante-geral de meu marido. O que ajuda é receber uma cesta básica mensal dentro do Programa Fome Zero e dois litros de leite do Programa Viva Leite", contou nesta sexta, enquanto olhava preocupada para o telhado e piso do barraco, por causa da chuva que atingia a região desde a madrugada. "Os cupins estão comendo as madeiras e o cimento do chão do quarto cedeu."

Os poucos móveis, eletrodomésticos e roupas da família foram doados por amigos e vizinhos. "Como ocupamos o terreno, nossa água e luz são clandestinas e o esgoto corre a céu aberto", completa. Ela afirma ter um único sonho: "um quarto só para meus filhos. A gente divide um único espaço e todo mundo fica amontoado."

No Jardim Caçula, em Ribeirão Pires, apesar de a madeira ser substituída pela alvenaria sem revestimento na casa da família Jesus da Silva, composta por 12 pessoas, os problemas são semelhantes. Também olham para as goteiras que caem do telhado, já que o dinheiro não deu para fazer a laje, nos 20 anos que moram lá.

"Vivemos de bicos de pedreiro e pintor, com o dinheiro da aposentadoria de nosso pai (João Cândido, 67) e R$ 65 do bolsa-família", contou Itamar Jesus da Silva, 25 anos. Ele diz que seu principal ressentimento é a falta de oportunidade de emprego para quem não tem registro em carteira. "Eu conclui o ensino médio, mas exigem experiência."

Até hoje, a família pega água de um poço e a luz está na ligação direta. "Têm meses melhores e outros piores, mas acreditamos que Deus proverá", disse a matriarca da família, a baiana Obaldina Maria de Jesus da Silva, 55 anos.

Prefeituras - Em Rio Grande, devido ao baixo orçamento do município, a maioria das políticas que contemplam a população de baixa renda depende de verba federal. A Prefeitura conseguiu terminar o cadastro único e hoje cerca de 1,2 mil famílias recebem o bolsa-família. Com verba do próprio município, a Secretaria de Cidadania e Ação Social investe em cursos profissionalizantes. "Temos de manicure, informática, elétrica. Tentamos otimizar ao máximo nossos poucos recursos", explica a responsável pela pasta, Célia Regina Migliani.

Em Ribeirão Pires, a Prefeitura também prioriza a capacitação profissional para driblar o desemprego e a situação de vulnerabilidade. "Temos o Pão e Cidadania, a Feira de Artesanato, Afeto com Retalhos. Além do repasse das bolsas federal e estadual", afirma o secretário de Participação Cidadã, Mário Nunes.

Segundo ele, a secretaria já sabe onde estão e como vivem as pessoas em alta vulnerabilidade social, e os números municipais são ainda maiores do que os apontados pela Fundação Seade. "Nós calculamos cerca de 12 mil pessoas em situação de risco social. E o índice fala em 7 mil. Esse setor é priorizado quando se trata de gastar dinheiro público", garante Nunes.



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