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Demanda pode reduzir excedente para exportaçao


Do Diário do Grande ABC

07/04/2000 | 11:08


O aumento da produçao industrial e o incremento da demanda interna, motivado pela queda dos juros e possível reduçao das taxas de desemprego, podem reduzir o excedente destinado às exportaçoes em alguns setores da economia e comprometer a meta do governo de vender US$ 100 bilhoes ao Exterior no fim de 2002.

"Nao temos dúvidas de que o crescimento da demanda doméstica reduzirá as exportaçoes em algumas áreas", afirmou Júlio Sérgio Gomes de Almeida, diretor executivo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI).

O setor têxtil, que projeta contribuir com superávit de US$ 100 milhoes à balança comercial neste ano, após consecutivos déficits, está operando com cerca de 90% de utilizaçao da capacidade instalada, segundo o presidente da Santista Têxtil, Herbert Schmid. "Quase nao há espaço para crescermos. Se nao houver investimentos mínimos de US$ 1 bilhao neste ano para aumentar a produçao, teremos de optar entre suprir a demanda interna ou exportar", afirmou o executivo.

Além da área têxtil, empresas dos setores mais intensivos da economia, como o siderúrgico e o de bens de capital, também começam a operar no limite da capacidade de produçao, exigindo investimentos altos para suprir a demanda interna e as vendas externas. A diretora de Pesquisas e Estudos Econômicos da Federaçao das Indústrias do Estado de Sao Paulo (Fiesp), Clarice Seibel, disse que, caso nao ocorra uma açao coordenada do governo de estímulo às exportaçoes, os empresários voltarao a se limitar ao mercado nacional. Isso porque o crescimento da economia, previsto em 4% neste ano, aumentará a demanda interna.

Clarice Seibel alerta que a existência de "uma tendência do empresário se voltar para o habitual que é o conforto do mercado interno aquecido". Apesar do esforço do governo a favor de exportaçoes, ela ponderou que a "cultura" do empresário brasileiro ainda nao é essa. "É preciso incorporar a idéia de que a exportaçao é a direçao mais forte para a retomada do crescimento", completou a diretora da Fiesp.

A partir de um contato contínuo com a Camex, Clarice Seibel acredita que o governo dará "um impulso" grande para as exportaçoes ainda neste ano. De acordo com ela, há setores que nao têm tradiçao exportadora, enquanto outros, que já tinham mercados e clientes, perderam os negócios, com a sobrevalorizaçao do real, que dificultou as vendas ao Exterior até a desvalorizaçao no início de 99.

Na avaliaçao de Osanan Lima Barros, gerente executivo da Divisao Internacional do Banco do Brasil (BB), a demanda interna nao deve aumentar neste ano. Ele acredita que, apesar de estar caindo, o desemprego ainda é alto e que a ociosidade da indústria brasileira, de forma geral, ainda é grande. Ao mesmo tempo, o governo está fazendo um esforço para construir junto ao empresário uma mentalidade de exportaçao, de fidelidade ao cliente já conquistado, de forma a evitar que o exportador deixe de fornecer ao Exterior para se abrigar na demanda interna.

As exportaçoes nao serao prejudicadas, segundo Clarice, caso o dólar fique cotado entre R$ 1,72 e R$ 1,80. Embora seja uma faixa ampla, a diretora da Fiesp acredita que o "mercado fica equilibrado", respondendo às expectativas. "O câmbio nao dá todas as respostas. Nao é a soluçao, apenas desentrava negócios", afirmou Clarice Seibel.



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