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Teatro vive comédia dramática


Everaldo Fioravante
Do Diário do Grande ABC

07/02/2005 | 17:26


A reforma do telhado do teatro está quase pronta, mas a água da chuva que por tempos castiga o interior do espaço não deixará de molhá-lo, ao menos em breve. Isso porque no saguão, onde não há proteção por toldo, a água chega e entra mesmo. Ela escorre pelo vão da porta, pois não existe um sistema de escoamento adequado e, além disso, o declive do chão foi construído para o lado de dentro. Mas essas poças são menos prejudiciais. Ruim mesmo são as goteiras que atingem a platéia e o palco. O carpete e a estrutura elétrica também são afetados.

De volta ao saguão. Aquele das poças d’água. Como as lâmpadas originais queimavam muito rápido, talvez devido aos problemas na parte elétrica, e estavam no teto, cujo pé-direito é bem alto, a iluminação deixava a desejar. Então surgiu uma “solução” caseira. Metros de fios foram improvisados para deixar outro tipo de lâmpadas penduradas bem abaixo do teto. E assim é garantida a função de proporcionar claridade.

Mais: o teatro tem uma escada em alvenaria que não leva a lugar algum. Ou melhor, seus degraus conduzem a uma parede – aproveitada então como depósito de produtos de limpeza. O estofamento dos assentos da platéia cheira mal e é do tipo bem fininho. Daqueles que, após uma hora sentado, incomoda feito banco de praça. As caixas de som são velhas.

Portadores de deficiência física teriam um bom acesso ao teatro pelas duas rampas existentes. Mas, com 65cm de largura, elas se transformaram em obstáculos. Cadeira de rodas nenhuma passa por ali. A bilheteria do teatro fica na área externa do prédio. Ou seja, se não houver algum tipo de serviço de segurança, cobrar e pagar pelos ingressos é uma ação arriscada. Ainda do lado de fora, o edifício é só pichação. Na praça que abriga o teatro, o mato cresce vigoroso.

Desenvolvido por um bom dramaturgo, esse somatório de problemas poderia se transformar em uma peça com farto conteúdo, ser usado como base para a criação de uma comédia dramática, um espetáculo de metateatro com pitadas surreais. No entanto, nada disso é ficção. O teatro em foco é o Conchita de Moraes, um dos equipamentos mais importantes de Santo André, localizado na praça Rui Barbosa. Sim, mais uma vez ele está em reforma, uma espécie de intervenção “não vale a pena ver de novo”.

O Conchita, ao longo dos anos, passa por reformas e mais reformas. E um fato chega a ser inacreditável: é lá a sede da ELT (Escola Livre de Teatro) de Santo André, referência nacional quando o assunto é ensino de teatro.

A reforma do telhado (as goteiras figuram entre os piores males que assolam o Conchita) é capítulo à parte. Começou em janeiro de 2004 com o destelhamento. Mas choveu, e o teatro foi alagado. A empresa que começou o serviço, a Paed Construções, abandonou o trabalho em abril. Faliu. Concluídos os trâmites burocráticos, foi convocada a segunda colocada na licitação, a Pilão Construções, que iniciou suas intervenções em novembro e já deixou o telhado quase pronto – restam detalhes. O Conchita, finalmente, conseguiu se livrar das goteiras que o acompanham desde 1998.

Pintura do palco e da parte externa do edifício, adequação das rampas de acesso a portadores de deficiência física, conserto do toldo quebrado da bilheteria e revisão da parte elétrica do espaço são outros cuidados que o Conchita deve – e precisa – receber. Parte dos serviços será realizada pela Pilão Construções e parte por funcionários da Prefeitura.

A Prefeitura de Santo André informa que boa parte dos serviços deve ser concluída até abril. O diretor do Departamento de Cultura da cidade, Alberto Alves de Souza, explica que obras como a adequação das rampas para os cadeirantes podem demorar mais pois não podem atrapalhar o funcionamento da ELT.


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