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Indústrias do Grande ABC se animam com potencial da energia eólica


Leone Farias
Do Diário do Grande ABC

29/03/2010 | 07:00


Indústrias e empresas de serviços de infraestrutura do Grande ABC se animam com o potencial de negócios na área de energia eólica (gerada pelo vento) no País.

É o caso, por exemplo, da fabricante de peças em aço forjado Uniforja, de Diadema; da Prysmian, que faz cabos de energia em Santo André; e da Tomé Equipamentos e Transporte (que aluga guindastes de grande porte), de São Bernardo, que esperam alavancar as vendas com a expansão desse mercado.

As perspectivas são promissoras nessa área. O primeiro leilão de comercialização exclusivamente para essa fonte, realizado pelo governo federal em dezembro, despertou o interesse das fabricantes.

Isso devido à contratação de 1.805 MW para a construção, até 2012, de 71 empreendimentos de geração (vão somar mais de 770 aerogeradores, como são chamadas as torres de geração de energia) nos Estados da Bahia, Ceará, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Sergipe, que devem movimentar cerca de R$ 19,59 bilhões. Com isso, gigantes multinacionais do setor, como a GE, Siemens e Alstom, já divulgaram planos de montar ou ampliar fábricas no País.

E em julho deverá haver novo leilão de energias renováveis alternativas, envolvendo a contratação para a construção de pequenas centrais hidrelétricas, usinas de biomassa (de resíduos orgânicos) e parques eólicos.

NA REGIÃO - A Uniforja, de Diadema, tem experiência no segmento. Já forneceu partes forjadas para torres e geradores para o mercado internacional até o fim de 2008. Depois, em função da crise global, teve a demanda interrompida.

"Já temos muita coisa em orçamento; esperamos alavancar de 10% a 15% nosso faturamento neste ano", afirmou o presidente da companhia, João Luís Trofino. A fabricante, que emprega 490 pessoas, faturou R$ 150 milhões no ano passado.

A Uniforja sofreu reflexos das turbulências mundiais, no ano passado, devido à retração no mercado de veículos pesados e também pela diminuição de investimentos na área petroquímica e do petróleo. Registrou queda de quase de 40% nas vendas.

O reaquecimento nesses outros segmentos já traz expectativas de melhor desempenho neste ano, mas o boom na área eólica reabre um nicho de mercado para a companhia. "Vemos bastante movimentação, só falta se concretizar", salienta o executivo.

A Prysmian, que fabrica cabos de alta tensão, também vê boas perspectivas, em função da necessidade integrar os parques eólicos às redes de distribuição do País. "Nos próximos três anos, deveremos ter investimentos fortes nessa área. Esse não é um mercado grande, mas é novo", cita Jorge Cimas Hanmal, diretor de marketing da empresa.

A montagem dos aerogeradores também deve impulsionar a locação de guindastes. Esse é o foco da Tomé Equipamentos, de São Bernardo, que já divulgou que está investindo neste ano cerca de R$ 120 milhões para compra de 15 guindastes de grande porte - vários deles adquiridos da Alemanha e com capacidade para içar 1.200 toneladas -, de olho também nesse segmento.

Matriz energética ainda representa 0,6% do total

O Brasil ainda dá pouca importância a essa matriz energética considerada limpa e renovável - hoje soma 700 MW, o que representa apenas 0,6% do total e chegará a 1.400 MW (1,2% de participação) no fim deste ano -, mas a perspectiva no setor é de que a fonte eólica passará a representar algo próximo de 5% da matriz nacional em 2030.

Segundo o coordenador do Nipe (Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético) da Unicamp, o professor Gilberto Jannuzzi, o País tem bom potencial a ser explorado, sobretudo em áreas do Nordeste e da região Sul.

Ele destaca, no entanto, que há alguns desafios, entre os quais fazer a integração dos parques geradores. "Nosso sistema de distribuição não foi pensado para a energia eólica, mas sim para as bacias hidrográficas, que ficam em outras regiões. É preciso criar estrutura e fazer o despacho dessa energia", afirmou.

Outro entrave é o custo. Enquanto o preço final do primeiro leilão de eólica ficou em R$ 148,39 o MWh, na média, segundo estudos, o de grandes hidrelétricas gira em R$ 100 MWh. "Mas (o segmento) deve ser menos taxado no futuro", prevê Jannuzzi.



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