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Primeiro brasileiro a receber coraçao artificial passa bem


Do Diário do Grande ABC

20/07/1999 | 12:58


É bom o estado de saúde do gaúcho Dionísio Eloi, de 46 anos, que nesta segunda-feira se tornou o primeiro brasileiro a receber um coraçao artificial implantável, dentro do corpo, no país. A operaçao foi realizada pelo Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul e comandada pelo cirurgiao Ivo Nesralla. O Instituto do Coraçao de Sao Paulo (Incor) realizou há seis anos o primeiro implante de coraçao artificial na América Latina, usando um equipamento nacional, mas o aparelho ficava fora do organismo e limitava os movimentos do paciente, inclusive o obrigando a puxar um pesado carrinho com a bateria.

O coraçao artificial implantado em Porto Alegre, que é um modelo americano HeartMate, é o primeiro que fica dentro do corpo do paciente, facilitando sua movimentaçao. ``É o maior avanço da tecnologia e um momento histórico para a medicina'', disse Nesralla. Ele também foi o responsável, juntamente com sua equipe do Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul, pela primeira implantaçao de ponte de safena no país, há quase 30 anos. Nesralla também fez o primeiro transplante de coraçao após a descoberta da ciclosporina, entre outras iniciativas pioneiras.

O aparelho implantado em Dionísio Eloi pesa 1,2 quilo, tem cerca de 5 centímetros de largura e 10 centímetros de diâmetro. Ele é feito de titânio e material biológico, bombeando cerca de 60 a 90 ml de sangue por batida cardíaca, o mesmo que um coraçao natural. Sua bomba e duas válvulas ligam o aparelho ao ventrículo esquerdo e à aorta. A única ligaçao do aparelho ao exterior é através de um fio elétrico, revestido de material biológico. Ele está ligado a um controlador (bateria) colocado num cinturao externo, que o paciente usa na cintura, monitorando a bomba cardíaca e as baterias, que sao um pouco maior do que as de um celular e recarregadas num período entre cinco e oito horas. Uma das cautelas entretanto é que a bateria externa nao pode ser molhada.

''É um coraçao elétrico, totalmente dentro do paciente, colocado abaixo do diafragma e que bombeia o sangue num coraçao em falência. O aparelho usa princípios modernos da biologia molecular. Assim evita riscos de coagulaçao, porque internamente o coraçao artificial possui micro esferas de titânio com uma substância especial que produz o endotélio, o tecido humano que reveste a parede, o interior dos vasos sangüíneos, impedindo sua coagulaçao'', explicou Nesralla.

Dionísio Eloi entrou em choque cardiogênico pela falência do coraçao, levando à realizaçao do implante do coraçao artificial por falta de opçoes e pela inexistência de doador no momento, contou o cirurgiao gaúcho.

O Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul se tornou o primeiro no Brasil a realizar tal cirurgia, somando-se a 500 operaçoes semelhantes já realizadas pelo Instituto do Coraçao do Texas e pela Universidade de Columbia, em Nova Iorque.

Segundo Ivo Nesralla, o uso do aparelho permite duas opçoes: garante a sobrevivência do paciente até o surgimento de um doador e a realizaçao de um transplante ou a continuidade do uso do equipamento ``por tempo indeterminado''. Já existem pacientes nos Estados Unidos vivendo com esse coraçao artificial há três anos e meio.

A principal desvantagem do HeartMate é seu custo. O conjunto todo exige R$ 450 mil e só foi possível seu uso no RS pelo apoio de empresas privadas. O custo da implantaçao do coraçao artificial é de R$ 70 mil, em média. O aparelho nacional criado pelo Incor de Sao Paulo é 10 vezes mais barato que o HeartMate.

O Incor tem convênio com a Alemanha na construçao do seu primeiro coraçao artificial interno, como o usado no Rio Grande do Sul, mas sua implantaçao ainda nao tem data.

Com a operaçao, o Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul venceu uma corrida científica paralela, em relaçao ao Incor e à Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, para colocaçao do primeiro coraçao artificial interno no Brasil. A Santa Casa, também em convênio com instituiçoes americanas, anunciou há dois meses a futura implantaçao desse tipo de coraçao, mas a partir de janeiro do ano 2000.



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