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Lidando com o desafio de frente

Nario Barbosa/DGABC:  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Tauana Marin

21/02/2016 | 07:05


Imagine um campo de batalha. De um lado, os soldados, do outro, os vilões. É mais ou menos isso que acontece com nosso corpo quando ‘combatemos’ uma gripe, uma dor de garganta ou qualquer infecção. Às vezes, a briga é um pouco mais demorada e difícil. Mas os soldados nunca desistem. Sarah Rebeca Viana Coinbra e Felipe Monteiro Lima, ambos com 5 anos, estão no meio desse confronto contra o câncer, uma complicada doença. Ela funciona mais ou menos assim: nosso corpo é como uma construção na qual trabalhadores empilham vários tijolos. Mas há funcionários que querem terminar logo e começam a colocar o material rapidamente e de forma errada. É isso que acontece com as células, que começam a se multiplicar de maneira desordenada e geram a complicação. 

Atualmente, Sarah e Felipe fazem tratamento médico na Casa Ronald McDonald (Av. Príncipe de Gales, 821. Tel.: 4992-1440), em Santo André. Lá, eles se alimentam, brincam e descansam como se fosse suas casas. Tudo é oferecido de maneira gratuita e ambos deixaram o estado do Amapá para se tratarem no Grande ABC. 

Sarah chegou primeiro, há dois anos. Ela tinha muita dor na barriga, nas pernas e ficou amarela. Alguns exames revelaram que a menina tem leucemia linfoide aguda, um tipo de câncer que ataca as células brancas. Para combater a doença, passou por quimioterapia (quando compostos químicos especiais são colocados na corrente sanguínea do paciente). “Não dói mais. A gente acostuma. É para eu ficar boa logo”, conta, enquanto brinca com seus amigos da casa. 

Para se recuperar o mais rápido possível, Sarah se alimenta muito bem. “Gosto de verduras e frutas. Maçã, pera e uva são as minhas preferidas.” Assim que voltar para casa com sua mãe e sua avó, que vivem com ela na casa Ronald, e reencontrar toda a família, fará uma coisa que sente muita saudade: comer açaí. Neste ano, a grande novidade é que, pela primeira vez, irá à escola. “Vou desenhar e colorir os desenhos”, comentou.

Felipe, que mora no centro assistencial há quatro meses junto com o pai, já precisou passar por cirurgias. Descoberto no início do ano passado, seu câncer (chamado de meduloblastoma) estava localizado no cérebro e tinha o tamanho de um limão. Os médicos o retiraram com sucesso e, em outra operação, foi colocada uma válvula em sua cabeça para que não acumule água. 

Atualmente, com a ajuda de medicamentos, Felipe se recupera cheio de disposição. “Gosto de inventar histórias. Hoje decidi ser uma baleia”, conta. A hora de tomar sucos é bastante esperada e os de limão e laranja são seus preferidos. ,

Há vários tipos e alguns tratamentos

Há vários tipos de câncer, dependendo de onde a doença está localizada. Os mais comuns em crianças são leucemia (sangue), linfoma (no sistema linfático, formado por espécie de vasos sanguíneos), tumor ósseo, retinoblastoma (na retina, localizada no olho), neuroblastoma (no cérebro), tumores cerebrais e de Wilms (que afeta os rins). 

Infelizmente, os sintomas são pouco diretos e precisos, podendo ser confundidos com complicações motivados por outros desconfortos, como febre e dor de cabeça. As ínguas (pequenos caroços que aparecem embaixo da pele) podem ser a apresentação inicial. Sangramentos ou hematomas (manchas roxas pelo corpo) devem levantar suspeita.

O mais importante é que haja acompanhamento com um médico de confiança e consultas frequentes. Mesmo estando tudo certo com a saúde, o recomendado é fazer exames gerais, ao menos uma vez por ano. O diagnóstico precoce salva vidas e, vale lembrar, que o câncer não é contagioso.

TRATAMENTO

Basicamente, há três fases de tratamento: radioterapia (radiações emitidas como em um raio X), quimioterapia e cirurgia, este último dependendo de cada caso. Nesta fase, é comum que unhas e cabelo fiquem fracos e até caíam. Eles voltam a crescer forte com o tempo. 

Ao fim do tratamento, é preciso que haja acompanhamento médico – geralmente de três em três meses. Após cinco anos, se a saúde estiver ótima, pode-se falar em cura completa do câncer.

Alimentação faz a diferença na recuperação

Quanto mais balanceada e saudável for a alimentação, melhor para qualquer criança, estando doente ou não. Mas quem enfrenta o câncer tem que ficar ainda mais atento com o que come. Os alimentos precisam ser o menos industrializados possível. 

Outro ponto é com a higiene. Devemos lembrar que a quimioterapia diminui a defesa natural do paciente, o que o deixa mais exposto a infecções. Todo cuidado com o preparo da comida é fundamental. O recomendado é evitar alimentos crus na fase mais forte do tratamento, dando preferência a pratos com verduras e legumes cozidos. 

Um detalhe importante é deixar de lado o consumo de açucar. Sucos de frutas são bem aceitos por quem faz o tratamento, já que é possível que o paciente tenha enjoos, mas tudo varia de pessoa para pessoa. Ter uma alimentação balanceada ajuda na recuperação mais rápida da doença.

Família e amigos têm poder especial

Quem vê Amanda Júlia Bassi, 12 anos, de Santo André, não imagina pelo que ela passou. Aos 6 anos, começou a sentir dores na panturrilha, um pouco abaixo do joelho. O médico que a atendeu desconfiou de uma fratura e engessou a perna. No entanto, Amanda não suportava o incômodo, mesmo tomando remédios. Ao passar pela segunda vez no hospital, fez exames de imagem (como raio X) e descobriu que havia um tumor no osso da perna. 

“Não é legal ficar sabendo de uma coisa dessa, mas minha mãe me explicou de uma forma divertida. Precisava tomar os medicamentos para aumentar a quantidade de bons soldados no meu corpo.”

A aluna do 7º ano do Singular Júnior, de Santo André, passou por quimioterapia e duas cirurgias. “Nessa época meus cabelos caíram. Comprei várias perucas de cores diferentes. Com o tempo, não me importava de não usá-las.” 

Amanda ficou um ano e meio na cadeira de rodas, depois passou a usar andador e seguiu se movimentando com a ajuda de muletas. “Hoje não preciso de nada para andar. Consigo correr, brincar de pega-pega, esconde-esconde, danço, ando de bicicleta. Faço tudo sozinha.”

No período que estava em tratamento, a garota contou com a força de sua família e das amigas. “Elas sempre me trouxeram muita felicidade. Dormimos na casa umas das outras, conversamos, brincamos, fazemos brigadeiro. São essenciais”, afirmou. Mesmo sem poder andar normalmente durante um tempo, teve apoio de todos a seu redor. “Os tios (funcionários do colégio) sempre me ajudaram na locomoção. Viajei com a turma e até participei de uma apresentação de dança. Isso fez a diferença. Hoje me sinto muito forte.” 



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