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Em busca da perfeição


Marcela Munhoz
Do Diário do Grande ABC

02/05/2010 | 07:13


Ah, se eu pudesse ter a boca daquela atriz, os seios da outra, o corpo da protagonista da novela, o cabelo da top model da vez. Seria perfeito. Será mesmo? O fato é que muita gente não está satisfeita com alguma parte do rosto ou corpo. A solução imediata para a maioria é pensar em cirurgia plástica.

Estudo feito pela MTV, em 2005, aponta que 60% dos jovens acreditam que pessoas mais bonitas têm mais oportunidades na vida e 55% consideram aceitável fazer plástica ou lipoaspiração. Tem mais: 15% estariam dispostos a ser menos inteligentes se pudessem ser mais bonitos.

Os dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica endossam a preocupação com a estética. Dos 629 mil procedimentos cirúrgicos realizados entre setembro de 2007 e agosto de 2008, 37.470 (8%) foram feitos em adolescentes. Segundo os médicos, isso prova que o número de cirurgias em menores de 18 anos está aumentando consideravelmente.

Alessa Bortoli, 19, de Santo André, faz parte desse time. Aos 17, realizou o sonho de colocar silicone. "Sempre quis fazer isso, desde novinha. Mas, minha mãe só permitiu quando fiz 18 anos. Ela e minha avó me deram de presente", conta a garota, que colocou 220 ml em cada mama. "Não me arrependo de ter colocado, mas de não ter colocado mais cedo e mais mls. Gostei muito do resultado."

Pela mesma experiência passou Vanessa Cristina, 18, de São Bernardo. A garota colocou silicone (230 ml) e também fez uma minilipo na barriga quando tinha 17. "Demorou um pouco para convencer meus pais, mas consegui. Fiquei tranquila porque operei com o mesmo médico que fez lipo na minha mãe. Tirei todas as dúvidas sobre amamentação e troca de prótese."

O motivo? Baixa autoestima. "Eu me sentia muito mal por causa do tamanho dos meus seios. Depois da cirurgia até melhorei a postura, me sinto mais segura." Apesar de a recuperação ser um pouco dolorida e incômoda por não poder levantar o braço, Vanessa faria tudo de novo. "Sou jovem, e é o momento de aproveitar a vida o mais satisfeita comigo. Recomendo para todo mundo, mas, claro, tomando todos os cuidados necessários."

Padrões exigentes de beleza
"Sempre me achei com pouco peito. Vejo as atrizes com muito e fico com vontade de ter", confessa Fernanda, 16. Segundo os psicólogos, os principais motivos para a cirurgia plástica na adolescência são os atuais padrões estéticos e a valorização excessiva da aparência. Para eles, é algo que afeta diretamente a adolescência, mas não é exclusiva dela. As diferenças, em vez de valorizadas, são atacadas como defeito.

É justamente sobre isso que trata o livro Feios, de Scott Westerfeld (Editora Galera Record). Fala sobre um mundo futurista, no qual o adolescente, ao completar 16 anos, passa por cirurgia plástica para ficar com aparência ‘perfeita'. Na trama, a humanidade vive em cidades-bolha cercadas pela selva. A garota Tally vai comemorar o 16º aniversário e mudar da Vila Feia para a Nova Perfeição. Até que, numa noite, conhece Shay, que não está ansiosa pela mesma mudança e resolve fugir da cidade.

Qual é a idade certa?
Há muita polêmica em torno disso. Tem médico que faz sem restrição e outros, mais cautelosos, avaliam prós e contras. "Cada caso é um caso. O certo é que a cirurgia plástica jamais pode ser tratada como linha de montagem. É preciso investigar exatamente qual o real motivo de o jovem querer operar. É preciso ter bom senso", afirma Fernando de Almeida Prado, diretor-geral da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

Dar silicone de presente de 15 anos, por exemplo, pode ser complicado. "Tem menina que ainda não desenvolveu completamente os seios nessa idade. Não é como comprar um vestido; é uma cirurgia, com todos os riscos." E os riscos são muitos. Por outro lado, diz o cirurgião, se uma garota de 13 anos, baixinha, tem mama muito grande; é questão de saúde. "Pode ter complicações na coluna."

Algumas cirurgias, como otoplastia (correção de orelha de abano), são indicadas na infância. "Aos 6 anos, o tamanho da orelha já é o de adulto, por isso, não há problema", explica Edmilson Micali, cirurgião plástico. Já não recomenda-se realizar outros procedimentos como implante de silicone, lipo e até rinoplastia (de nariz) antes de certa maturidade corporal. "Prefiro não fazer antes dos 18 anos, nem com a autorização dos pais", conclui o cirurgião, que alerta: "Antes é preciso ter referências do médico."

Exageros chegam a ser bizzaros
Como tudo na vida, tem gente que exagera na dose também quando se trata de cirurgia plástica. Há quem fique irreconhecível depois.

Mês passado, apareceu na mídia uma mãe na Inglaterra que aplica botox (tratamento usado por pessoas mais velhas para diminuir as rugas do rosto) na filha de 16 anos. A menina afirmou que tinha duas rugas na testa e ao lado da boca e que temia ficar horrível aos 25 anos. A mãe, esteticista, não pensou duas vezes. Conhecida como Barbie Humana, a mulher - que já se submeteu a mais de 100 tratamentos estéticos - aplicou botox na filha e disse que era para protegê-la de charlatões.

Outro caso que ficou famoso é o da mãe que deixou de pagar a escola da filha adolescente para gastar o dinheiro em cirurgia plástica. Ela já fez 53 intervenções e torrou 200 mil libras (mais de R$ 500 mil). O objetivo da mulher é ficar parecida com a rainha Nefertiti, do Antigo Egito.

Quando vira trauma
Além da questão da saúde, um dos motivos que podem levar à indicação cirúrgica é o quanto isso vai melhorar a vida do paciente, principalmente quando traz problemas psicológicos. "Primeiro é preciso esgotar todas as possibilidades de tratamento, depois dá para pensar no caso", afirma o cirurgião Fernando de Almeida Prado.

Para Lucas Mazias, 17, de Santo André, realizar a operação de ginecomastia (retirada do excesso de mamas masculinas) foi essencial. "Aos 15 anos, tinha tanta vergonha, que parei de ir à praia e à piscina. Jamais tirava a camiseta em público."

O garoto esperou dois anos para tomar a decisão. "Consultei três médicos e eles achavam que eu tinha de emagrecer primeiro, mas não conseguia." Depois de muito tentar, finalmente, Lucas conseguiu o que queria. Operou há algumas semanas. "Não doeu nada e foi mais rápido do que imaginava. Agora, realmente, me sinto feliz, completo."

Victor Fiorotti, 16, de São Caetano, também passou por mudança radical. Operou as orelhas de abano há um ano. "Isso foi uma coisa que sempre me incomodou, mas não porque os outros ficavam fazendo brincadeiras comigo. Eu é que não me aceitava quando me via no espelho, tanto que sempre usei cabelo comprido para disfarçar." A primeira coisa que Victor fez quando saiu do hospital? Cortou o cabelo. "Sinto-me livre e estou satisfeito com o resultado. Deveria ter feito antes."

As mais comuns
RINOPLASTIA
- cirurgia feita no nariz para melhorar a aparência ou respiração. Recomenda-se fazer depois da formação completa do nariz, a partir de 18 anos.

OTOPLASTIA - cirurgia para corrigir a chamada orelha de abano. Recomenda-se operar a partir de 6 anos, quando a orelha já está formada.

MENTOPLASTIA - cirurgia de aumento ou diminuição do tamando do queixo. A idade mínima para essa correção é 17 anos.

GINECOMASTIA - cirurgia para redução das mamas masculinas, em deocorrência do aumento de hormônios. Realizada a partir de 13 anos.

MASTOPLASTIA DE AUMENTO - colocação de silicone nas mamas. Recomenda-se o procedimento após o completo desenvolvimento dos seios. A idade depende do caso.

LIPOASPIRAÇÃO - retirada de gordura por meio de um caninho em áreas localizadas, como barriga, costas, coxas. Não há consenso sobre a idade mínima. A maioria recomenda após os 18 anos.

LIPOESCULTURA - retirada de gordura por meio de caninhos, como a lipoaspiração, com a diferença que a gordura é injetada em outras áreas para moldar o corpo. Não há consenso sobre a idade. A maioria faz após os 18 anos.



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