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Desafio aos pais: compensar ausência


Kelly Zucatelli
Do Diário do Grande ABC

21/03/2010 | 07:09


No Dia Mundial da Infância, comemorado hoje, especialistas ressaltam a necessidade de melhorias na estrutura familiar para garantir a boa formação das crianças e adolescentes. Para eles, a família é a base para a boa formação dos filhos. Porém, esse alicerce está abalado porque muitos pais e mães não podem estar o tempo todo com seus filhos e não sabem como lidar com o comportamento deles.

Há pais que acham que podem compensar a ausência - muitas vezes forçada por motivos profissionais - dando às crianças brinquedos caros, roupas e outros bens materiais. Vários meninos e meninas acabam, mesmo com pouca idade, tendo sobrecarga de atividades extras como esportes, cursos de idiomas e balé como outra maneira colocada pelos pais para sanar a falta de tempo para dedicar-se aos filhos.

Várias atividades - A coordenadora do Centro de Referência da Infância e Adolescência da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), Vera Zimmermann, explica que cada geração que passa tem condições de absorver mais coisas. "As crianças já nascem com desenvolvimento diferenciado das gerações anteriores. É comum que uma criança possa se dedicar a uma, duas ou três atividades. Só tem que haver precaução por parte dos pais para que elas também tenham descanso. As crianças, muitas vezes, não têm maturidade para entender o significado do número de atividades que estão desenvolvendo", diz.

Para os pais, o desafio de educar os filhos está cada vez mais difícil. Se, em casa, as crianças são ensinadas de uma maneira, na escola aprendem coisas que vão contra os princípios familiares.

A doutora em Psicologia Escolar e Desenvolvimento Humano da Universidade Metodista de São Paulo Dagmar Pinto de Castro salienta que a família é a maior responsável pelo bom encaminhamento e formação do caráter das crianças, mas é necessário o suporte de redes de relacionamentos - como políticas públicas que ofereçam opções de lazer, cultura - e melhor preparo dos profissionais da Educação. "A criança e o adolescente sempre buscam figuras de referência, independentemente de serem familiares ou não. O problema é que a figura do adulto está esfumaçada, devido ao consumismo, desigualdade social, violência doméstica e outros fatores", afirma Dagmar.

Famílias defendem restrições às publicidades infantis
Apesar de muitas vezes se renderem aos pedidos consumistas dos filhos, os pais defendem a ideia de que seria necessário haver algum tipo de restrição à publicidade infantil.

A conclusão foi tirada de uma pesquisa que o projeto Criança e Consumo, do Instituto Alana, de São Paulo, fez entre os dias 22 e 23 de janeiro. Para o estudo, foram ouvidos 411 pais e mães de todas as faixas sociais, com destaque para a classe C.

Sete em cada dez pais entrevistados afirmaram ser influenciados pelos filhos na hora da compra. Quem sofre maior influência das crianças são os homens, apontou o estudo.

As guloseimas lideram o ranking quando o assunto é objeto de desejo dos filhos, correspondendo a 34% dos pedidos de compra feitos pelas crianças.

Entre os produtos alimentícios mais consumidos pelos menores mais de uma vez na semana estão bolacha (82%), refrigerante (70%) e salgadinhos (64%). Os pedidos mais frequentes foram observados nas faixas etárias entre 3 e 11 anos completos.

Jéssica quer uma praça para brincar com os amigos
Jéssica Aparecida Bezerra Araújo, 9 anos, aluna da rede municipal de Diadema, deixou as bonecas apenas para enfeitar o seu quarto. Na hora da diversão, a garota não esconde sua preferência pelos jogos de videogame e os desenhos animados. Mas a menina respeita os limites e as regras impostas pelos pais. "Acho muito importante a educação que tenho e tento colocar em prática. Sou vaidosa e gosto de comprar roupas e sapatos que combinem, mas quando peço e meus pais dizem ‘não', sei respeitar", explica.

Moradora do bairro Eldorado, a menina diz que ainda não pensa na chegada da adolescência e deixa claro que quer curtir a boa fase de criança ao lado da família e do cachorro de estimação, Tomás. Mas Jéssica deixa um pedido: "Gostaria de uma praça com brinquedos para as crianças do bairro."

Regina Maria adora fazer várias atividades no dia
A paixão por sapatos, tiaras de cabelo e pela aula de ginástica, uma de suas atividades diárias, além da escola, encantam a pequena Regina Maria Barbosa Gigliotti, 7 anos.

Aluna de uma escola particular de Santo André, a extrovertida Regina Maria fala sem nenhuma timidez de suas melhores amigas e da tabela de tarefas feita pela mãe, Denise Cristina Gigliotti, para seguir quando chega em casa. "Lavo as mãos, almoço e faço a lição de casa. Depois, brinco com meu irmão e, à noite, com meu pai, quando ele chega do trabalho", disse a garota.

"As crianças de hoje têm acesso a muitas informações e nós pais temos que saber lidar com isso para dosar o que eles podem ou não fazer", disse o pai, o engenheiro Renato Gigliotti, 45.

Mesmo com seu laptop no quarto, Regina Maria ainda prefere brincar com as bonecas e jogar damas com o pai.



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Desafio aos pais: compensar ausência

Kelly Zucatelli
Do Diário do Grande ABC

21/03/2010 | 07:09


No Dia Mundial da Infância, comemorado hoje, especialistas ressaltam a necessidade de melhorias na estrutura familiar para garantir a boa formação das crianças e adolescentes. Para eles, a família é a base para a boa formação dos filhos. Porém, esse alicerce está abalado porque muitos pais e mães não podem estar o tempo todo com seus filhos e não sabem como lidar com o comportamento deles.

Há pais que acham que podem compensar a ausência - muitas vezes forçada por motivos profissionais - dando às crianças brinquedos caros, roupas e outros bens materiais. Vários meninos e meninas acabam, mesmo com pouca idade, tendo sobrecarga de atividades extras como esportes, cursos de idiomas e balé como outra maneira colocada pelos pais para sanar a falta de tempo para dedicar-se aos filhos.

Várias atividades - A coordenadora do Centro de Referência da Infância e Adolescência da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), Vera Zimmermann, explica que cada geração que passa tem condições de absorver mais coisas. "As crianças já nascem com desenvolvimento diferenciado das gerações anteriores. É comum que uma criança possa se dedicar a uma, duas ou três atividades. Só tem que haver precaução por parte dos pais para que elas também tenham descanso. As crianças, muitas vezes, não têm maturidade para entender o significado do número de atividades que estão desenvolvendo", diz.

Para os pais, o desafio de educar os filhos está cada vez mais difícil. Se, em casa, as crianças são ensinadas de uma maneira, na escola aprendem coisas que vão contra os princípios familiares.

A doutora em Psicologia Escolar e Desenvolvimento Humano da Universidade Metodista de São Paulo Dagmar Pinto de Castro salienta que a família é a maior responsável pelo bom encaminhamento e formação do caráter das crianças, mas é necessário o suporte de redes de relacionamentos - como políticas públicas que ofereçam opções de lazer, cultura - e melhor preparo dos profissionais da Educação. "A criança e o adolescente sempre buscam figuras de referência, independentemente de serem familiares ou não. O problema é que a figura do adulto está esfumaçada, devido ao consumismo, desigualdade social, violência doméstica e outros fatores", afirma Dagmar.

Famílias defendem restrições às publicidades infantis
Apesar de muitas vezes se renderem aos pedidos consumistas dos filhos, os pais defendem a ideia de que seria necessário haver algum tipo de restrição à publicidade infantil.

A conclusão foi tirada de uma pesquisa que o projeto Criança e Consumo, do Instituto Alana, de São Paulo, fez entre os dias 22 e 23 de janeiro. Para o estudo, foram ouvidos 411 pais e mães de todas as faixas sociais, com destaque para a classe C.

Sete em cada dez pais entrevistados afirmaram ser influenciados pelos filhos na hora da compra. Quem sofre maior influência das crianças são os homens, apontou o estudo.

As guloseimas lideram o ranking quando o assunto é objeto de desejo dos filhos, correspondendo a 34% dos pedidos de compra feitos pelas crianças.

Entre os produtos alimentícios mais consumidos pelos menores mais de uma vez na semana estão bolacha (82%), refrigerante (70%) e salgadinhos (64%). Os pedidos mais frequentes foram observados nas faixas etárias entre 3 e 11 anos completos.

Jéssica quer uma praça para brincar com os amigos
Jéssica Aparecida Bezerra Araújo, 9 anos, aluna da rede municipal de Diadema, deixou as bonecas apenas para enfeitar o seu quarto. Na hora da diversão, a garota não esconde sua preferência pelos jogos de videogame e os desenhos animados. Mas a menina respeita os limites e as regras impostas pelos pais. "Acho muito importante a educação que tenho e tento colocar em prática. Sou vaidosa e gosto de comprar roupas e sapatos que combinem, mas quando peço e meus pais dizem ‘não', sei respeitar", explica.

Moradora do bairro Eldorado, a menina diz que ainda não pensa na chegada da adolescência e deixa claro que quer curtir a boa fase de criança ao lado da família e do cachorro de estimação, Tomás. Mas Jéssica deixa um pedido: "Gostaria de uma praça com brinquedos para as crianças do bairro."

Regina Maria adora fazer várias atividades no dia
A paixão por sapatos, tiaras de cabelo e pela aula de ginástica, uma de suas atividades diárias, além da escola, encantam a pequena Regina Maria Barbosa Gigliotti, 7 anos.

Aluna de uma escola particular de Santo André, a extrovertida Regina Maria fala sem nenhuma timidez de suas melhores amigas e da tabela de tarefas feita pela mãe, Denise Cristina Gigliotti, para seguir quando chega em casa. "Lavo as mãos, almoço e faço a lição de casa. Depois, brinco com meu irmão e, à noite, com meu pai, quando ele chega do trabalho", disse a garota.

"As crianças de hoje têm acesso a muitas informações e nós pais temos que saber lidar com isso para dosar o que eles podem ou não fazer", disse o pai, o engenheiro Renato Gigliotti, 45.

Mesmo com seu laptop no quarto, Regina Maria ainda prefere brincar com as bonecas e jogar damas com o pai.

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