Economia Titulo
Construção se destaca na Bolsa
Cibele Gandolpho
Especial para o Diário
26/12/2009 | 07:04
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O ano de 2009 saiu melhor que a encomenda para o mercado de ações. Após amargar a pior crise desde 1929, a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) engatou curva de crescimento a partir de janeiro e chega ao fim do ano com em torno de 80% de alta no período (cerca de 68,5 mil pontos). Essa valorização pode ser comparada ao fechamento de 2003, quando a Bolsa encerrou o ano com 97,34%. Entre os melhores papéis do ano estão os ligados à construção civil, cujas ações estão, em média, acima dos 200% de lucro neste ano.

É o caso da Tenda, que teve até 20 de dezembro 364,7% de rentabilidade, da Rossi (285,6%), da Gafisa (236,3%), da Tecnisa (213,5%), entre outras.

No entanto, os índices ainda são bem maiores para outras empresas, como a Agrenco ON, que já acumulava 968,2% até o dia 20, seguida pela LLX ON (482,8%), Triunfo Part ON (469,3%), entre outras. Segundo a Economática, 197 ações tinham, até dia 20, rentabilidade superior a 100%. Esses números podem ser ainda maiores até o dia 30. Outras 333 ações apresentavam alta de 0,1% a 99,6%. E 132 ficaram com fechamento negativo. Entre as piores do ano, encabeçam a lista a TEC Blumenau PNC, com perdas de -69,9%, a Americel ON (67,1%) e a Battistella ON (61,1%).

Os analistas preveem que a notável recuperação econômica no Brasil em meio à crise mundial manterá o apetite dos investidores por ativos de mercados emergentes em 2010. Para o analista financeiro José Brás Lopes Junior, da BJ Investimentos, há dois setores que devem ficar aquecidos em 2010: o de commodities, que tem crescimento ligado ao mercado de exportação, e o que tem operações voltadas ao mercado interno. "Entre as exportadoras, destacam-se Vale, Gerdau e CSN. Já no mercado interno, podemos dizer que as boas apostas são Americanas, Positivo, Pão de Açúcar e Guararapes", ressalta.

As empresas de tecnologia também têm boas expectativas para o próximo ano. Entretanto, as altas não devem ser tão significativas como em 2009, e o setor deve seguir em linha com os demais. "A tendência é que muitos investidores busquem ações de segunda linha no ano que vem, cenário que favorece o setor de tecnologia", explica o analista Maurício Trevisan.

Até o dia 15, enquanto o Ibovespa teve alta de 84,58%, as ações da Positivo Informática registraram ganhos de 217% e as da Totvs, 219,61%.

BLUE CHIPS

Apesar de apresentarem índices menores do que as dez mais do ano, as blue-chips (também chamadas de ações de primeira linha, ou seja, aquelas de empresas de grande porte, de alcance nacional e internacional) Vale e Petrobras continuaram sendo em 2009 as mais negociadas na Bovespa.

A Petrobras PN detém 14,6% dos negócios fechados, e a Vale PNA, 12,6% do total. Abaixo delas, vêm as instituições financeiras, a Gerdau, a Usiminas, a Redecard, a Visanet, a Cemig, a Ambev, entre outras.

"Acredito que o quadro eleitoral não trará novidades para o mercado acionário em 2010. Deve ser um ano bom para a Bovespa com mais ofertas de ações, já que a economia segue firme", diz Trevisan.

INVESTIMENTO - Atualmente, não existe um valor mínimo para começar a investir diretamente em ações, mas os analistas recomendam que o investidor aplique, pelo menos, R$ 3.000, para compensar as taxas de corretagem e de custódia das corretoras de valores.

Mercado deve seguir em alta em 2010

Da Agência Brasil

Economistas ouvidos pela reportagem apostam em aumento do valor das principais ações negociadas na Bovespa em 2010. Para eles, o desempenho da Bolsa em 2009, com suas principais ações valorizadas, na média, em aproximadamente 80%, não se repetirá, mas deverá haver um crescimento moderado.

"Esses 80% não foram, a rigor, uma valorização", disse o professor Keyler Carvalho Rocha, da Faculdade de Administração e Economia da USP (Universidade de São Paulo). Segundo ele, isso foi a recuperação da queda que havia ocorrido. "A Bolsa tinha chegado a 73 mil pontos, caiu para 29 mil, e depois se recuperou. Está agora em 67 mil, aproximadamente. Ela nem chegou ao patamar em que estava", afirmou.

Rocha ressaltou que o crescimento não deverá chegar a 80%, como neste ano, em que houve recuperação. "(A Bovespa) vai crescer em um patamar mais moderado, mas muito positivo de, digamos, uns 20%. Ou até um pouco mais", completou.

Segundo o professor, pode-se esperar melhor desempenho das ações de empresas voltadas para o mercado interno ante as corporações que têm maior dependência do mercado externo, onde a crise financeira ainda traz alguma insegurança. Na sua avaliação, o câmbio também vai prejudicar a performance (das empresas exportadoras).

A professora de Análise Econômica da Escola de Administração de Empresas da FGV (Fundação Getulio Vargas) Celina Ramalho destacou, no entanto, que mesmo ações de algumas companhias exportadoras poderão ter bom desempenho na Bolsa. "Várias empresas brasileiras voltadas para o mercado externo apresentam uma posição interessante. A Alpargatas, que exporta as (sandálias) Havaianas, por exemplo. Na crise, as ações da Natura (empresa do ramo de cosméticos) decolavam. Não há uma regra", disse.




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