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Inflação = ficando mais pobres...


Anderson Campos
Professor da Universidade Metodista de São Paulo

06/02/2016 | 07:20


Em economia, atribui-se basicamente o aumento de preços a três causas: 1 – procura maior por produtos ou serviços do que a oferta dos mesmos; 2 – aumento de custos de produção que não é assimilado pelo produtor; 3 – os dois fatores anteriores conjuntos.

O primeiro tipo é denominado de inflação de demanda. Sempre que há um desequilíbrio entre oferta e demanda de produtos e serviços, os preços sobem ou descem. Por exemplo, o preço do tomate na feira livre. Quando há safra muito boa, o preço cai. O oposto também é verdadeiro: quando há quebra de safra por razões climáticas, o preço sobe. Por outro lado, se houver aumento no custo dos fertilizantes, pesticidas, mão de obra etc., o produtor tentará repassar esse aumento de custos para o preço final. Isso é a inflação de oferta.

Do nosso ponto de vista (consumidores finais) não faz muita diferença: aumento de preço significa que podemos comprar menos com a mesma renda disponível; por exemplo, o salário. Para tentar medir essa perda de poder de compra, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) criou cesta de consumo típica de família brasileira que possui renda entre um e 40 salários mínimos. Significa que o instituto analisou o que e quanto essas famílias gastam em média, e monitora os preços destes produtos e serviços. O impacto das variações de preço é captado pelo IPCA (Índice de Preço ao Consumidor Amplo), que é o índice oficial da inflação no Brasil.

Quando a inflação aumenta muito rápido, a sensação do seu impacto é mais perceptível. A inflação avaliada pelo IPCA dos últimos dez anos (2005 a 2015) foi de 87,3%. Isso significa que, em média, o que custava R$ 100, custa agora R$ 187,30. Mas algumas coisas subiram muito mais; por exemplo, a inflação de alimentos e bebidas foi de 123,7% na última década. Vale lembrar que a inflação efetiva sentida por cada um é diferente porque depende do nosso padrão de consumo, que nunca é exatamente igual à cesta padrão do IBGE.

De modo geral, a defesa imediata contra a inflação é a alteração do nosso padrão de consumo por meio da substituição de produtos e serviços. Essa estratégia é mais difícil para pessoas de baixa renda porque há um limite: depois da substituição por produtos e serviços mais baratos, a única opção é deixar de consumir. Esse segmento da população também já consome poucos itens supérfluos.

Assim, não podemos ser tolerantes com a inflação e devemos exigir que o governo também não o seja, porque ela é perversa, é difícil de se proteger dos seus efeitos e todos ficamos mais pobres... 



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Inflação = ficando mais pobres...

Anderson Campos
Professor da Universidade Metodista de São Paulo

06/02/2016 | 07:20


Em economia, atribui-se basicamente o aumento de preços a três causas: 1 – procura maior por produtos ou serviços do que a oferta dos mesmos; 2 – aumento de custos de produção que não é assimilado pelo produtor; 3 – os dois fatores anteriores conjuntos.

O primeiro tipo é denominado de inflação de demanda. Sempre que há um desequilíbrio entre oferta e demanda de produtos e serviços, os preços sobem ou descem. Por exemplo, o preço do tomate na feira livre. Quando há safra muito boa, o preço cai. O oposto também é verdadeiro: quando há quebra de safra por razões climáticas, o preço sobe. Por outro lado, se houver aumento no custo dos fertilizantes, pesticidas, mão de obra etc., o produtor tentará repassar esse aumento de custos para o preço final. Isso é a inflação de oferta.

Do nosso ponto de vista (consumidores finais) não faz muita diferença: aumento de preço significa que podemos comprar menos com a mesma renda disponível; por exemplo, o salário. Para tentar medir essa perda de poder de compra, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) criou cesta de consumo típica de família brasileira que possui renda entre um e 40 salários mínimos. Significa que o instituto analisou o que e quanto essas famílias gastam em média, e monitora os preços destes produtos e serviços. O impacto das variações de preço é captado pelo IPCA (Índice de Preço ao Consumidor Amplo), que é o índice oficial da inflação no Brasil.

Quando a inflação aumenta muito rápido, a sensação do seu impacto é mais perceptível. A inflação avaliada pelo IPCA dos últimos dez anos (2005 a 2015) foi de 87,3%. Isso significa que, em média, o que custava R$ 100, custa agora R$ 187,30. Mas algumas coisas subiram muito mais; por exemplo, a inflação de alimentos e bebidas foi de 123,7% na última década. Vale lembrar que a inflação efetiva sentida por cada um é diferente porque depende do nosso padrão de consumo, que nunca é exatamente igual à cesta padrão do IBGE.

De modo geral, a defesa imediata contra a inflação é a alteração do nosso padrão de consumo por meio da substituição de produtos e serviços. Essa estratégia é mais difícil para pessoas de baixa renda porque há um limite: depois da substituição por produtos e serviços mais baratos, a única opção é deixar de consumir. Esse segmento da população também já consome poucos itens supérfluos.

Assim, não podemos ser tolerantes com a inflação e devemos exigir que o governo também não o seja, porque ela é perversa, é difícil de se proteger dos seus efeitos e todos ficamos mais pobres... 

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