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Como queimar a energia dos filhos nessas férias


Artur Rodrigues
Especial para o Diário

05/12/2004 | 13:26


Dezembro. Acabam as aulas, mas o pique da criançada continua o mesmo. Resta aos pais a difícil tarefa de achar opções para preencher o tempo extra na agenda dos filhos. Centros culturais, prefeituras e clubes já se adiantaram e fizeram uma programação voltada especialmente para essa época do ano. Há ainda os parques e shoppings, receitas fáceis e tradicionais para entreter as crianças, mesmo que não tenha sido programada qualquer atividade específica no local.

A dona de casa Rosana Chagas Raddi, 41 anos, é uma das adeptas dos espaços abertos em parques e outros equipamentos públicos para fazer com que o filho Bruno, 4, queime o excesso de energia que tem. Bruno entra em férias escolares neste mês. "É bom sair um pouco de casa, porque depois do passeio ele fica bem mais calmo. Bruno é uma criança bastante agitada."

A receita também seria perfeita para o químico Álvaro Perez, 40 anos, pai do menino Arthur, 4, se não fosse por um pequeno detalhe. "Ele entra em férias, mas eu não. Então, é raro o dia em que posso trazê-lo para locais como esse (no caso, o Espaço Verde Chico Mendes, em São Caetano)."

Para gente como o químico Álvaro Perez, que não tem muito tempo de sobra para dar atenção ao filho, o Sesc (Serviço Social do Comércio) de Santo André bolou para este mês uma programação totalmente voltada à criança. É o Dezembro de Férias. As crianças passam a tarde no clube brincando e participando de jogos e atividades esportivas. A tática pode fazer com que as crianças, no fim da tarde, voltem calminhas para casa. "As atividades no Sesc são muito boas. Fico sossegado em deixar meu filho lá. Só no fim da tarde volto para buscá-lo", comenta Perez.

Teen – Para os adolescentes e pré-adolescentes, os jogos eletrônicos nos shoppings centers e nas lan houses são uma boa opção. Douglas Pereira, 11 anos, é aficionado por videogames, computadores e qualquer coisa que "liga na tomada", segundo a própria mãe do garoto, a auxiliar de enfermagem Adriana Pereira, 30. "Se ele sempre procura um jeito de permanecer na lan house durante o período de aula, imagina agora, que as férias começam", diz a auxiliar de enfermagem.

O aposentado Agenor Silvestre, 62 anos, que passeava com o neto, Rodrigo, 7, em um shopping de Santo André, afirma com saudade que, na época em que era criança, o que fazia para se divertir era bem mais simples. Segundo ele, a única programação prévia que havia era o assovio dos colegas no portão de casa. "Aí eu saia para a rua e só voltava no fim da tarde, todo sujo e morto de cansaço", conta, saudosista.

Para conforto do aposentado, brincadeiras como empinar pipa, rodar pião e jogar bola na rua com os colegas também serão lembranças da infância de gente bem mais nova do que ele. Felipe Fiorine, 13 anos, que caminhava pelos corredores do mesmo shopping que o aposentado Silvestre, conta que não pensa duas vezes em trocar o joystick de seu videogame ou qualquer outra emoção virtual proporcionada pelos jogos eletrônicos em lan houses pela boa e velha brincadeira de empinar pipa. "Tenho que aproveitar esta época para soltar pipa. Mais videogame, pião, computador... não importa. O importante é aproveitar o tempo livre, pois no ano que vem o ‘bicho pega’ de novo na escola", diz o adolescente.



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