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Santo André lidera qualidade de atendimento de saúde na região


Daniel Lima
Do Diário do Grande ABC

01/03/2005 | 13:25


Santo André e São Caetano são extremos na qualidade de atendimento à população em postos de saúde no Grande ABC. O resultado faz parte de ampla pesquisa do Instituto Brasmarket, contratado pelo Diário. Foram ouvidos 1.111 moradores dos sete municípios da região. A margem de erro é de 3 pontos percentuais para cima ou para baixo. Santo André alcançou a melhor média entre os entrevistados: foram 62,3% de aprovação, contra apenas 20,9% de São Caetano. Nenhum dos demais municípios conseguiu chegar a 50% de avaliação positiva: São Bernardo atingiu 44,7%, Diadema 29,2%, Mauá 35,6% e Ribeirão Pires 33,7%. A amostragem em Rio Grande da Serra não permite precisão dos índices.

O maior índice de reprovação foi registrado por São Caetano com 56,4% de apontamentos, contra 51,4% de Diadema, 42,9% de Ribeirão Pires, 39,0% de São Bernardo, 26,9% de Mauá e apenas 12,3% de Santo André.

No conjunto, a população do Grande ABC que aprova o atendimento em postos de saúde públicos chegou a 42,1%, enquanto 34,7% optaram pela reprovação e 16,4% pelo conceito de regular. Os números acabam por justificar uma pesquisa anterior do Instituto Brasmarket, divulgada há três semanas pelo Diário: exceto em São Bernardo, onde prevalece a inquietação com o desemprego, a saúde é o maior drama da população. Saúde, desemprego e segurança pública representam em média 61% das maiores demandas da sociedade regional.

A pergunta formulada pelos entrevistadores do Instituto Brasmarket apresentou o seguinte enunciado:

l Até onde sabe ou ouviu falar, a qualidade do atendimento dado à população pelos recepcionistas, atendentes, médicos e enfermeiros nos postos de saúde daqui, na sua cidade, é ótima, boa, regular, ruim ou péssima?

Presidente do Instituto Brasmarket, Ronald Kuntz explica que a qualidade do atendimento dado aos usuários nos postos de saúde municipais do Grande ABC foi positiva em Santo André, São Bernardo e Mauá. “Nas demais cidades, a reprovação superou a aprovação. A maior aprovação e a menor reprovação foram constatadas em Santo André, onde para cada insatisfeito existem cinco satisfeitos. A segunda menor reprovação foi verificada na pobre Mauá, onde 25% da população consideram a qualidade do atendimento recebido como sendo regular”.

Investimentos – Os sete municípios do Grande ABC aplicaram em 2003 o total de R$ 508,6 milhões nas respectivas secretarias de Saúde, segundo dados oficiais do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo. Os números do ano passado só serão conhecidos em julho próximo. A relação entre receita arrecadada e recursos investidos na área de saúde em 2003 é francamente desfavorável a São Caetano, que apresenta o menor índice: foram apenas 15,1%, já que do orçamento geral de R$ 259,8 milhões investiu apenas R$ 39,2 milhões na atividade.

Ex-secretário de Saúde e atual prefeito de São Caetano, José Auricchio Júnior decidiu alçar a área entre as três prioridades da gestão iniciada em janeiro. A estratégia está fundamentada em pesquisas não divulgadas sobre esse calcanhar-de-aquiles da administração de oito anos incompletos de Luiz Tortorello. Paradoxalmente, o prefeito morto em dezembro do ano passado decidiu indicar o então secretário de Saúde para sucedê-lo no Paço Municipal. A vitória contra três opositores situou-se em zona de dificuldades, já que Auricchio conseguiu apenas 46% dos votos válidos.

Reconhecendo a fragilidade do atendimento público de saúde em São Caetano, José Auricchio Júnior está empenhado em investir mais recursos na área. O prefeito petebista sabe que o nível de exigência da população de uma São Caetano linearmente de classe média elevou-se em intensidade semelhante à fama de campeã nacional de qualidade de vida. Em meados do ano passado, o então prefeito Luiz Tortorello desabafava sobre a avalanche de demandas em saúde, ao lamentar sobrecarga causada pelo empobrecimento da classe média e conseqüente impossibilidade de manutenção de planos de saúde privados.

Estripulias – As estripulias do governo Fernando Henrique Cardoso atingiram indistintamente todos os municípios da região, período no qual foram derretidos 39% da produção industrial. A quebra do universo de planos de saúde corporativos, sustentados pelas empresas, não é fenômeno localizadamente do Grande ABC, mas se acentuou fortemente nas regiões mais industrializadas e, principalmente, onde o peso da descentralização produtiva e das importações se fez mais presente.

Principalmente as médias empresas, que adotaram a concessão de planos de saúde por pressão sindical balizada nas grandes corporações, foram as primeiras a romper convenções trabalhistas. A necessidade de reduzir custos para resistir à globalização, principalmente no setor automotivo, associou-se ao enxugamento dos quadros. Só nos anos 90 o Grande ABC perdeu 100 mil empregos industriais com carteira assinada. Nos últimos 12 meses foram recuperados perto de 17 mil. Muito pouco diante do crescimento da População Economicamente Ativa. Há 230 mil desempregados na região, segundo dados da Fundação Seade, braço estatístico do governo do Estado.

Embora de maneira geral a classe média tenha recorrido cada vez mais aos postos de saúde municipais, em São Caetano os resultados tendem a ser mais comprometedores. A explicação é simples, além do baixo investimento orçamentário da Prefeitura: a demanda da população por qualidade dos serviços públicos é mais uniforme em quantidade e mais incisiva por qualidade. Afinal, proporcionalmente, maior contingente de classe média foi encaminhado ao setor público. O cruzamento de maior demanda da população e escassa oferta de atendimento determinou o comprometimento detectado pelo Instituto Brasmarket.

Terceira idade – Um outro aspecto que ajuda a descomplicar eventuais interpretações enviesadas sobre os números estatísticos de desconforto do atendimento da saúde pública em São Caetano está num dos pontos mais expressivos da identidade coletiva local: há incidência elevadíssima de representantes da terceira idade na grade de distribuição etária. São Caetano e Santos, pela ordem, são os municípios brasileiros com os maiores contingentes de idosos em relação ao conjunto da população. Nenhuma outra faixa etária exige tanta atenção à saúde, sobretudo porque se eleva anualmente a curva de longevidade dos brasileiros. Um problemaço para os sistemas de assistência pública de saúde e de previdência social.

Primeira colocada na pesquisa do Instituto Brasmarket, Santo André apresentou em 2003 números satisfatórios em investimentos na área de saúde. Longe dos apenas 15,1% de São Caetano, Santo André chegou a 26,1%, muito próximo de Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra e de Mauá, e bem acima de São Bernardo. Quem disparou na liderança foi Diadema, com 33,0% de investimentos na área em relação à receita arrecadada.

A correlação de valores investidos em saúde e os respectivos orçamentos não definem, por si sós, a qualificação ou o comprometimento das administrações públicas no setor. Os valores monetários são principalmente um importante referencial. Entretanto, é a forma de aplicação prática dos recursos que sacramenta as diferenças. Entetanto, é oceânica a diferença que envolve Diadema e São Caetano. Por mais que sejam socioeconomicamente diferentes, não há amparo para o fato de Diadema aplicar mais que o dobro de recursos em saúde em relação a São Caetano, sempre se comparando valores relativos à receita arrecadada.


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