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A tradição nordestina nas casas do norte da região

Denis Maciel/DGABC:  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Daniel Tossato
Do Diário OnLine

21/12/2015 | 15:50


“Tradição”. Esta é a palavra que Tarcísio Alves Pereira, 53 anos, utiliza para resumir o que é manter uma casa do norte, comércio especializado em produtos do nordeste. “Tento trazer um pouco de tudo de lá do nordeste. Quero representar bem a região”, diz Alves, natural de Solonópole, no Ceará, e dono da Casa do Norte Fortaleza, que fica em Diadema.

Depois de um período sem conseguir emprego, decidiu que compraria um comércio e não pensou muito quando a oportunidade de adquirir uma casa do norte apareceu. “Faz dois anos que estou com este comércio e já tenho mais de 100 variedades de produtos lá da região”, explicou.

Alves mora há 19 anos em São Bernardo e diz sentir falta de sua cidade e de seu estado. Saudades esta que ele diz amenizar quando está dentro de seu comércio. “Sentimos muita falta de nossa cidade, de nossa gente. É por isso que eu digo que as casas do norte são um pedacinho da nossa terra aqui no estado de São Paulo”. E foi bem nesse momento, quando Alves falava de saudades que seu celular tocou trazendo notícias lá de sua cidade. “Só um minuto, vou ter que atender o telefone. Um amigo meu me liga lá do Ceará.” O papo se estende por mais de 20 minutos. E entre risadas e memórias, há sempre a vontade de retornar. “Quando que tenho tempo, visito sempre meus parentes. Tenho muita saudades da cajuína de lá também”, brinca. A cajuina é uma típica bebida do nordeste, preparada a partir do caju de maneira artesanal.

Quem também nutre uma ligação muito forte com o nordeste é Nelly Rachel Fernandes, 61. Natural de São José do Rio Preto, Nelly trabalhou na grande imprensa brasileira, como jornalista, durante um bom tempo. Nos seus períodos de férias sempre buscava refúgio no nordeste. “Eu gostava muito de ir para Porto de Galinhas, no Pernambuco. Sempre estava por lá”, conta.

A paixão era tanta que Nelly decidiu, há mais ou menos 13 anos, trazer o nordeste para perto e decidiu então abrir a Casa do Norte Dom Pedro, que fica na Vila Luzita, em Santo André.

“O que mais vendo por aqui é rapadura, tapioca e feijão de corda, mas sempre aparecem aqueles que buscam carne seca ou algo mais exótico para matar a saudades de sua região”, diz.

Nelly conta que o movimento caiu muito nos últimos anos, já que há uma concorrência com grandes redes de mercados. “Antes tinha coisa que você só encontrava nas casas do norte, mas agora alguns mercados também separam gôndolas com produtos típicos do nordeste. Fica difícil”, desabafou. “O bacana é que tenho alguns clientes fiéis que sempre passam por aqui para comprar alguma coisa.”

A comerciante conta que uma das dificuldades de se trabalhar com produtos do nordeste é que a clientela é exigente. “Se o cliente é de Alagoas, ele só vai querer a farinha de Alagoas. Se o comprador é do Ceará, ele só vai querer a rapadura daquele estado. A gente até tenta, mas fica difícil trabalhar com todos os produtos de todos os estados”, lamenta.

Leandro Gercino, 54 é um empreendedor quando se trata de produtos voltados aos nordestinos e para quem gosta da cultura daquela região. Hoje ele toca a Casa do Norte Padre Cícero, em São Bernardo, mas também já foi dono da casa de forró Bezerrão que ficava no centro da cidade.

Assim como outros nordestinos que vieram para São Paulo na busca de melhores oportunidades, Gercino chegou em São Bernardo há 35 anos. “Trabalhei muito tempo no setor da indústria, mas sempre tive comércios próprios paralelamente.”

Um fato que chama a atenção é que as casas do norte comercializam somente produtos da região nordeste e foi Gercino que explicou o motivo disso ter acontecido. “Infelizmente, os nordestinos sempre foram alvo de preconceito aqui em terras paulistas. Para eles, quem vinha do nordeste não era nordestino, mas sim nortistas e por esse motivo que estes comércios se chamam casas do norte”, relatou. Porém, Gercino lembra que atualmente as relações entre nordestinos e paulistas estão bem melhores e que há muito respeito para com a cultura regional nordestina.

A Casa Padre Cícero contabiliza uma variedade de mais de 100 produtos. Alguns são conhecidos de todos como a tapioca ou a castanha-de-caju, mas há também produtos mais exóticos como o fumo-de-rolo. “O legal é perceber que estes produtos mais diferentes são procurados por pessoas mais idosas, que é quem carrega as tradições de fato.”

Pegando um pouco de farinha à um cliente e explicando as diferenças entre as cachaças consumidas na região nordeste, Gercino diz o que a casa do norte é mais que apenas um comércio. “É a preservação, a representação de um povo e de uma região riquíssima.”
 



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A tradição nordestina nas casas do norte da região

Daniel Tossato
Do Diário OnLine

21/12/2015 | 15:50


“Tradição”. Esta é a palavra que Tarcísio Alves Pereira, 53 anos, utiliza para resumir o que é manter uma casa do norte, comércio especializado em produtos do nordeste. “Tento trazer um pouco de tudo de lá do nordeste. Quero representar bem a região”, diz Alves, natural de Solonópole, no Ceará, e dono da Casa do Norte Fortaleza, que fica em Diadema.

Depois de um período sem conseguir emprego, decidiu que compraria um comércio e não pensou muito quando a oportunidade de adquirir uma casa do norte apareceu. “Faz dois anos que estou com este comércio e já tenho mais de 100 variedades de produtos lá da região”, explicou.

Alves mora há 19 anos em São Bernardo e diz sentir falta de sua cidade e de seu estado. Saudades esta que ele diz amenizar quando está dentro de seu comércio. “Sentimos muita falta de nossa cidade, de nossa gente. É por isso que eu digo que as casas do norte são um pedacinho da nossa terra aqui no estado de São Paulo”. E foi bem nesse momento, quando Alves falava de saudades que seu celular tocou trazendo notícias lá de sua cidade. “Só um minuto, vou ter que atender o telefone. Um amigo meu me liga lá do Ceará.” O papo se estende por mais de 20 minutos. E entre risadas e memórias, há sempre a vontade de retornar. “Quando que tenho tempo, visito sempre meus parentes. Tenho muita saudades da cajuína de lá também”, brinca. A cajuina é uma típica bebida do nordeste, preparada a partir do caju de maneira artesanal.

Quem também nutre uma ligação muito forte com o nordeste é Nelly Rachel Fernandes, 61. Natural de São José do Rio Preto, Nelly trabalhou na grande imprensa brasileira, como jornalista, durante um bom tempo. Nos seus períodos de férias sempre buscava refúgio no nordeste. “Eu gostava muito de ir para Porto de Galinhas, no Pernambuco. Sempre estava por lá”, conta.

A paixão era tanta que Nelly decidiu, há mais ou menos 13 anos, trazer o nordeste para perto e decidiu então abrir a Casa do Norte Dom Pedro, que fica na Vila Luzita, em Santo André.

“O que mais vendo por aqui é rapadura, tapioca e feijão de corda, mas sempre aparecem aqueles que buscam carne seca ou algo mais exótico para matar a saudades de sua região”, diz.

Nelly conta que o movimento caiu muito nos últimos anos, já que há uma concorrência com grandes redes de mercados. “Antes tinha coisa que você só encontrava nas casas do norte, mas agora alguns mercados também separam gôndolas com produtos típicos do nordeste. Fica difícil”, desabafou. “O bacana é que tenho alguns clientes fiéis que sempre passam por aqui para comprar alguma coisa.”

A comerciante conta que uma das dificuldades de se trabalhar com produtos do nordeste é que a clientela é exigente. “Se o cliente é de Alagoas, ele só vai querer a farinha de Alagoas. Se o comprador é do Ceará, ele só vai querer a rapadura daquele estado. A gente até tenta, mas fica difícil trabalhar com todos os produtos de todos os estados”, lamenta.

Leandro Gercino, 54 é um empreendedor quando se trata de produtos voltados aos nordestinos e para quem gosta da cultura daquela região. Hoje ele toca a Casa do Norte Padre Cícero, em São Bernardo, mas também já foi dono da casa de forró Bezerrão que ficava no centro da cidade.

Assim como outros nordestinos que vieram para São Paulo na busca de melhores oportunidades, Gercino chegou em São Bernardo há 35 anos. “Trabalhei muito tempo no setor da indústria, mas sempre tive comércios próprios paralelamente.”

Um fato que chama a atenção é que as casas do norte comercializam somente produtos da região nordeste e foi Gercino que explicou o motivo disso ter acontecido. “Infelizmente, os nordestinos sempre foram alvo de preconceito aqui em terras paulistas. Para eles, quem vinha do nordeste não era nordestino, mas sim nortistas e por esse motivo que estes comércios se chamam casas do norte”, relatou. Porém, Gercino lembra que atualmente as relações entre nordestinos e paulistas estão bem melhores e que há muito respeito para com a cultura regional nordestina.

A Casa Padre Cícero contabiliza uma variedade de mais de 100 produtos. Alguns são conhecidos de todos como a tapioca ou a castanha-de-caju, mas há também produtos mais exóticos como o fumo-de-rolo. “O legal é perceber que estes produtos mais diferentes são procurados por pessoas mais idosas, que é quem carrega as tradições de fato.”

Pegando um pouco de farinha à um cliente e explicando as diferenças entre as cachaças consumidas na região nordeste, Gercino diz o que a casa do norte é mais que apenas um comércio. “É a preservação, a representação de um povo e de uma região riquíssima.”
 

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