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Desindustrialização e reindustrialização


Sebastián Alejandro Escobar
Professor da Metodista

12/12/2015 | 07:19


A indústria de transformação brasileira sistematicamente, nos últimos anos, tem apresentado perda de participação no produto interno bruto, conhecido pela sigla PIB, que é a geração de riquezas do nosso País.

O mesmo podemos constatar no que diz respeito ao comportamento da produção física da indústria de transformação, que no primeiro trimestre de 2015 apresentou encolhimento de 2,81%. No segundo, nova queda, de 3,04%, e, no terceiro trimestre, redução de 3,24%, conforme o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

No decorrer dos trimestres, observamos que o comportamento de maior redução desde o início do ano se localiza na cadeia automotiva: automóveis, caminhões e ônibus, carrocerias e cabines, autopeças. Esse último desempenho afetou a cadeia metalúrgica, principalmente a siderurgia.

Analogamente, outro grupo de setores em queda praticamente em todos os trimestres é o de bens de capital: equipamentos de uso industrial, na extrativa mineral, na construção e agricultura. Podemos esperar, portanto, uma retração da FBCF (Formação Bruta de Capital Fixo) nesses três trimestres.

Em publicações do Observatório Econômico da Universidade Metodista de São Paulo destaca-se que “o Grande ABC, diante das perspectivas dos cenários nacional e internacional, bem como do comportamento apresentado por alguns indicadores da economia local, deverá fechar o ano de 2015 com retração do PIB”.

Se considerarmos que nossa região é um importante polo industrial, essa situação de retração da economia nacional e local desencadeia efeito “tsunami” para os outros setores, como comércio e serviços, com a consequente queda do emprego e da renda local.

Para alguns economistas, essa conjuntura caracterizaria uma desindustrialização, tanto nacional como local, com tendência a se agravar no médio e longo prazos se não for adotada política industrial que incentive os empresários a investir e inovar em tecnologias, que permitam renovar a estrutura produtiva, tornando-as mais competitivas nos mercados mundiais.

MAIS VELHOS - Em estudo elaborado pelo professor David Kupfer, do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, os bens de capital no Brasil têm uma idade média de 17 anos. Se compararmos a idade média do maquinário na Alemanha, que é de apenas sete anos, verificamos a aguda obsolescência de nossos equipamentos.

Obviamente, o maior incentivo para o empresário investir é uma taxa de retorno satisfatória que lhe proporcione a certeza de que a economia terá comportamento estável e sustentável em médio e longo prazos. Não é fácil quando uma das causas da instabilidade é uma crise política.

Outra causa atribui-se à elevada taxa de juros adotada pelo Copom (Comitê de Política Monetária) para conter a elevação dos preços e a taxa de câmbio valorizada, devido ao aumento das exportações de commodities, dificultando as exportações dos bens industriais e de alto valor tecnológico.

Portanto, em curto prazo, a política macroeconômica deverá ser alterada de tal forma que os juros e o câmbio permitam a retomada, por parte dos empresários, dos investimentos necessários e da inovação produtiva.

No longo prazo, “para reindustrializar o País, teremos de continuar a cuidar da produtividade do lado da oferta; deveremos continuar a dar prioridade à Educação, à ciência e à tecnologia, à melhoria da infraestrutura e ao aperfeiçoamento das instituições”. (Bresser-Pereira: Reindustrialização como projeto nacional, Le Monde Diplomatique Brasil – Outubro de 2015). 



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Desindustrialização e reindustrialização

Sebastián Alejandro Escobar
Professor da Metodista

12/12/2015 | 07:19


A indústria de transformação brasileira sistematicamente, nos últimos anos, tem apresentado perda de participação no produto interno bruto, conhecido pela sigla PIB, que é a geração de riquezas do nosso País.

O mesmo podemos constatar no que diz respeito ao comportamento da produção física da indústria de transformação, que no primeiro trimestre de 2015 apresentou encolhimento de 2,81%. No segundo, nova queda, de 3,04%, e, no terceiro trimestre, redução de 3,24%, conforme o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

No decorrer dos trimestres, observamos que o comportamento de maior redução desde o início do ano se localiza na cadeia automotiva: automóveis, caminhões e ônibus, carrocerias e cabines, autopeças. Esse último desempenho afetou a cadeia metalúrgica, principalmente a siderurgia.

Analogamente, outro grupo de setores em queda praticamente em todos os trimestres é o de bens de capital: equipamentos de uso industrial, na extrativa mineral, na construção e agricultura. Podemos esperar, portanto, uma retração da FBCF (Formação Bruta de Capital Fixo) nesses três trimestres.

Em publicações do Observatório Econômico da Universidade Metodista de São Paulo destaca-se que “o Grande ABC, diante das perspectivas dos cenários nacional e internacional, bem como do comportamento apresentado por alguns indicadores da economia local, deverá fechar o ano de 2015 com retração do PIB”.

Se considerarmos que nossa região é um importante polo industrial, essa situação de retração da economia nacional e local desencadeia efeito “tsunami” para os outros setores, como comércio e serviços, com a consequente queda do emprego e da renda local.

Para alguns economistas, essa conjuntura caracterizaria uma desindustrialização, tanto nacional como local, com tendência a se agravar no médio e longo prazos se não for adotada política industrial que incentive os empresários a investir e inovar em tecnologias, que permitam renovar a estrutura produtiva, tornando-as mais competitivas nos mercados mundiais.

MAIS VELHOS - Em estudo elaborado pelo professor David Kupfer, do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, os bens de capital no Brasil têm uma idade média de 17 anos. Se compararmos a idade média do maquinário na Alemanha, que é de apenas sete anos, verificamos a aguda obsolescência de nossos equipamentos.

Obviamente, o maior incentivo para o empresário investir é uma taxa de retorno satisfatória que lhe proporcione a certeza de que a economia terá comportamento estável e sustentável em médio e longo prazos. Não é fácil quando uma das causas da instabilidade é uma crise política.

Outra causa atribui-se à elevada taxa de juros adotada pelo Copom (Comitê de Política Monetária) para conter a elevação dos preços e a taxa de câmbio valorizada, devido ao aumento das exportações de commodities, dificultando as exportações dos bens industriais e de alto valor tecnológico.

Portanto, em curto prazo, a política macroeconômica deverá ser alterada de tal forma que os juros e o câmbio permitam a retomada, por parte dos empresários, dos investimentos necessários e da inovação produtiva.

No longo prazo, “para reindustrializar o País, teremos de continuar a cuidar da produtividade do lado da oferta; deveremos continuar a dar prioridade à Educação, à ciência e à tecnologia, à melhoria da infraestrutura e ao aperfeiçoamento das instituições”. (Bresser-Pereira: Reindustrialização como projeto nacional, Le Monde Diplomatique Brasil – Outubro de 2015). 

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