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Chata foi a espera; 'Chatô' é legal

Divulgação  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Vinte anos depois de começar a ser feito, longa
sobre magnata das comunicações chega aos cinemas


Evaldo Novelini

08/12/2015 | 07:00


 Imagine a cena: em pleno clímax de Os Dez Mandamentos, no momento em que Moisés abre o Mar Vermelho para que o povo hebreu atravesse-o a pé enxuto rumo à terra prometida, o bispo Edir Macedo, dono da Record, interrompe a novela para, ao vivo e aos gritos, desferir impropérios a adversário de ocasião. Difícil conceber tamanho despautério hoje em dia, mas episódio idêntico ocorreu de fato nos primórdios da TV brasileira, nos anos 1950, e é um dos pontos altos de Chatô – O Rei do Brasil, filme dirigido por Guilherme Fontes e em exibição nos cinemas.

O protagonista do inusitado evento é o advogado, jornalista e empresário paraibano Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Mello (1892–1968), ou simplesmente Chatô, dono da TV Tupi, um dos veículos de grupo de mídia brasileiro, que no auge da existência conglomerou outras 11 estações de televisão, 14 de rádios, quatro revistas e 26 jornais, os Diários Associados. É a história do magnata das comunicações, espécie de Cidadão Kane tupiniquim, que o longa-metragem conta em uma hora e 42 minutos. O filme é muito bom.

Baseado no livro homônimo de Fernando Morais, que se transformou em best seller tão logo foi lançado, em 1994, Chatô ganha personalidade própria em sua transposição ao cinema. Nas telonas, a vida do nordestino que migrou ao Rio de Janeiro, então Capital Federal, para fazer história como um dos mais poderosos e influentes personagens do século 20 ganha tons burlescos e anedóticos. O longa lembra uma chanchada.

Sem linearidade, a trama começa quando Chatô sofre trombose cerebral durante viagem à Inglaterra. Às portas da morte, e visivelmente contrariado, o empresário é convidado a estrelar O Julgamento do Século, programa televisivo, nitidamente inspirado no Cassino do Chacrinha, em que episódios significativos da vida do jornalista são submetidos à opinião de representantes da sociedade, a quem cabe encaminhá-lo ao céu ou ao inferno. A tarefa não é das mais simples. A personalidade de Assis Chateaubriand é complexa, fora do padrão maniqueísta.

Escroque, manipulador, violento e chantagista, capaz de determinar que sua cadeia de jornais publicasse mentiras das mais absurdas sobre qualquer empresário que se negasse a fazer determinado investimento publicitário em seus veículos, Chatô também foi responsável por conduzir campanhas cívicas notáveis, como a de espalhar aeroportos pelo Brasil, integrando o País, e por reunir um dos mais ricos acervos no Masp (Museu de Arte de São Paulo), que ele fundou e equipou junto com o marchand italiano Pietro Maria Bardi (1900-1999). Para enriquecer a coleção de obras de arte, não via nada de mais em achacar os donos do dinheiro. “Vamos cobrar da burguesia o imposto pela ignorância da nossa Pátria”, justificava.

COMÉDIA
O interesse por Chatô não deve ficar restrito aos amantes da história brasileira. Dá para assisti-lo como comédia romântica – embora seja classificado como drama. Interpretado por Marco Ricca, o protagonista vive às turras com o estancieiro e político gaúcho Getúlio Vargas (Paulo Betti), que durante a trama ascende à Presidência da República, com quem disputa o amor da socialite Vivi Sampaio (Andréa Beltrão). O triângulo amoroso norteia o desenrolar do filme e está, inclusive, na origem do fim trágico do chefe do Poder Executivo, que se suicida com tiro no coração.

Após 20 anos de trabalho, o filme teve estreia tímida nas telonas. A produção, que custou cerca de R$ 66 milhões em valores atualizados, foi lançada em 19 de novembro e vista por 11,6 mil pessoas no primeiro fim de semana, segundo o portal FilmeB. A polêmica que acompanhou o desenvolvimento do longa, que incluiu denúncias de mau uso de dinheiro público, não serviu nem mesmo para aumentar o interesse do espectador. É uma pena.

Biografia teve 220 mil cópias vendidas
A chegada de Chatô – O Rei do Brasil aos cinemas reavivou o interesse dos leitores pela obra homônima, escrita pelo jornalista mineiro Fernando Morais. Desde o lançamento, em 1994, já foram comercializadas 220 mil cópias do livro pela Companhia das Letras. A editora aproveita a oportunidade para ampliar os números.

Para celebrar a estreia do filme, a versão impressa da biografia do jornalista e empresário paraibano Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Mello ganhou edição econômica, com preço e tamanho reduzidos. Por R$ 45, é possível ter acesso ao livro de 624 páginas, sem prejuízo do conteúdo, fiel ao volume original – que, com 736, sai por R$ 77.

Ainda relacionado ao filme, a Companhia das Letras realiza no fim de semana promoção no espaço que leva sua assinatura na Livraria Cultura do Conjunto Nacional (Avenida Paulista, 2.073, Bela Vista, Capital). Quem comprar qualquer livro nacional ganha um ingresso para assistir ao longa-metragem no cinema.

GRANDE ABC
A Milocos Entretenimento, empresa criada pelo diretor Guilherme Fontes para cuidar da distribuição do filme Chatô – O Rei do Brasil, informou que, por enquanto, só uma sala exibe o longa nas sete cidades do Grande ABC: o Playarte do Shopping Metrópole (Praça Samuel Sabatini, 200, São Bernardo. Tel.: 5053-6935).

Embora não haja números oficiais, a equipe do Diário constatou baixo interesse do público regional pelo filme. Na sessão de 1º de dezembro, quando a reportagem compareceu ao cinema, a sessão das 12h40 foi exibida para dois espectadores, além do repórter. O ingresso, promocional, custava R$ 9 – metade do preço.

Hoje, o cinema são-bernardense programa apenas uma sessão de Chatô, às 18h35, sala 3, também por R$ 9. Amanhã, local e o horário se mantêm. Na quinta-feira, a grade muda e não é certo que o longa siga em cartaz na região, assim como é possível que as salas sejam ampliadas, segundo a assessoria do filme.



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