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PM exporta modelo de treinamento


Evandro De Marco
Do Diário do Grande ABC

05/09/2010 | 07:08


Um método de treinamento para novos soldados da Polícia Militar criado no Grande ABC poderá ser aplicado na formação de policiais de todo o Estado.

Baseados nas situações reais mais corriqueiras enfrentadas pelos agentes depois de formados, os coordenadores do CTecPol (Centro Técnico de Polícia), de Santo André, elaboraram tarefas a serem cumpridas pelos soldados ainda em formação. Depois de passarem pelo curso de oito meses na Escola Superior de Soldados, em Pirituba, na Zona Norte da Capital, são submetidos a outros quatro meses de especialização.

A turma de 140 novos policiais que seguiu para o CPAM-6 (Comando de Policiamento Metropolitano-6 - responsável pelo policiamento do Grande ABC) teve 25 horas ininterruptas de treinamento que começou às 7h de anteontem em Paranapiacaba. "Primeiro, eles foram cansados fisicamente em uma trilha de quatro horas de duração mata a dentro. Isso serve para que consigam dominar o psicológico a despeito do cansaço do corpo", explica o tenente Roberto Moraes, um dos idealizadores do projeto.

As intruções seguiram durante à noite no Centro de Treinamento Tático dentro da CBC (Companhia Brasileira de Cartuchos), em Ribeirão Pires.

Os soldados participantes do curso de especialização foram divididos em grupos e tiveram pela frente seis situações diferentes de ocorrências comuns ao trabalho dos membros da corporação: invasão de um Centro de Detenção Provisória com presos rebelados, assalto em ônibus com refém, abordagem de motorista transportando drogas, briga de casal e denúncia de pessoa armada em salão de baile.

Nenhum dos policiais em formação sabia a situação que encontraria pela frente, e todos tinham o comportamento analisado pelos instrutores. Ao término de cada ação, ouviam a análise dos especialistas. "Aqui permitimos todas as falhas para que eles não errem quando a situação for real", diz o coronel José Luis Navarro, comandante do CPAM-6.

O tenente Moraes reconhece que o nível de exigência no treinamento é até superior à maioria das ocorrências encontradas no dia a dia dos policiais. "É melhor que eles estejam treinados a mais do que a menos. Porém, ninguém aqui passa por humilhações e é treinado aos berros. Eles têm que aprender as técnicas para aplicá-las sempre que necessário", avisa.

De acordo com Navarro, a Diretoria de Ensino e Cultura da Polícia Militar pediu relatório para analisar e copiar o modelo desenvolvido no Grande ABC e implementá-lo em todos os cursos de especialização de novos soldados do Estado.

Aproximação com realidade é ponto forte da formação

A criação de ambientes hostis e toda a tensão que envolve uma ocorrência policial choca e coloca à prova os postulantes ao cargo de soldado da Polícia Militar. A simulação de um Centro de Detenção Provisória com presos rebelados chega quase à perfeição. Os policiais, munidos apenas de escudo balístico, capacete antitumulto e perneira para proteger do joelho ao pé, precisam empurrar os detentos para as celas.

Do outro lado, figurantes (policiais militares formados) atacam com pedaços de pau, pedras e resistem à investida. Enquanto se dá o embate, instrutores lançam bombas de efeito moral que provocam mais nervosismo entre os novatos. "Assim avaliamos o sentido de grupo deles que devem avançar como um só corpo sobre os rebelados", revela o tenente Everaldo Zuliani, também idealizador do projeto e que passou por esse tipo de treinamento no 3º Batalhão de Choque da Polícia Militar.

Barris em chamas, faixas com inscrições ‘Paz Justiça Liberdade' e ‘1533' - analogia ao PCC (Primeiro Comando da Capital) - e manequins de plástico mutilados, emprestam ainda mais dramaticidade à situação que termina com os detentos encurralados nas celas da prisão montada no local.

Ônibus 174 é exemplo a não ser seguido por novos soldados

A ação desastrosa da Polícia Militar do Rio de Janeiro no sequestro do ônibus da linha 174, que terminou com a morte da passageira Geísa Firmo Gonçalves e do sequestrador Sandro Barbosa do Nascimento, no ano 2000, serve de exemplo a não ser seguido pelos agentes ligados à Segurança Pública. No curso promovido pelo CTecPol (Centro Técnico de Polícia) de Santo André os novos soldados da coporação são colocados frente a frente com a mesma situação.

Na simulação, os recrutas chegam em alta velocidade a bordo de duas viaturas, se deparam com o tumulto e alguns passageiros descendo para fugir - entre eles está um dos bandidos que deve ser identificado e preso. O ladrão que está no ônibus faz seus reféns e ameaça a todos com um facão.

Os instrutores acompanham a condução do diálogo e o controle psicológico dos novatos diante de uma das situações mais complicadas enfrentadas pelos policiais: negociar com o criminoso para libertar as vítimas sem ferimentos e prendê-lo em seguida. "Tem que estar atento aos detalhes e perceber as oportunidade para negociar com o bandido a libertação dos reféns sempre preservando a integridade das vítimas", explica um dos instrutores ao grupo que passou pelo treinamento sem sucesso na solução da ocorrência.

Controle emocional é chave da atividade policial

Durante as atividades propostas no treinamento promovido pelo CTecPol (Centro Técnico de Polícia) de Santo André, mais do que a força física e a perspicácia na solução dos conflitos, os novos soldados testam principalmente o controle emocional e a percepção no atendimento das ocorrêncais simuladas. "Alguns casos são de fácil solução, mas é preciso que eles estejam preparados para prestar atenção no ambiente que estão", explica o tenente Everaldo Zuliani.

Em uma das situações mais corriqueiras - briga entre um casal com o homem embriagado ou drogado - os soldados são analisados pelo controle rápido da situação. "Em um barraco acontece o conflito. Se o policial chega com arma em punho já está errado. Apenas o cacetete já seria o suficiente para separar o casal e, com tranquilidade, resolver a questão", afirma Zuliani.

Em outra simulação, dois policiais abordam um suspeito de tráfico de drogas. Ao encontrarem duas pequenas porções de drogas na carteira do homem, eles dão voz de prisão e terminam o exercício. "Se revistasse melhor o veículo encontrariam dois pacotes de drogas que estão escondidos em pontos estratégicos. Não se pode dar por satisfeito apenas por ter conseguido um motivo para prender o suspeito", conclui o tenente.



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PM exporta modelo de treinamento

Evandro De Marco
Do Diário do Grande ABC

05/09/2010 | 07:08


Um método de treinamento para novos soldados da Polícia Militar criado no Grande ABC poderá ser aplicado na formação de policiais de todo o Estado.

Baseados nas situações reais mais corriqueiras enfrentadas pelos agentes depois de formados, os coordenadores do CTecPol (Centro Técnico de Polícia), de Santo André, elaboraram tarefas a serem cumpridas pelos soldados ainda em formação. Depois de passarem pelo curso de oito meses na Escola Superior de Soldados, em Pirituba, na Zona Norte da Capital, são submetidos a outros quatro meses de especialização.

A turma de 140 novos policiais que seguiu para o CPAM-6 (Comando de Policiamento Metropolitano-6 - responsável pelo policiamento do Grande ABC) teve 25 horas ininterruptas de treinamento que começou às 7h de anteontem em Paranapiacaba. "Primeiro, eles foram cansados fisicamente em uma trilha de quatro horas de duração mata a dentro. Isso serve para que consigam dominar o psicológico a despeito do cansaço do corpo", explica o tenente Roberto Moraes, um dos idealizadores do projeto.

As intruções seguiram durante à noite no Centro de Treinamento Tático dentro da CBC (Companhia Brasileira de Cartuchos), em Ribeirão Pires.

Os soldados participantes do curso de especialização foram divididos em grupos e tiveram pela frente seis situações diferentes de ocorrências comuns ao trabalho dos membros da corporação: invasão de um Centro de Detenção Provisória com presos rebelados, assalto em ônibus com refém, abordagem de motorista transportando drogas, briga de casal e denúncia de pessoa armada em salão de baile.

Nenhum dos policiais em formação sabia a situação que encontraria pela frente, e todos tinham o comportamento analisado pelos instrutores. Ao término de cada ação, ouviam a análise dos especialistas. "Aqui permitimos todas as falhas para que eles não errem quando a situação for real", diz o coronel José Luis Navarro, comandante do CPAM-6.

O tenente Moraes reconhece que o nível de exigência no treinamento é até superior à maioria das ocorrências encontradas no dia a dia dos policiais. "É melhor que eles estejam treinados a mais do que a menos. Porém, ninguém aqui passa por humilhações e é treinado aos berros. Eles têm que aprender as técnicas para aplicá-las sempre que necessário", avisa.

De acordo com Navarro, a Diretoria de Ensino e Cultura da Polícia Militar pediu relatório para analisar e copiar o modelo desenvolvido no Grande ABC e implementá-lo em todos os cursos de especialização de novos soldados do Estado.

Aproximação com realidade é ponto forte da formação

A criação de ambientes hostis e toda a tensão que envolve uma ocorrência policial choca e coloca à prova os postulantes ao cargo de soldado da Polícia Militar. A simulação de um Centro de Detenção Provisória com presos rebelados chega quase à perfeição. Os policiais, munidos apenas de escudo balístico, capacete antitumulto e perneira para proteger do joelho ao pé, precisam empurrar os detentos para as celas.

Do outro lado, figurantes (policiais militares formados) atacam com pedaços de pau, pedras e resistem à investida. Enquanto se dá o embate, instrutores lançam bombas de efeito moral que provocam mais nervosismo entre os novatos. "Assim avaliamos o sentido de grupo deles que devem avançar como um só corpo sobre os rebelados", revela o tenente Everaldo Zuliani, também idealizador do projeto e que passou por esse tipo de treinamento no 3º Batalhão de Choque da Polícia Militar.

Barris em chamas, faixas com inscrições ‘Paz Justiça Liberdade' e ‘1533' - analogia ao PCC (Primeiro Comando da Capital) - e manequins de plástico mutilados, emprestam ainda mais dramaticidade à situação que termina com os detentos encurralados nas celas da prisão montada no local.

Ônibus 174 é exemplo a não ser seguido por novos soldados

A ação desastrosa da Polícia Militar do Rio de Janeiro no sequestro do ônibus da linha 174, que terminou com a morte da passageira Geísa Firmo Gonçalves e do sequestrador Sandro Barbosa do Nascimento, no ano 2000, serve de exemplo a não ser seguido pelos agentes ligados à Segurança Pública. No curso promovido pelo CTecPol (Centro Técnico de Polícia) de Santo André os novos soldados da coporação são colocados frente a frente com a mesma situação.

Na simulação, os recrutas chegam em alta velocidade a bordo de duas viaturas, se deparam com o tumulto e alguns passageiros descendo para fugir - entre eles está um dos bandidos que deve ser identificado e preso. O ladrão que está no ônibus faz seus reféns e ameaça a todos com um facão.

Os instrutores acompanham a condução do diálogo e o controle psicológico dos novatos diante de uma das situações mais complicadas enfrentadas pelos policiais: negociar com o criminoso para libertar as vítimas sem ferimentos e prendê-lo em seguida. "Tem que estar atento aos detalhes e perceber as oportunidade para negociar com o bandido a libertação dos reféns sempre preservando a integridade das vítimas", explica um dos instrutores ao grupo que passou pelo treinamento sem sucesso na solução da ocorrência.

Controle emocional é chave da atividade policial

Durante as atividades propostas no treinamento promovido pelo CTecPol (Centro Técnico de Polícia) de Santo André, mais do que a força física e a perspicácia na solução dos conflitos, os novos soldados testam principalmente o controle emocional e a percepção no atendimento das ocorrêncais simuladas. "Alguns casos são de fácil solução, mas é preciso que eles estejam preparados para prestar atenção no ambiente que estão", explica o tenente Everaldo Zuliani.

Em uma das situações mais corriqueiras - briga entre um casal com o homem embriagado ou drogado - os soldados são analisados pelo controle rápido da situação. "Em um barraco acontece o conflito. Se o policial chega com arma em punho já está errado. Apenas o cacetete já seria o suficiente para separar o casal e, com tranquilidade, resolver a questão", afirma Zuliani.

Em outra simulação, dois policiais abordam um suspeito de tráfico de drogas. Ao encontrarem duas pequenas porções de drogas na carteira do homem, eles dão voz de prisão e terminam o exercício. "Se revistasse melhor o veículo encontrariam dois pacotes de drogas que estão escondidos em pontos estratégicos. Não se pode dar por satisfeito apenas por ter conseguido um motivo para prender o suspeito", conclui o tenente.

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