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América Latina esperava um papa mais 'liberal'


Da AFP

19/04/2005 | 16:34


A América Latina, que abriga mais da metade dos católicos do mundo (49,8%), esperava um papa mais progressista que o eleito nesta terça-feira, o alemão Joseph Ratzinger.

Ao lado de seu antecessor João Paulo II, ele combateu, nesta região de desigualdades gritantes, a ala progressista da Igreja.

Pouco após a eleição de Joseph Ratzinger, o sociólogo Fabian Sanabria, diretor do Instituto colombiano de estudos religiosos, disse que ele vai "dividir a Igreja Católica, em particular na Europa e nos Estados Unidos, onde seu nome é motivo de muitas ressalvas".

Na América Latina, continuou, o nome do cardeal alemão lembra a luta do Vaticano contra a Teologia da Libertação nos anos 1980, quando ele dirigia a poderosa congregação para a doutrina da fé, herdeira da santa inquisição.

Antes da eleição do novo papa, Jeffrey Klaiber, jesuíta americano e professor da Universidade Católica do Peru, achava que para a América Latina "o ideal seria um João XXIII, consciente de que a Igreja tinha perdido contato com o mundo moderno".

Eleito papa em 1958 após a morte de Pio XII, João XXIII causou surpresa convocando em 1962 o concílio ecumênico Vaticano II destinado a adaptar a Igreja aos novos tempos.

Esta idéia foi compartilhada também por diversas autoridades católicas e teólogos brasileiros que consideram que o casamento de padres não é um dogma imutável da Igreja e que o próximo papa poderia mudar esta tradição.

"Uma modernização interna pode dar mais credibilidade e tirar a Igreja da paralisia em que se encontra em certos temas como o papel da mulher", disse o peruano Luis Pasara, especialista em questões religiosas da Universidade de Salamanca (Espanha).

Para este professor, esta recusa em se adaptar aos novos tempos provocou o declínio da Igreja Católica em benefício dos protestantes e dos evangélicos. Entretanto, destaca Fabian Sanabria, "com Ratzinger, será muito difícil esperar a transformação que a Igreja católica precisa".

Num dos maiores bairros de Caracas, Petare, o padre da paróquia Bruno Renault via nesta terça-feira na escolha do cardeal alemão "a vitória da ala conservadora da Igreja".

"Eu sabia que não seria um latino-americano, os europeus transmitem segurança e, no atual quadro de insegurança da Igreja, os cardeais preferiram a segurança", declarou. "Ratzinger foi o homem que reforçou a ortodoxia na Igreja e é difícil esperar moderação de sua parte", concluiu.

Mas há também quem comemore na América Latina a vitória de Ratzinger, que escolheu ser chamado de Bento XVI.

O presidente da Conferência episcopal da Venezuela, monsenhor Baltasar Porras, disse que o novo papa "é um homem muito claro em seu pensamento, um homem de declarações curtas e breves e nós vimos isso logo em seus primeiros cumprimentos". "É um homem de pensamento europeu, um alemão com idéias muito claras", continuou, amenizando as posições conservadoras do cardeal alemão.



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