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A taxa de câmbio e nosso dia a dia


Sandro Renato Maskio*

21/11/2015 | 07:02


O ano de 2015 será marcado pela mudança ocorrida no cenário econômico brasileiro, juntamente com as alterações na condução da política econômica. Em consequência, tem registrado oscilações em diversas variáveis econômicas, a saber, a elevação das taxas de desemprego e da inflação, o aumento dos juros e a valorização do dólar, entre outras.

Vamos falar especificamente sobre a taxa de câmbio e os efeitos no nosso dia a dia. Neste 2015, comparando a taxa de câmbio comercial média mensal, houve desvalorização de mais de 40% do real em relação ao dólar, ao passar de aproximadamente R$ 2,63 por dólar em dezembro de 2014 para cerca de R$ 3,88 em outubro último. Ou seja, para comprar um dólar, ou importar um produto cotado em dólares, os residentes no Brasil terão de gastar mais de 40%.

Num primeiro momento, pensamos no encarecimento das viagens ao Exterior, que se tornaram mais frequentes nos anos anteriores e ampliaram o gasto dos brasileiros lá fora, tendo em vista a combinação do real valorizado com a ampliação da renda.

Entretanto, não é somente este o efeito. Segundo dados da CNI (Confederação Nacional da Indústria), a participação das importações na produção nacional é de aproximadamente 20%. Com isso, todas as cadeias produtivas que utilizam insumos importados terão aumento no custo de produção. Entre os setores produtivos podemos citar automóveis, gasolina, celulares, diversos eletroeletrônicos e informática, entre outros.

Se de um lado a desvalorização do real frente ao dólar estimula os setores exportadores, por tornar o preço dos produtos nacionais mais competitivos em dólar no mercado internacional, de outro amplia o custo das importações, o que encarecerá diversas cadeias produtivas, bem como os investimentos que requerem importação de máquinas e investimentos.

Nos anos anteriores, a taxa de câmbio com o real valorizado contribuiu para reduzir as pressões sobre o nível de preços, juntamente com a subvalorização de preços e tarifas públicas, a exemplo da energia elétrica e o combustível. Isso porque, com o real valorizado, a importação de insumos de produção possibilitava a redução de custos. Entretanto, estas importações concorriam com a produção de similares nacionais, prejudicando o nível de atividade da indústria brasileira.

A valorização do real nos últimos meses tem repercutido no aumento dos custos de produção e deverá promover gradualmente uma substituição de insumos importados por similares nacionais. Entretanto, a retração na atividade econômica do País torna mais difícil a visualização dos efeitos da desvalorização do real sobre a atividade industrial.

É importante observar que a desvalorização do real refletirá negativamente no bolso de todos os cidadãos em diferentes graus, e não exclusivamente no bolso daqueles que compram diretamente produtos e serviços importados. 

Material produzido por Sandro Renato Maskio, coordenador de estudos do Observatório Econômico da Faculdade de Administração e Economia da Metodista.



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A taxa de câmbio e nosso dia a dia

Sandro Renato Maskio*

21/11/2015 | 07:02


O ano de 2015 será marcado pela mudança ocorrida no cenário econômico brasileiro, juntamente com as alterações na condução da política econômica. Em consequência, tem registrado oscilações em diversas variáveis econômicas, a saber, a elevação das taxas de desemprego e da inflação, o aumento dos juros e a valorização do dólar, entre outras.

Vamos falar especificamente sobre a taxa de câmbio e os efeitos no nosso dia a dia. Neste 2015, comparando a taxa de câmbio comercial média mensal, houve desvalorização de mais de 40% do real em relação ao dólar, ao passar de aproximadamente R$ 2,63 por dólar em dezembro de 2014 para cerca de R$ 3,88 em outubro último. Ou seja, para comprar um dólar, ou importar um produto cotado em dólares, os residentes no Brasil terão de gastar mais de 40%.

Num primeiro momento, pensamos no encarecimento das viagens ao Exterior, que se tornaram mais frequentes nos anos anteriores e ampliaram o gasto dos brasileiros lá fora, tendo em vista a combinação do real valorizado com a ampliação da renda.

Entretanto, não é somente este o efeito. Segundo dados da CNI (Confederação Nacional da Indústria), a participação das importações na produção nacional é de aproximadamente 20%. Com isso, todas as cadeias produtivas que utilizam insumos importados terão aumento no custo de produção. Entre os setores produtivos podemos citar automóveis, gasolina, celulares, diversos eletroeletrônicos e informática, entre outros.

Se de um lado a desvalorização do real frente ao dólar estimula os setores exportadores, por tornar o preço dos produtos nacionais mais competitivos em dólar no mercado internacional, de outro amplia o custo das importações, o que encarecerá diversas cadeias produtivas, bem como os investimentos que requerem importação de máquinas e investimentos.

Nos anos anteriores, a taxa de câmbio com o real valorizado contribuiu para reduzir as pressões sobre o nível de preços, juntamente com a subvalorização de preços e tarifas públicas, a exemplo da energia elétrica e o combustível. Isso porque, com o real valorizado, a importação de insumos de produção possibilitava a redução de custos. Entretanto, estas importações concorriam com a produção de similares nacionais, prejudicando o nível de atividade da indústria brasileira.

A valorização do real nos últimos meses tem repercutido no aumento dos custos de produção e deverá promover gradualmente uma substituição de insumos importados por similares nacionais. Entretanto, a retração na atividade econômica do País torna mais difícil a visualização dos efeitos da desvalorização do real sobre a atividade industrial.

É importante observar que a desvalorização do real refletirá negativamente no bolso de todos os cidadãos em diferentes graus, e não exclusivamente no bolso daqueles que compram diretamente produtos e serviços importados. 

Material produzido por Sandro Renato Maskio, coordenador de estudos do Observatório Econômico da Faculdade de Administração e Economia da Metodista.

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