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Entenda os últimos acontecimentos no Egito

Da AFP Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Marcela Munhoz
Do Diário do Grande ABC

20/02/2011 | 07:00


* Consultoria de Gunther Rudzit, coordenador do curso de Relações Internacionais da FAAP (Fundação Armando Álvares Penteado)

As últimas semanas, os noticiários foram invadidos por imagens vindas do Cairo, no Egito. A população - principalmente jovens - saiu às ruas para protestar contra o governo autoritário de Hosni Mubarak, 82 anos, que - após 30 anos no poder - renunciou no dia 11. Foram 18 dias de passeatas por um país mais justo, mas também de violência e censura (houve mortes, restrição ao acesso à internet e ao trabalho da imprensa). O povo não se intimidou, acampou na Praça Tahrir, na capital, e só saiu de lá depois que o ditador, finalmente, caiu. O vice Omar Suleiman foi quem deu a notícia. Mas por que tudo isso?

Hosni Mubarak estava à frente de um governo totalmente controlador, apoiado pelos militares, com a economia em situação péssima, assim como educação e saúde. A população ainda reclamava da falta de liberdade para escolher um representante e da corrupção nas eleições. A bomba já estava para explodir quando um acontecimento na Tunísia, país da região, fez com que os egípcios perdessem a paciência e partissem para a luta.

Mohammed Bouazizi, jovem tunisiano de 26 anos, ateou fogo em si mesmo, no fim de dezembro. Tinha curso superior, mas estava desempregado. Fez isso depois que a polícia confiscou frutas e legumes que vendia na rua para ajudar a família. Houve grande revolta lá e o povo conseguiu derrubar o ditador Ben Ali. O fato, espalhado pela net, serviu de estímulo para deflagrar a revolta no Egito. Desta vez nem o aparato de segurança, que sempre esteve ao lado de Murabak, conseguiu conter os protestos. Não houve só um grupo opositor, mas vários; e eles conseguiram. Algo semelhante ocorre na Argélia, Jordânia e Iêmen, países com economia debilitada e governo autoritário, que continuam em revolta.

Juventude Revolucionária - Os jovens foram os protagonistas deste fato histórico no maior país árabe do planeta. Dos mais de 80 milhões de egípcios, cerca de dois terços têm menos de 30 anos e nasceram quando Mubarak já estava no poder, sem nunca ter conhecido a democracia.

Dessa maioria jovem, 90% estão desempregados e não aguentam mais ver o país se afundando; por isso, organizaram - por meio de redes sociais, como Facebook e Twitter - a revolução iniciada no dia 25 de janeiro. Durante todo confronto, participaram ativamente, inclusive, montando acampamentos na praça principal. Também fizeram questão de alimentar a internet (com ajuda da Google) com informações sobre os confrontos.

Assim como ocorreu no Egito e Tunísia, os jovens fizeram algo semelhante no Brasil em 1992, quando os caras-pintadas (estudantes que saíram às ruas com o rosto pintado) derrubaram o presidente Fernando Collor de Mello, afastando-o da política por oito anos. Para Gunther Rudzit, professor de Relações Internacionais, se o jovem estivesse mais plugado no que está acontecendo com a política brasileira, principalmente com as falhas do Congresso Nacional, voltaria às ruas e conseguiria mudanças. "Se sem a internet já foi possível, imagine agora."

Quais as cenas do próximo capítulo? - Apesar do grande passo dado com a queda do ditador egípcio, o futuro do país é incerto. Há muitos interesses em jogo e o fim do autoritarismo não será fácil. Pelo menos até as eleições presidenciais em setembro, o controle deve ficar nas mãos do Conselho Supremo formado pelas Forças Armadas.

Os militares comandam o Egito desde o golpe militar, em 1952. Não se sabe se os generais - que controlam boa parte da economia - vão abrir mão do poder e encaminhar o país para uma democracia, como aconteceu na Turquia, ou se vão continuar reinando absolutos. E o resultado da eleição será limpo?

Até o grupo Irmandade Muçulmana, que teve voz ativa nos protestos, disse que não há interesse em criar no Egito uma teocracia (governo em que o poder político se fundamenta na religião), como no Irã. Agora é esperar para ver como será o futuro da Terra dos Faraós.



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