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Criança morre em incêndio em favela paulista


Do Diário do Grande ABC

17/01/1999 | 16:50


Fogo e fumaça em dois barracos de madeira e os gritos do bebê Tainá da Costa, de 2 anos e 10 meses, acordaram às 4h30 deste domingo os moradores da Favela do Mangue, na divisa entre o Parque Sao Lucas, na zona leste, e o município de Santo André. Eles conseguiram apagar o fogo, mas nao localizaram Tainá. Ela faria aniversário no dia 19 de março. Foi encontrada pelo Corpo de Bombeiros ao lado da porta do barraco. Carbonizada.

A mae do bebê, a empregada doméstica Roseli da Costa, havia ido a um baile, segundo a maioria dos vizinhos. Deixou Tainá com a adolescente Fabíola Alves de Souza, de 16 anos. A luz - de ligaçao clandestina - teria se apagado. Fabíola contou depois que foi buscar mais uma vela.

Enquanto isso, a primeira, acesa, teria provocado o incêndio. O Corpo de Bombeiros nao sabe qual a causa do acidente, que destruiu dois barracos. Outra moradora sofreu queimaduras leves.

Roseli e Fabíola foram ameaçadas de linchamento pelos vizinhos. A adolescente chegou a levar uns tapas. Ela nao mora na favela, o que deixou os moradores mais revoltados. A mae de Tainá, com medo de voltar para a favela, contou que fugiria para Osasco e, de lá, para o norte. Analfabeta e sem nenhum documento, prestou depoimento no 70º Distrito Policial e foi liberada.

Uma das moradoras da favela, Maria Aparecida da Silva, foi uma das únicas a desafiar a lei do silêncio imposta pelos jovens que trabalhavam na demoliçao do que restou dos barracos. "As chamas logo tomaram conta, só ficou o desespero", descreveu. Ela disse que Tainá era linda e carinhosa. O local em que foi encontrada indica que ela tentou fugir, sem sucesso. "O pessoal daqui nao achou o corpinho dela nao, quem achou foram os bombeiros." O bebê morreu bem ao lado de um córrego, em local marcado pelas enchentes. No mesmo ponto onde, há um ano, houve outro incêndio, sem vítimas.

Segundo policiais da regiao, em um ponto-de-venda de drogas, onde repórteres sao ameaçados simplesmente por estar no local. Segundo Maria Aparecida, em uma "favela esquecida". "Muita fiaçao, muita madeira, só chama coisa ruim", interpreta.



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