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Paciente espera quase 3 anos para fazer teste ergométrico


Marco Borba
Do Diário do Grande ABC

22/12/2005 | 08:55


Após dois anos e dez meses de espera, o eletricista Marco Aurélio Balestero, 40 anos, morador da Vila Real, em Mauá, conseguiu fazer quarta-feira, no Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André, exame ergométrico para saber se tem problema cardíaco. O exame, disse ele, não apontou anormalidade. Balestero culpa o Hospital Nardini, de Mauá, pela demora, já que passou pela primeira consulta médica no local no dia 27 de fevereiro de 2003.

De acordo com a secretária de Saúde de Mauá, Sandra Regina Vieira, o município ainda não oferece o exame e a demora ocorre porque a Prefeitura depende da disponibilização de vagas no Hospital Mário Covas para marcar a data do procedimento. “O Hospital nos manda 25 vagas mensais. Temos hoje uma demanda reprimida de 2.721 exames para serem feitos, daí esse tempo de espera.”

Segundo Sandra Regina, a prioridade no atendimento é para os casos considerados graves. “Se o médico indica urgência, o paciente passa na frente. Não é o caso desse rapaz (Balestero)”. O eletricista contesta. “Como é que definem o que é ou não urgente, se quando a gente passa pelo médico ele apenas coloca o estetoscópio no peito? Se fosse algo grave eu podia ter morrido.”

A Secretaria de Saúde do Estado informou que as 25 vagas são disponibilizadas por meio de um acordo entre o município e o Hospital Mário Covas. Também afirmou que se Mauá tem grande demanda deveria solicitar mais vagas ao Estado. Segundo a secretaria, o governo estadual não é obrigado a oferecer o serviço, já que o exame não é de alta complexidade. Por esse motivo, informou que o Hospital Nardini poderia realizá-lo. A Secretaria de Saúde afirmou ainda que é o município que organiza e dá prioridade no encaminhamento de pacientes que devem fazer exames. São Bernardo, por exemplo, realiza o exame na Clínica Municipal de Especialidades, situada na Vila Duzzi.

“Já que o Estado deu essa abertura, na próxima reunião do Consórcio Intermunicipal, e também com a Diretoria Regional de Saúde, vamos pedir mais vagas para diminuir essa fila de espera”, disse Sandra Regina. A secretária de Saúde de Mauá reconheceu que o município tem condições de oferecer o exame. “Tínhamos um governo provisório. Agora, com a nova administração, isso certamente será avaliado e talvez seja comprado um aparelho”, disse, referindo-se ao fato de Leonel Damos (PV) ter assumido o comando da cidade após 14 meses de disputa na Justiça por causa da impugnação da candidatura de Márcio Chaves (PT). Neste período, Mauá foi comandada interinamente por Diniz Lopes (PL).

O eletricista, que abandonou o cigarro no início deste ano, diz que procurou ajuda médica porque às vezes sente dores no peito. Após a consulta disse ter sido informado que deveria aguardar em casa um comunicado para retornar ao Nardini e retirar a guia de encaminhamento. “Naquela ocasião contestei, mas disseram que não podiam fazer nada. Imaginei que fosse demorar, mas não tanto assim. O importante é que agora já fiz o exame. Vou marcar um retorno ao hospital (Nardini) para levar o resultado.”

De acordo com Balestero, a correspondência para que retornasse ao Hospital Nardini só chegou em sua residência no último dia 9. “Dizia que era para eu retirar a guia até o dia 12 e que faria o exame no dia 21, às 15h.”

Segundo o cardiologista Antonio Tebexreni, do Laboratório Fleury, o paciente que espera mais de dois anos para fazer um exame cardiológico corre riscos. “O que vai indicar se o caso é urgente ou não é o histórico desse paciente. Por isso é importante o diálogo com o médico. Se um paciente diz que sente dores no peito, é fumante ou tem diabetes, e até mesmo se tem casos de problemas cardíacos na família, pode estar na lista de indivíduos com fatores de risco.”



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