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Inflação acumulada no ano atinge maior patamar desde 1996

Anderson Silva 1/9/15 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Em 12 meses, IPCA chegou a 9,93%; aumentos de tarifas de energia, gás de cozinha e combustíveis puxaram elevação nos preços em geral


Fábio Munhoz
Do Diário do Grande ABC

07/11/2015 | 07:17


A inflação acumulada entre janeiro e outubro deste ano chegou a 8,52%, o maior patamar para o período desde 1996. A taxa para o mês passado medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), o indicador oficial do País, foi de 0,82%, 0,28 ponto percentual a mais do que em setembro e 0,4 ponto percentual acima do que o registrado em outubro de 2014. Os dados foram divulgados ontem pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Em 12 meses, o custo de vida no Brasil subiu 9,93% – o maior índice desde 2003, o primeiro ano de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A pressão inflacionária foi puxada pelos grupos de alimentação (0,77%), habitação (0,75%) e, principalmente, transportes (1,72%). O analista socioeconômico do IBGE Jefferson Mariano explica que esse cenário está atrelado aos aumentos em tarifas praticadas pelo governo, como de energia elétrica, gás de cozinha e combustíveis.

Para se ter ideia, em 12 meses, o valor médio da conta de luz no País subiu 52,3%. Já o preço do botijão de gás foi elevado em 22,69%, enquanto os gastos com combustíveis aumentaram 17,64%. Os planos de saúde também ficaram 11,5% mais caros ao longo desse período.

O professor Sérgio Cerqueira, do curso de Administração da FEI (Fundação Educacional Inaciana) atribui essas altas ao ajuste fiscal, tentativa do Planalto de equilibrar as contas públicas por meio da redução de despesas e do incremento de receitas. “Não teve aumento significativo de impostos. O que houve foi a recomposição de tarifas controladas que ficaram represadas por muito tempo”, explica o economista. Em maio do ano passado, o então ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante (hoje na Educação), assumiu, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, que o governo segurava os preços de combustíveis e de energia para evitar pressão inflacionária. “Certamente, de todas as políticas econômicas, essa foi a mais equivocada, pois gerou problemas no caixa das empresas e isso, agora, teve de ser repassado”, acrescenta Cerqueira.

Apesar dos recordes negativos, especialistas já projetam tendência de queda na inflação. “Neste ano, o índice vai estar bem pressionado, dado o ajustamento dos preços monitorados. Porém, no médio prazo, não me preocupa tanto. Todos os indicadores apontam que a inflação deverá começar a embicar para baixo, com a queda na demanda, a diminuição da produção e o aumento do desemprego. Isso tudo, a duras penas, contribui para segurar o índice, que já deve começar a cair nos próximos três meses”, estima o economista André Roncaglia, professor da Fecap (Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado).

Sobre a decisão anunciada no fim de outubro pelo Banco Central de que a taxa básica de juros (Selic) será mantida em 14,25% ao ano – medida adotada para inibir o consumo e, assim, conter a inflação –, Roncaglia afirma que ainda é cedo para que os resultados sejam observados. “Essas políticas (de aumento nos juros) vêm ocorrendo desde 2014 e demoram cerca de 18 meses para surtir os efeitos desejados”, salienta.

O economista Agostinho Celso Pascalicchio, professor da Universidade Mackenzie, segue linha de raciocínio semelhante. “Em termos sazonais, temos a mais forte redução da tendência de inflação desde o primeiro trimestre. Essa desaceleração será consequência da redução na atividade econômica como um todo”, opina. O docente faz previsão ousada: “O IPCA não chegará aos dois dígitos ao fim de 2015. Geralmente, nos últimos meses do ano, há uma aceleração por conta do Natal. Mas, neste ano, os consumidores deverão pisar no freio em relação aos gastos, o que ajuda a conter a pressão.”


Subida do dólar também influencia alta

Além dos aumentos nas tarifas administradas pelo governo, especialistas ouvidos pelo Diário avaliam que a atual situação cambial do País também tem impacto na subida da inflação, tanto no ano quanto no acumulado de 12 meses. Entre novembro do ano passado e o fim de outubro, o dólar teve aumento médio de 50,19%, passando de R$ 2,57 para R$ 3,86. Já o euro ficou 32,6% mais caro no período, fechando o mês a R$ 4,23.

Um dos exemplos em que o câmbio afeta os preços nacionais é observado no grupo da alimentação, como explica o economista Sérgio Cerqueira, professor da FEI (Fundação Educacional Inaciana). “No caso das carnes, tanto de frango quanto a bovina e até a suína, não há impacto direto do dólar sobre os insumos. Entretanto, para o produtor, fica muito mais vantajoso exportar esse alimento, pois o retorno financeiro será muito mais elevado. Então, ocorre a diminuição da oferta no mercado interno, o que gera elevação do preço”, explica. O dólar também impacta no preço de cereais como o trigo, o que incrementa o valor de pães e massas em geral.

No grupo de transportes, o câmbio influencia na cobrança do etanol, que é derivado da cana-de-açúcar. Isso porque, em razão da desvalorização do real, os usineiros passam a exportar açúcar e álcool em detrimento do mercado brasileiro, o que também gera elevação do preço. Além disso, o etanol também ficou mais caro em razão do aumento da procura depois dos reajustes na gasolina. 



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