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Como crescer sem investimento?


Silvia Cristina Okabayashi

24/10/2015 | 07:25


Nesta semana, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, deu declaração afirmando que o País precisa de crescimento já. Mas como crescer se não há investimento? Quando falamos em crescimento econômico, nos referimos ao aumento do produto agregado da economia (PIB), em especial ao aumento da renda per capita. “Do lado da oferta, o crescimento econômico depende da Educação, do desenvolvimento tecnológico e da acumulação de capital em máquinas e processos mais produtivos. Entretanto, na medida em que a oferta não cria automaticamente a demanda, o aproveitamento dos recursos humanos disponíveis depende, do lado da demanda, de diferencial satisfatório para os empresários entre a taxa de lucro esperada e a taxa de juros que, por sua vez, depende principalmente de taxa de juros moderada e de taxa de câmbio competitiva que criem oportunidades de investimento”, já pontuava em 2008 o ex-ministro Luiz Carlos Bresser Pereira.

A acumulação de capital a que se referia Bresser Pereira diz respeito aos investimentos em máquinas, equipamentos, inovação tecnológica etc, ou seja, tudo que possa gerar aumento de produção de bens e serviços. No Brasil, desde a época do milagre econômico (1968-1973) não observamos mais crescimento na acumulação de capital, medida a partir de uma conta chamada formação bruta de capital fixo.

O milagre econômico foi um período da economia brasileira marcado por altas taxas de crescimento do PIB. Nessa época, chegamos a ter variações anuais em torno de 10%, fruto de maciço processo de investimentos ocorrido ao longo do governo JK (1956-1961). Mas, depois desse período, nunca mais foram observados no País momentos marcados por elevados níveis de investimento.

A formação bruta de capital fixo é a medida estatística do investimento físico da economia. Todo progresso econômico está ligado à acumulação e ao emprego eficiente do rendimento e bens de capital que favorecem o trabalho humano e a produtividade da sociedade. Obras de construção civil, infraestrutura pública, máquinas e equipamentos utilizados nos processos de produção são exemplos de bens de capital.

Quando fazemos comparação da formação bruta de capital fixo em relação ao PIB no Brasil, nos deparamos com triste realidade. Cada vez mais esta proporção é menor, ou seja, cada vez mais investimos menos.

Observem alguns dados que justificam a preocupação do ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Mas atentem-se ao fato de estarmos em trajetória de queda de investimentos desde a época do milagre econômico. O que isso quer dizer? Que não favorecemos os investimentos e que, portanto, é quase impossível observarmos crescimento econômico, geração de emprego e renda e consumo na economia.

A reversão desta trajetória não será resolvida no curto prazo. Para isso precisaremos de investimentos públicos que favoreçam os investimentos privados. Como aumentar a produção se não temos como escoá 



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Como crescer sem investimento?

Silvia Cristina Okabayashi

24/10/2015 | 07:25


Nesta semana, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, deu declaração afirmando que o País precisa de crescimento já. Mas como crescer se não há investimento? Quando falamos em crescimento econômico, nos referimos ao aumento do produto agregado da economia (PIB), em especial ao aumento da renda per capita. “Do lado da oferta, o crescimento econômico depende da Educação, do desenvolvimento tecnológico e da acumulação de capital em máquinas e processos mais produtivos. Entretanto, na medida em que a oferta não cria automaticamente a demanda, o aproveitamento dos recursos humanos disponíveis depende, do lado da demanda, de diferencial satisfatório para os empresários entre a taxa de lucro esperada e a taxa de juros que, por sua vez, depende principalmente de taxa de juros moderada e de taxa de câmbio competitiva que criem oportunidades de investimento”, já pontuava em 2008 o ex-ministro Luiz Carlos Bresser Pereira.

A acumulação de capital a que se referia Bresser Pereira diz respeito aos investimentos em máquinas, equipamentos, inovação tecnológica etc, ou seja, tudo que possa gerar aumento de produção de bens e serviços. No Brasil, desde a época do milagre econômico (1968-1973) não observamos mais crescimento na acumulação de capital, medida a partir de uma conta chamada formação bruta de capital fixo.

O milagre econômico foi um período da economia brasileira marcado por altas taxas de crescimento do PIB. Nessa época, chegamos a ter variações anuais em torno de 10%, fruto de maciço processo de investimentos ocorrido ao longo do governo JK (1956-1961). Mas, depois desse período, nunca mais foram observados no País momentos marcados por elevados níveis de investimento.

A formação bruta de capital fixo é a medida estatística do investimento físico da economia. Todo progresso econômico está ligado à acumulação e ao emprego eficiente do rendimento e bens de capital que favorecem o trabalho humano e a produtividade da sociedade. Obras de construção civil, infraestrutura pública, máquinas e equipamentos utilizados nos processos de produção são exemplos de bens de capital.

Quando fazemos comparação da formação bruta de capital fixo em relação ao PIB no Brasil, nos deparamos com triste realidade. Cada vez mais esta proporção é menor, ou seja, cada vez mais investimos menos.

Observem alguns dados que justificam a preocupação do ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Mas atentem-se ao fato de estarmos em trajetória de queda de investimentos desde a época do milagre econômico. O que isso quer dizer? Que não favorecemos os investimentos e que, portanto, é quase impossível observarmos crescimento econômico, geração de emprego e renda e consumo na economia.

A reversão desta trajetória não será resolvida no curto prazo. Para isso precisaremos de investimentos públicos que favoreçam os investimentos privados. Como aumentar a produção se não temos como escoá 

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