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Não há fórmula mágica


Sandro Maskio

26/09/2015 | 07:23


“Não devemos ter ilusão de que há fórmula mágica para crescer.” Essa frase foi dita nesta semana pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Por mais duro que possa ser, reflete uma realidade para a qual muitos não se atentam, ou têm a ilusão de que não é necessário inserir esta variável no equacionamento das condições econômicas e seu planejamento.

O ajuste fiscal promovido pelo governo, e que tem sido tão debatido, reflete esta condição. No plano do orçamento público não podemos imaginar que o governo dispõe de capacidade ilimitada para realizar gastos e atender as demandas sociais e econômicas. Realizar despesas acima da arrecadação só é possível se o País usufruir de excelentes condições de financiamento, com ampla disponibilidade de recursos, juros baixos e prazos longos. O que não é o caso brasileiro, haja vista a recente ampliação da avaliação de risco associado aos títulos da dívida pública brasileira.

Em curto prazo, o desequilíbrio orçamentário requer ampliação da receita e redução das despesas. O custo da não correção deste desequilíbrio poderá ser refletido na ampliação da dívida pública, na elevação da taxa de juros, na redução da confiança dos empresários e investidores e consequente redução dos investimentos e suas consequências. A simples desconfiança sobre a capacidade de realização do ajuste fiscal já tem gerado os efeitos pontuados acima na economia brasileira.

A retomada do crescimento requer maior confiança sobre o ambiente econômico brasileiro e suas projeções de crescimento e estabilidade a médio e longo prazos. É natural que o setor privado retraia investimentos e operações diante de baixa expectativa de rentabilidade.

Em recente pesquisa da Fundação Getulio Vargas, o Índice de Confiança da Indústria foi apontado como o menor em 20 anos. Para a melhoria desse indicador, é inevitável melhorar a sustentabilidade das condições macroeconômicas, como deficit público, inflação, contas externas, nível de emprego e renda, cuja importância era reconhecida e divulgada pelo próprio governo há poucos anos, incluindo a classificação de risco realizada pelas agências internacionais.

Como toda crise, esta também passará, e o setor externo deve ser uma das portas de alívio, com o real desvalorizado e estimulando as exportações brasileiras. Se no curto prazo não há remédios suaves para aliviar novas tensões, a médio e longo prazos é fundamental adotar políticas ativas voltadas ao desenvolvimento produtivo, para o qual é necessário superar um dos maiores desafios da economia brasileira: ampliar a taxa de investimento.

Não há mágica para solucionar os desafios econômicos. Como disse um dos maiores economistas do século 20, John Keynes, “a economia é um tema difícil e técnico, mas ninguém quer acreditar nisso”.
 



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Não há fórmula mágica

Sandro Maskio

26/09/2015 | 07:23


“Não devemos ter ilusão de que há fórmula mágica para crescer.” Essa frase foi dita nesta semana pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Por mais duro que possa ser, reflete uma realidade para a qual muitos não se atentam, ou têm a ilusão de que não é necessário inserir esta variável no equacionamento das condições econômicas e seu planejamento.

O ajuste fiscal promovido pelo governo, e que tem sido tão debatido, reflete esta condição. No plano do orçamento público não podemos imaginar que o governo dispõe de capacidade ilimitada para realizar gastos e atender as demandas sociais e econômicas. Realizar despesas acima da arrecadação só é possível se o País usufruir de excelentes condições de financiamento, com ampla disponibilidade de recursos, juros baixos e prazos longos. O que não é o caso brasileiro, haja vista a recente ampliação da avaliação de risco associado aos títulos da dívida pública brasileira.

Em curto prazo, o desequilíbrio orçamentário requer ampliação da receita e redução das despesas. O custo da não correção deste desequilíbrio poderá ser refletido na ampliação da dívida pública, na elevação da taxa de juros, na redução da confiança dos empresários e investidores e consequente redução dos investimentos e suas consequências. A simples desconfiança sobre a capacidade de realização do ajuste fiscal já tem gerado os efeitos pontuados acima na economia brasileira.

A retomada do crescimento requer maior confiança sobre o ambiente econômico brasileiro e suas projeções de crescimento e estabilidade a médio e longo prazos. É natural que o setor privado retraia investimentos e operações diante de baixa expectativa de rentabilidade.

Em recente pesquisa da Fundação Getulio Vargas, o Índice de Confiança da Indústria foi apontado como o menor em 20 anos. Para a melhoria desse indicador, é inevitável melhorar a sustentabilidade das condições macroeconômicas, como deficit público, inflação, contas externas, nível de emprego e renda, cuja importância era reconhecida e divulgada pelo próprio governo há poucos anos, incluindo a classificação de risco realizada pelas agências internacionais.

Como toda crise, esta também passará, e o setor externo deve ser uma das portas de alívio, com o real desvalorizado e estimulando as exportações brasileiras. Se no curto prazo não há remédios suaves para aliviar novas tensões, a médio e longo prazos é fundamental adotar políticas ativas voltadas ao desenvolvimento produtivo, para o qual é necessário superar um dos maiores desafios da economia brasileira: ampliar a taxa de investimento.

Não há mágica para solucionar os desafios econômicos. Como disse um dos maiores economistas do século 20, John Keynes, “a economia é um tema difícil e técnico, mas ninguém quer acreditar nisso”.
 

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