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Vila São Pedro guarda as raízes da Capoeira Angola

Denis Maciel/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Em Santo André, valores da luta são preservados em associação que está presente em mais de 18 países há 21 anos


Daniel Macário
Do Diário do Grande ABC

12/09/2015 | 07:00


Se tem algo que poderia descrever claramente a Vila São Pedro, em Santo André, com certeza seria a preservação de raízes. O pequeno bairro localizado no 2ª Subdistrito do município – que é formado por aproximadamente dez ruas – mantém em cada esquina a sua essência, apesar das mudanças que aconteceram ao longo dos anos.

Numa delas, em especial, está um espaço que guarda os valores da ancestralidade, conceito primordial para a cultura da Capoeira Angola. Desde 2012, o professor de Educação Física Womualy Gonzaga dos Santos, 33 anos, busca apresentar para a comunidade local a proposta e valores da luta, que surgiu na época da escravidão.

“A Capoeira Angola tem como objetivo preservar nossos ancestrais que lutavam como forma de fortalecimento do grupo contra o sistema”, relata Santos.

Presente em todos os continentes por meio de núcleos instalados em 18 países, a Fica-SP (Fundação Internacional de Capoeira Angola) é o local que abriga toda história da luta. E é dentro de uma sala na UFABC (Universidade Federal do ABC) que a entidade preserva suas raízes na Vila São Pedro.

Após ter em 1996 seu primeiro contato com o movimento, Santos é hoje o responsável pela entidade no Estado de São Paulo. Para ele, muito mais do que se ater às raízes, a Capoeira Angola é vista como uma forma de identidade de grupo. “Além de levar o entendimento do conceito de ancestralidade, a capoeira é um caráter de luta contra o poder e a forma de expressão dos oprimidos. A vivência dessa forma de pensar não é tratada apenas como arte, luta, dança ou movimento, mas sim tudo isso em conjunto com a história de nosso grupo.”

De acordo com Santos, o movimento busca equilibrar três lados de cada integrante da Capoeira Angola. “Os pilares são o físico, mental e espiritual.”

Apesar de o movimento sofrer ao longo dos anos com a repressão por parte da sociedade, a Capoeira Angola tem sido, para muitos frequentadores, uma forma de reflexão de valores. “Uma das coisas primordiais que levamos aos nossos integrantes é que devemos construir uma comunidade. Dentro dela todos têm seus deveres e obrigações. Aqui é criada uma identidade de grupo, onde todos sabemos que os mais velhos do movimento sempre têm algo para ensinar aos mais novos.”

Mais do que levar as pessoas de volta para suas origens, o movimento é responsável por projetos sociais na região. “Fizemos um trabalho bem bacana com as crianças do Parque Jaçatuba.”

A fundação, que atualmente atende 30 pessoas, é aberta para qualquer pessoa.

Educação inspira sonhos de moradora

“A Educação é o único fazer capaz de promover o desenvolvimento humano.” É com esse pensamento e filosofia de vida que a diretora de instituição de ensino Vania Regina Rodrigues Galazo, 58 anos, tornou-se ao longo dos anos inspiração para crianças e adolescentes da Vila São Pedro, em Santo André.

A educadora, que morou boa parte de sua vida no bairro, busca hoje levar aos mais jovens um pouco da paixão que lhe serviu como energia ao longo dos anos. “Sempre acreditei que a Educação transforma o ser humano. Trabalho diariamente para levar essa lição para todos.”

Seu amor pela Educação surgiu ainda na infância. “Quando criança tinha um carinho enorme pelos meus professores. Não satisfeita em fazer faculdade e me tornar professora, decidi abrir em uma casa alugada uma instituição de ensino aqui na Vila São Pedro, onde sempre vivi.”

Após concretizar o sonho, em 1978, Vania viu com o passar do tempo seu afeto pela Educação tomar conta das pequenas ruas do bairro. A Vila São Pedro, que durante muitos anos foi sede de empresas como Rhodia e Otis, vê hoje sua área ser ocupada quase que totalmente por instituições de ensino e jovens estudantes.

“Depois da chegada da UFABC (Universidade Federal do ABC) aqui ao lado, no bairro Bangu, a Vila São Pedro respira Educação”, relata.

Como forma de incentivo para seu grupo de alunos, a diretora criou, desde o lançamento da pedra fundamental da universidade, álbum com todas as notícias sobre a instituição. “Foi uma forma que encontramos de inspirar os estudantes para dar sequência aos estudos depois da formação básica. Queremos que, ao término desse ciclo, eles atravessem a rua e continuem essa trajetória.”

Para Vania, o único desejo que fica em seu coração é que todas as crianças e adolescentes vejam na Educação uma ferramenta de transformação. “Só quero que sigam com esse pensamento que sempre tive. A Educação é o caminho para lutar pelos seus direitos.”

Despachante vê crescimento do bairro

Instalado na Rua Paulina Isabel de Queirós desde 1973, o despachante Antonio Eraldo Benedito de Oliveira, 62 anos, acompanhou de perto a evolução da Vila São Pedro. Há mais de quatro décadas na região, o morador afirma que, apesar das mudanças, a essência do bairro ainda permanece presente em cada esquina.

A chegada de Toli, como é conhecido por todos, revela um pouco das primeiras histórias do bairro. O morador, que viveu boa parte da sua infância pelas ruas da região, viu seu patrimônio ser construído nas esquinas da Vila São Pedro.

“Cheguei aqui praticamente junto com os caminhões de mudança da antiga Ciretran (Circunscrição Regional de Trânsito) de Santo André, que era onde hoje fica a universidade. Naquela época muitos serviços da Prefeitura eram aqui. Foi aí que abri meu negócio”, relata.

Para Toli, de lá para cá o bairro passou por muitas fases. “No começo o movimento era muito forte. Tínhamos empresas grandes ao nosso redor. Depois que a universidade chegou, confesso que a situação mudou um pouco. Permaneci por consideração à região e por ter estabelecido o comércio, mas mudanças foram necessárias para me manter com a chegada dos novos tempos.”

Cercado por instituições de ensino e residências estudantis, Toli viu a necessidade de acompanhar a mudança do bairro. “Acabei criando uma república na parte superior do meu comércio. Ao menos isso se adapta à nova realidade da vila.”

Apesar das mudanças, Toli afirma que não pensa em abandonar sua profissão de despachante. “Isso daqui é minha vida. Adoro o bairro que fui criado e permanecerei aqui até quando conseguir.”

Para dar sequência no seu negócio, Toli agora divide suas atividades com seu filho. “O estabelecimento ficou em família. Meu filho Rodrigo também me acompanha nas funções de despachante.” 



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