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Cães comunitários sofrem envenenamento e são vítimas de maus-tratos

Marina Brandão/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

No Jardim Fênix, quatro cachorros tiveram de ser retirados de praça para garantir segurança


Yara Ferraz
do Diário do Grande ABC

08/09/2015 | 07:07


Os quatro cachorros comunitários que moram há 13 anos em praça na Rua Isac Aizemberg, no Jardim Fênix, em São Bernardo, tornaram-se vítimas de maus-tratos nas últimas semanas. Após denúncias de que alguns moradores tinham sido mordidos, os cães foram atacados com pedradas, pauladas e dois deles sofreram envenenamento.

Apesar das denúncias de mordidas, não houve nenhuma reclamação oficial ou apresentação de laudos de mordeduras, de acordo com as protetoras de animais que atuam no caso. “Acompanhamos esses cachorros desde pequenos e sabemos que não são agressivos. Eles estavam sendo agredidos com pedras, um foi esfaqueado, então, começaram a ficar um pouco arredios ao contato humano. Em relação a mordidas, as pessoas não apresentaram nenhum laudo para comprovar”, contou a protetora Paola Ramos da Silva, 33 anos.

Segundo os moradores, os cachorros ficavam em um terreno onde no começo do ano teve início a construção de um prédio residencial. Antes disso, no local funcionava um estacionamento, onde os cachorros nasceram. “Na época tinham vários filhotes e nós cuidamos das doações. Porém, quando o local desocupou, esses quatro ficaram ali e, desde então, a população cuida deles coletivamente” , contou a protetora Mirna Martins, 65.

Diante dos maus-tratos, os quatro cachorros foram levados para um lar temporário por uma das protetoras. O local não foi divulgado por motivo de segurança. Os animais estão bem, apesar de ainda conservarem marcas das agressões.

Os dois cães que foram envenenados foram socorridos às pressas, mas passam bem. Ambos já foram liberados do veterinário.

A equipe do Diário foi até o local e conversou com diversos moradores sobre os cães e a ocorrência de possíveis mordidas. Nenhum deles relatou qualquer tipo de comportamento agressivo ou afirmou ter sido atacado pelos cães. “Na rua temos uma feira toda semana, algo que não poderia acontecer se os animais fossem agressivos. Eles sempre moraram aqui e nunca ofereceram nenhum problema para a comunidade”, disse a dona de casa Ana Carolina Batista do Nascimento, 19.

Porém, quando o questionamento foi em relação a agressões sofridas pelos animais, a resposta é outra. “Já vi gente batendo neles com pedaços de pau e até tive que intervir uma vez. Quando ficam deitados na rua, alguns moradores não tem paciência e os tiram à força”, afirmou a decoradora de festas Eliane Maria dos Santos, 44, que mora em uma casa ao lado da praça desde criança.

Para a operadora de máquina Maria Dias Meireles, 46, que mora no local desde que nasceu, o problema é que os animais começaram a ter medo das pessoas. Segundo ela, isso aconteceu por causa dos maus-tratos.

“Eles gostam bastante de passear à noite, mas nunca os vi avançando em ninguém. Pelo tanto que as pessoas jogaram pedras e pedaços de paus, além desse triste episódio do envenenamento, eles não gostavam de carinho. Mas nunca os vi avançando em ninguém”, declarou.

A lei 12,968 do Estado de São Paulo, criada em 2008, protege o cão comunitário, sendo aquele que estabelece uma relação com os moradores, mesmo que more nas ruas. A legislação impede que esses animais sejam maltratados ou mortos.

A protetora Silvia Kiesi, que já estava procurando um lar para os cães desde o início do ano, achou que a medida ia protegê-los. “É muito difícil encontrar um abrigo para quatro cachorros de porte grande. Como temos essa lei, achava que não devia me preocupar. Um dia vim visitá-los e percebi que um estava passando mal, foi quando descobrimos essas crueldades”, afirmou.

O Diário questionou a Prefeitura de São Bernardo para informações sobre mordidas, mas não houve retorno até o fechamento desta edição. 



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Cães comunitários sofrem envenenamento e são vítimas de maus-tratos

No Jardim Fênix, quatro cachorros tiveram de ser retirados de praça para garantir segurança

Yara Ferraz
do Diário do Grande ABC

08/09/2015 | 07:07


Os quatro cachorros comunitários que moram há 13 anos em praça na Rua Isac Aizemberg, no Jardim Fênix, em São Bernardo, tornaram-se vítimas de maus-tratos nas últimas semanas. Após denúncias de que alguns moradores tinham sido mordidos, os cães foram atacados com pedradas, pauladas e dois deles sofreram envenenamento.

Apesar das denúncias de mordidas, não houve nenhuma reclamação oficial ou apresentação de laudos de mordeduras, de acordo com as protetoras de animais que atuam no caso. “Acompanhamos esses cachorros desde pequenos e sabemos que não são agressivos. Eles estavam sendo agredidos com pedras, um foi esfaqueado, então, começaram a ficar um pouco arredios ao contato humano. Em relação a mordidas, as pessoas não apresentaram nenhum laudo para comprovar”, contou a protetora Paola Ramos da Silva, 33 anos.

Segundo os moradores, os cachorros ficavam em um terreno onde no começo do ano teve início a construção de um prédio residencial. Antes disso, no local funcionava um estacionamento, onde os cachorros nasceram. “Na época tinham vários filhotes e nós cuidamos das doações. Porém, quando o local desocupou, esses quatro ficaram ali e, desde então, a população cuida deles coletivamente” , contou a protetora Mirna Martins, 65.

Diante dos maus-tratos, os quatro cachorros foram levados para um lar temporário por uma das protetoras. O local não foi divulgado por motivo de segurança. Os animais estão bem, apesar de ainda conservarem marcas das agressões.

Os dois cães que foram envenenados foram socorridos às pressas, mas passam bem. Ambos já foram liberados do veterinário.

A equipe do Diário foi até o local e conversou com diversos moradores sobre os cães e a ocorrência de possíveis mordidas. Nenhum deles relatou qualquer tipo de comportamento agressivo ou afirmou ter sido atacado pelos cães. “Na rua temos uma feira toda semana, algo que não poderia acontecer se os animais fossem agressivos. Eles sempre moraram aqui e nunca ofereceram nenhum problema para a comunidade”, disse a dona de casa Ana Carolina Batista do Nascimento, 19.

Porém, quando o questionamento foi em relação a agressões sofridas pelos animais, a resposta é outra. “Já vi gente batendo neles com pedaços de pau e até tive que intervir uma vez. Quando ficam deitados na rua, alguns moradores não tem paciência e os tiram à força”, afirmou a decoradora de festas Eliane Maria dos Santos, 44, que mora em uma casa ao lado da praça desde criança.

Para a operadora de máquina Maria Dias Meireles, 46, que mora no local desde que nasceu, o problema é que os animais começaram a ter medo das pessoas. Segundo ela, isso aconteceu por causa dos maus-tratos.

“Eles gostam bastante de passear à noite, mas nunca os vi avançando em ninguém. Pelo tanto que as pessoas jogaram pedras e pedaços de paus, além desse triste episódio do envenenamento, eles não gostavam de carinho. Mas nunca os vi avançando em ninguém”, declarou.

A lei 12,968 do Estado de São Paulo, criada em 2008, protege o cão comunitário, sendo aquele que estabelece uma relação com os moradores, mesmo que more nas ruas. A legislação impede que esses animais sejam maltratados ou mortos.

A protetora Silvia Kiesi, que já estava procurando um lar para os cães desde o início do ano, achou que a medida ia protegê-los. “É muito difícil encontrar um abrigo para quatro cachorros de porte grande. Como temos essa lei, achava que não devia me preocupar. Um dia vim visitá-los e percebi que um estava passando mal, foi quando descobrimos essas crueldades”, afirmou.

O Diário questionou a Prefeitura de São Bernardo para informações sobre mordidas, mas não houve retorno até o fechamento desta edição. 

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