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Grande ABC registra melhora em índice de vulnerabilidade

Anderson Silva/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Indicador divulgado ontem pelo Ipea leva em
conta itens como Educação, renda e moradia


Natália Fernandjes
do Diário do Grande ABC

02/09/2015 | 07:07


No período de 2000 e 2010, as sete cidades registraram queda no IVS (Índice de Vulnerabilidade Social), conforme divulgou ontem o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). O indicador mede a exclusão social dos municípios com base em parâmetros como infraestrutura urbana, mortalidade infantil, Educação, renda e trabalho. Quanto maior o índice, piores são as condições de vida da população.

Com exceção de Diadema, que permaneceu no mesmo patamar entre 2000 e 2010 e segue como cidade de média vulnerabilidade (índice 0,309 em escala em que vai de 0 a 1), todos os demais municípios registraram melhora do indicador. O destaque fica por conta de São Caetano, única da região a ser considerada de muito baixa vulnerabilidade, a melhor categoria possível.

Os dados regionais seguem tendência nacional, tendo em vista queda de 0,446, em 2000, para 0,362 em 2010 no Brasil. Com o resultado, o País deixa de ser de alta vulnerabilidade social e passa a ser de média. No Estado, também houve avanço, com baixa do indicador de 0,388 para 0,297, passando de média para baixa vulnerabilidade.

Para o coordenador do Inpes/USCS (Instituto de Pesquisas da Universidade Municipal de São Caetano) Leandro Prearo, o cenário das sete cidades é visto como natural, tendo em vista avanço regional principalmente no que se refere a itens como baixa dos índices de mortalidade infantil, ampliação do acesso das crianças à escola e melhoria da renda da população nos dez anos analisados pela pesquisa. “Esse é um indicador que leva em conta 16 variáveis dentro dos subníveis Infraestrutura Urbana, Capital Humano e Renda e Trabalho. Isso mudou no País todo e também no Grande ABC, que já estava em um cenário razoável”, observa.

Em dez anos, o número de municípios brasileiros com alta ou muito alta vulnerabilidade social caiu de 3.610 para 1.981. Em 2000, 64% das cidades estavam nas faixas de alta ou muita alta vulnerabilidade. Em 2010, esse porcentual caiu para 35%.

A secretária da Sedesc (Secretaria de Desenvolvimento Social e Cidadania) de São Bernardo, Márcia Barral, considera que a melhora dos índices nacionais significa que as políticas implantadas nas áreas que compõem o indicador estão no caminho certo.

“Esse avanço significa que as intervenções realizadas nas áreas habitacional, da Educação, Saúde, geração de renda e também no âmbito social estão surtindo efeito.”

A tendência, segundo Márcia, é a de que haja melhora nos próximos resultados, tendo em vista investimentos porsteriores ao período analisado. “Em São Bernardo, criamos 10 mil vagas em escola, diminuímos o índice de mortalidade infantil para nove para cada 1.000 habitantes”, cita.

Em Mauá, a Prefeitura destacou políticas públicas nas áreas de urbanização, saneamento, trabalho e renda, Saúde (o município tem 12,4 óbitos para cada 1.000 nascidos vivos) e Educação, com a ampliação da oferta no Ensino Infantil. Os demais municípios não se pronunciaram.

Famílias destacam mudanças

Yara Ferraz

A vida das famílias do Parque João Ramalho, em Santo André, sofreu mudanças significativas durante os últimos cinco anos. O casal Cybelly Silva dos Santos, 29 anos, e Jurandir Pereira da Silva, 32, tem dois filhos, Richard, 5, e Maria Eduarda, de apenas 6 meses.

Quando descobriram a gravidez do filho mais velho, o operador de máquinas tinha acabado de perder o emprego. A família se mantinha apenas com o salário de operadora de telemarketing de R$ 700 de Cybelle e precisava ter condições de cuidar do filho. “Nós começamos a construir em cima da casa da minha mãe e foi um período muito difícil. Chegamos a passar dificuldades, mas tivemos ajuda. Eu ainda fiquei um tempo desempregado, até as coisas melhorarem um pouco”, contou Jurandir.

Ele, que anteriormente tinha um salário de R$ 1.800, não encontrava emprego que pagasse o mesmo valor. Para sustentar a família, teve de aceitar um trabalho que garantia R$ 600, quase um ano depois. Há dois anos, ele finalmente conseguiu um emprego em uma empresa grande e hoje ganha R$ 2.500. Com a gravidez da filha, Cybelly conseguiu fazer algo que há anos desejava: sair do emprego para acompanhar a infância dos filhos.

“Eu não podia me dar ao luxo de fazer isso com o Richard. Com certeza nós vivemos melhor hoje, mesmo com os preços mais altos, conseguimos comprar tudo para alimentação, por exemplo. Se o meu filho me pede um Danone, nós compramos”, disse Cibelly.

O pintor autônomo Djalma Ramos de Lima, 58, tem dois filhos, um de 12 e outro de 15 anos. Ele ganha uma média de R$ 1.800 por mês e acredita que os filhos tenham uma qualificação melhor com os estudos. “Apesar de a minha vida não ter melhorado, eu acredito que eles tenham oportunidades melhores. A escola aqui do bairro tem um ensino muito bom e eu oriento eles que hoje está bem mais fácil de fazer uma faculdade”, disse.

Embora tenha havido melhora do índice de vulnerabilidade social na região, ainda há quem precise usar a criatividade para economizar e conseguir sobreviver.

A dona de casa Marlene Ramos de Lima, 59, mora há 30 anos no bairro com a mãe de 83 e o marido. “A vida é difícil, porque a conta de luz é muito alta, um absurdo de R$ 160. Esse mês vou ter que escolher o que vou pagar”, lamentou.


 



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