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A voz rouca das ruas

Como não diz a Bíblia, há tempo de negociar e tempo de calar e esperar a tempestade. Agora, a menos que ocorram surpresas, é hora de ouvir os trovões


Do Diário do Grande ABC

29/07/2015 | 07:00


Como não diz a Bíblia, há tempo de negociar e tempo de calar e esperar a tempestade. Agora, a menos que ocorram surpresas, é hora de ouvir os trovões.

Dilma e Lula vão amanhã à TV, em programa que interrompe o Jornal Nacional. Eles falam pelo governo, o ribombar dos panelaços fala pela oposição. É desigual: o governo tem 7% de aprovação.

A inflação medida nas feiras em um ano atingiu 25%. Há muito mais panelas vazias dispostas a se fazer ouvir.

O Congresso volta a funcionar na primeira segunda-feira de agosto, dia 3 – ou, vá lá, na primeira quarta, dia 5. Há 12 propostas de impeachment na fila, e um presidente da Câmara prontinho para colocá-las em discussão e votação. Para aprovar o impeachment é necessário o voto de 342 deputados. De acordo com os cálculos de aliados do presidente Eduardo Cunha, 255 já apoiam o impeachment.

Nem tudo se resolve no grito das ruas: há também o julgamento (se não houver alguma manobra estranha para adiá-lo), pelo Tribunal de Contas da União, das contas do governo federal. O TCU não tem poder de decisão, é órgão auxiliar do Congresso. Mas um parecer pela rejeição influencia o plenário (em especial os parlamentares que não se decidiram pelo impeachment ou pelo voto no governo). E, fator decisivo, há no dia 16 de agosto as marchas Fora Dilma. Se tiverem êxito, será muito difícil evitar que a presidente seja afastada do cargo.

Movimentos ligados ao PT anunciaram suas marchas para dia 15, e ainda não as confirmaram, talvez temendo o efeito-comparação. Mas as ruas são decisivas.

Revendo o voto
A fraqueza política do governo pode ter efeito adicional importante: estimular os aliados a, digamos, rever sua posição. No impeachment de Collor houve caso interessante. Um deputado da tropa de choque do governo, dos mais fiéis, desculpou-se com o presidente por não poder comparecer à votação: tinha de viajar para seu Estado. E viajou – num voo com escala em São Paulo. Do aeroporto, telefonou para Brasília e soube que a derrota de Collor era certa. Voltou imediatamente a Brasília e foi à Câmara para votar. Em favor do impeachment, claro. A propósito, os deputados estão voltando dos Estados, onde tiveram contato direto com os eleitores. Devem estar bem mais bravos.

Lula na mira
Veja deu na capa que Leo Pinheiro, ex-presidente da OAS, autorizou seus advogados a negociar com o Ministério Público delação premiada, com revelações sobre o relacionamento da empresa com Lula e seu filho Fábio Lula da Silva. O jornal Valor perguntou a Leo Pinheiro se a notícia era verdadeira. Ele a desmentiu: disse que jamais pensou em delação premiada. Seus advogados também a desmentiram. As redes sociais petistas acusaram Veja de inventar notícias.

Mira em Lula
Entretanto, vale a pena lembrar uma piada. Alguém precisava trocar a pilha do relógio e viu uma loja com relógio pendurado na porta. Entrou, entregou o relógio e pediu para trocar a pilha. O lojista o interrompeu: “Não conserto relógios. Faço circuncisão”. O cliente estranhou: “Mas há um relógio pendurado na porta!” O lojista perguntou: “E que é que o senhor queria que eu pendurasse?” Alguém acha que Pinheiro iria confirmar a possibilidade de delação premiada, mesmo que verdadeira? Também pode ser que ele tenha passado recado: está negociando, e, como ainda não negociou, há tempo para alguém tentar salvá-lo.

O grande Moles
Quer conhecer algo do rádio paulista, o humor, a música? Sábado, a partir das 14h, na Livraria Cultura da Avenida Paulista, Celso de Campos Júnior lança o livro Recado de Uma Garoa Usada, de Osvaldo Moles, astro da comunicação. Moles foi autor de rádio, redator, cronista (este é um livro de crônicas), parceiro do monumental Adoniran Barbosa. Celso ficou fascinado por ele quando fazia a biografia de Adoniran, e preparou o livro. O conjunto João Rubinato (nome real de Adoniran) toca músicas inéditas do sambista de São Paulo.

O mundo gira
Ah, a falta de memória! José Maria Marin, ex-presidente da CBF, preso na Suíça, é, desde 5 de março de 2008, nas palavras do procurador José de Arruda Silveira Filho, “representante honorário do Ministério Público do Estado de São Paulo”. O discurso do procurador foi proferido quando Marin recebeu o Colar do Mérito Institucional do MP, em noite de gala, descrita pela assessoria de comunicações do órgão.  



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