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Inverno quente

Ele já sofreu impeachment por causa de uma peruinha Fiat Elba. Agora a Polícia Federal invadiu sua casa, recolheu documentos e apreendeu três carros bem mais caprichados que a Elba


Do Diário do Grande ABC

15/07/2015 | 07:00


Ele já sofreu impeachment por causa de uma peruinha Fiat Elba. Agora a Polícia Federal invadiu sua casa, recolheu documentos e apreendeu três carros bem mais caprichados que a Elba: uma Ferrari, uma Lamborghini, um Porsche. Fernando Collor (PTB) entrou na Operação Politeia, um dos ramos da Operação Lava Jato (Politeia é a cidade imaginada por Platão em que a ética imperava). A operação alcançou 53 pessoas em seis Estados e no Distrito Federal. Com Collor, mais dois senadores (Fernando Bezerra Coelho, PSB, amigo de Eduardo Campos, ex-ministro de Dilma, e Ciro Nogueira, presidente nacional do (PP), outro ex-ministro de Dilma Mário Negromonte (PP), o deputado Eduardo da Fonte (PP).

Um inverno quente, que ainda vai esquentar: hoje está marcado o depoimento do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, na CPI da Petrobras. Ontem houve a posse da nova presidente da UNE, que promete protestar no Congresso contra a redução da maioridade penal, contra Eduardo Cunha, em favor da Petrobras. No começo da semana, os black blocs voltaram em grande estilo, em São Paulo – o primeiro ensaio para tumultuar as demonstrações de rua e prejudicar a Marcha Fora Dilma, prevista para 16 de agosto. E, na sexta, o deputado Eduardo Cunha, do PMDB, fala em rede nacional de rádio e TV (hoje em dia, falar em “cadeia nacional”, como já foi hábito, pode provocar reações estranhas e até injustas explosões de alegria) sobre as realizações da Câmara neste primeiro semestre.

Tudo ajuda a deixar a situação mais tensa. Mas vai melhorar até o Natal.

Togas esvoaçantes
Era outra época, claro. O desembargador paulista Sílvio Barbosa devolvia todos os presentes que recebia, fosse qual fosse o valor, fosse qual fosse o motivo; não aceitava carona nem quando ia a pé para o Fórum e pegava uma chuva. Não ficava bem um juiz receber favores de alguém a quem poderia eventualmente ter de julgar. E é outro País, claro. Nunca ninguém ouviu dizer que o presidente da Suprema Corte norte-americana, John Roberts, tenha conversado informalmente com o presidente da República, o presidente do Congresso, empresários ou advogados.
Tudo mudou: o presidente do Supremo se encontra com a presidente da República em Portugal (e só não foi em segredo por incompetência). O ex-presidente do Supremo se reúne com o presidente da Câmara e conversam sobre o impeachment da presidente da República. Tudo tão malfeito que esqueceram de combinar o que diriam: Eduardo Cunha garantiu que o afastamento de Dilma Rousseff não entrou na conversa, Gilmar Mendes disse que o tema entrou lateralmente.
Nem o juiz Sérgio Moro se privou de opinar sobre concorrências públicas: queria afastar empresas que ainda estão sendo investigadas, em casos que sequer foram julgados. E pensar que houve tempos em que juiz só falava nos autos!


Os azares desta vida
O escritor francês André Maurois dizia que “tais são os azares da vida que todo acaso se faz possível”. O presidente do Supremo, Ricardo Lewandowski, é do tipo que atravessa a rua para pisar numa casca de banana do outro lado. Quando o Supremo aceitou a ação penal do Mensalão, ele foi jantar num restaurante e falou por celular com seu irmão. Disse que a tendência era amaciar para José Dirceu mas que todos votaram com a faca no pescoço, acuados pela imprensa. Na mesa ao lado, uma boa repórter que Lewandowski não conhecia, Vera Magalhães, da Folha de S.Paulo, anotou tudo e tudo publicou. Desta vez, ele estava em Coimbra, e soube que o avião de Dilma, em vez de fazer escala em Lisboa, por acaso desceria no Porto. Viajou então uns 130 quilômetros e, no Porto, se encontrou por acaso com a presidente. Sigilo total. Ou quase total: o repórter Gérson Camarotti, de O Globo, soube do encontro e o divulgou. Os dois presidentes, da República e do Supremo, explicaram que a conversa tinha sido apenas sobre o aumento dos servidores do Judiciário. Então, tá. Poderiam ter conversado em Brasília, onde um trabalha a pouco mais de cem metros do outro, e sem precisar do sigilo.


E mais ainda
O caro leitor acha que é muita falta de sorte? Pois tem mais: o terceiro participante do encontro DilmaLewandowski, ministro José Eduardo Cardozo, depõe hoje na CPI da Petrobras. Qual será o assunto preferido das perguntas? 



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Inverno quente

Ele já sofreu impeachment por causa de uma peruinha Fiat Elba. Agora a Polícia Federal invadiu sua casa, recolheu documentos e apreendeu três carros bem mais caprichados que a Elba

Do Diário do Grande ABC

15/07/2015 | 07:00


Ele já sofreu impeachment por causa de uma peruinha Fiat Elba. Agora a Polícia Federal invadiu sua casa, recolheu documentos e apreendeu três carros bem mais caprichados que a Elba: uma Ferrari, uma Lamborghini, um Porsche. Fernando Collor (PTB) entrou na Operação Politeia, um dos ramos da Operação Lava Jato (Politeia é a cidade imaginada por Platão em que a ética imperava). A operação alcançou 53 pessoas em seis Estados e no Distrito Federal. Com Collor, mais dois senadores (Fernando Bezerra Coelho, PSB, amigo de Eduardo Campos, ex-ministro de Dilma, e Ciro Nogueira, presidente nacional do (PP), outro ex-ministro de Dilma Mário Negromonte (PP), o deputado Eduardo da Fonte (PP).

Um inverno quente, que ainda vai esquentar: hoje está marcado o depoimento do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, na CPI da Petrobras. Ontem houve a posse da nova presidente da UNE, que promete protestar no Congresso contra a redução da maioridade penal, contra Eduardo Cunha, em favor da Petrobras. No começo da semana, os black blocs voltaram em grande estilo, em São Paulo – o primeiro ensaio para tumultuar as demonstrações de rua e prejudicar a Marcha Fora Dilma, prevista para 16 de agosto. E, na sexta, o deputado Eduardo Cunha, do PMDB, fala em rede nacional de rádio e TV (hoje em dia, falar em “cadeia nacional”, como já foi hábito, pode provocar reações estranhas e até injustas explosões de alegria) sobre as realizações da Câmara neste primeiro semestre.

Tudo ajuda a deixar a situação mais tensa. Mas vai melhorar até o Natal.

Togas esvoaçantes
Era outra época, claro. O desembargador paulista Sílvio Barbosa devolvia todos os presentes que recebia, fosse qual fosse o valor, fosse qual fosse o motivo; não aceitava carona nem quando ia a pé para o Fórum e pegava uma chuva. Não ficava bem um juiz receber favores de alguém a quem poderia eventualmente ter de julgar. E é outro País, claro. Nunca ninguém ouviu dizer que o presidente da Suprema Corte norte-americana, John Roberts, tenha conversado informalmente com o presidente da República, o presidente do Congresso, empresários ou advogados.
Tudo mudou: o presidente do Supremo se encontra com a presidente da República em Portugal (e só não foi em segredo por incompetência). O ex-presidente do Supremo se reúne com o presidente da Câmara e conversam sobre o impeachment da presidente da República. Tudo tão malfeito que esqueceram de combinar o que diriam: Eduardo Cunha garantiu que o afastamento de Dilma Rousseff não entrou na conversa, Gilmar Mendes disse que o tema entrou lateralmente.
Nem o juiz Sérgio Moro se privou de opinar sobre concorrências públicas: queria afastar empresas que ainda estão sendo investigadas, em casos que sequer foram julgados. E pensar que houve tempos em que juiz só falava nos autos!


Os azares desta vida
O escritor francês André Maurois dizia que “tais são os azares da vida que todo acaso se faz possível”. O presidente do Supremo, Ricardo Lewandowski, é do tipo que atravessa a rua para pisar numa casca de banana do outro lado. Quando o Supremo aceitou a ação penal do Mensalão, ele foi jantar num restaurante e falou por celular com seu irmão. Disse que a tendência era amaciar para José Dirceu mas que todos votaram com a faca no pescoço, acuados pela imprensa. Na mesa ao lado, uma boa repórter que Lewandowski não conhecia, Vera Magalhães, da Folha de S.Paulo, anotou tudo e tudo publicou. Desta vez, ele estava em Coimbra, e soube que o avião de Dilma, em vez de fazer escala em Lisboa, por acaso desceria no Porto. Viajou então uns 130 quilômetros e, no Porto, se encontrou por acaso com a presidente. Sigilo total. Ou quase total: o repórter Gérson Camarotti, de O Globo, soube do encontro e o divulgou. Os dois presidentes, da República e do Supremo, explicaram que a conversa tinha sido apenas sobre o aumento dos servidores do Judiciário. Então, tá. Poderiam ter conversado em Brasília, onde um trabalha a pouco mais de cem metros do outro, e sem precisar do sigilo.


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