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Volkswagen silencia e cegonheiros mantêm paralisação na fábrica

Nario Barbosa/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Motoristas protestam contra mudanças no sistema
de logística; na região, 5.000 podem ser demitidos


Fábio Munhoz
Do Diário do Grande ABC

14/07/2015 | 07:25


Sem acordo, motoristas de caminhões-cegonha decidiram que a entrega dos carros zero-quilômetro fabricados pela Volkswagen continuará paralisada. A greve, iniciada ontem, tem como objetivo pressionar a montadora a não alterar o sistema de distribuição dos veículos para as concessionárias de todo o Brasil. A categoria estima que a mudança planejada provocaria demissões de 20 mil trabalhadores no País, sendo 5.000 no Grande ABC.

Atualmente, a Volkswagen conta com quatro distribuidoras (Brazul, Tegma, Transauto e Tranzero). Na região, essas companhias contam com aproximadamente 3.600 prestadores de serviço, entre pequenas e médias empresas e trabalhadores autônomos. De acordo com o vice-presidente do Sindicato Nacional dos Cegonheiros, Jaime Ferreira dos Santos, a montadora está planejando delegar essa atividade a apenas uma companhia – que não está entre as quatro citadas acima.

A decisão pelo início da greve foi tomada após assembleia realizada no dia 7. “Desde então, a empresa não nos chamou para negociar”, afirma Santos. Segundo ele, a montadora também não informou, oficialmente, qual é o motivo da mudança. “Eles fazem tudo por debaixo do pano. Tem uma pessoa lá de dentro com intenções obscuras. De repente vão fazer como fizeram com outro segmento, em que o pessoal amanheceu desempregado.” Ele se refere ao transporte de funcionários por ônibus fretados pela Volkswagen, serviço que hoje é prestado pela Júlio Simões Logística. Segundo o vice-presidente, a troca ocorreu há pouco mais de três anos.

Na manhã de ontem, cerca de 3.000 cegonheiros em 150 caminhões fizeram manifestação na Pista Sul (sentido Litoral) da Via Anchieta, em frente ao portão principal da Volkswagen. Os caminhões-cegonha foram enfileirados ao longo de aproximadamente 1,5 quilômetro, ocupando o acostamento da faixa da direita. O ato foi acompanhado por equipes da concessionária Ecovias e da Polícia Militar Rodoviária. Não houve registro de tumultos. À tarde, os motoristas fizeram carreata até o Riacho Grande.

“Vamos ficar aqui parados até que haja uma definição. E se eles insistirem nessa situação, continuaremos assim. O lugar que a gente tem para guardar as carretas é na rua”, comenta Santos. O presidente do sindicato, José Ronaldo Marques da Silva, o Boizinho, salienta que, se não houver negociação, a categoria poderá iniciar um acampamento em frente à fábrica.

A Volkswagen mantém posicionamento de que “está realizando uma ação regular, que serve para a verificação e análise do posicionamento de preços de um serviço dentre as opções disponíveis no mercado” e que respeita os contratos com fornecedores.

ANGÚSTIA - Enquanto aguardam decisão oficial da empresa, trabalhadores vivem clima de insegurança. “Estou na segunda geração de cegonheiros da família. Meu pai começou a trabalhar com isso em 1963 e eu estou neste ramo há 25 anos. Se trocarem, não sei o que farei”, lamenta Jorge Araújo, 52 anos.

O motorista Antônio Bezerra Dantas, 69, considera como ingratidão a intenção da montadora de substituir os prestadores de serviço. “Desde a década de 1960, transporto veículos dessa marca. Já rodei por estradas de terra e fiquei sem comer, pois não havia restaurantes na rodovia. Peguei malária em viagens para o Norte e é assim que retribuem.”

Outro cegonheiro antigo é Artêmio Salles, 76. “Contamos com a compreensão da Volkswagen, pois eu vivo disso e gosto do que faço”, diz. O filho dele, de 47 anos, também atua no segmento.



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Volkswagen silencia e cegonheiros mantêm paralisação na fábrica

Motoristas protestam contra mudanças no sistema
de logística; na região, 5.000 podem ser demitidos

Fábio Munhoz
Do Diário do Grande ABC

14/07/2015 | 07:25


Sem acordo, motoristas de caminhões-cegonha decidiram que a entrega dos carros zero-quilômetro fabricados pela Volkswagen continuará paralisada. A greve, iniciada ontem, tem como objetivo pressionar a montadora a não alterar o sistema de distribuição dos veículos para as concessionárias de todo o Brasil. A categoria estima que a mudança planejada provocaria demissões de 20 mil trabalhadores no País, sendo 5.000 no Grande ABC.

Atualmente, a Volkswagen conta com quatro distribuidoras (Brazul, Tegma, Transauto e Tranzero). Na região, essas companhias contam com aproximadamente 3.600 prestadores de serviço, entre pequenas e médias empresas e trabalhadores autônomos. De acordo com o vice-presidente do Sindicato Nacional dos Cegonheiros, Jaime Ferreira dos Santos, a montadora está planejando delegar essa atividade a apenas uma companhia – que não está entre as quatro citadas acima.

A decisão pelo início da greve foi tomada após assembleia realizada no dia 7. “Desde então, a empresa não nos chamou para negociar”, afirma Santos. Segundo ele, a montadora também não informou, oficialmente, qual é o motivo da mudança. “Eles fazem tudo por debaixo do pano. Tem uma pessoa lá de dentro com intenções obscuras. De repente vão fazer como fizeram com outro segmento, em que o pessoal amanheceu desempregado.” Ele se refere ao transporte de funcionários por ônibus fretados pela Volkswagen, serviço que hoje é prestado pela Júlio Simões Logística. Segundo o vice-presidente, a troca ocorreu há pouco mais de três anos.

Na manhã de ontem, cerca de 3.000 cegonheiros em 150 caminhões fizeram manifestação na Pista Sul (sentido Litoral) da Via Anchieta, em frente ao portão principal da Volkswagen. Os caminhões-cegonha foram enfileirados ao longo de aproximadamente 1,5 quilômetro, ocupando o acostamento da faixa da direita. O ato foi acompanhado por equipes da concessionária Ecovias e da Polícia Militar Rodoviária. Não houve registro de tumultos. À tarde, os motoristas fizeram carreata até o Riacho Grande.

“Vamos ficar aqui parados até que haja uma definição. E se eles insistirem nessa situação, continuaremos assim. O lugar que a gente tem para guardar as carretas é na rua”, comenta Santos. O presidente do sindicato, José Ronaldo Marques da Silva, o Boizinho, salienta que, se não houver negociação, a categoria poderá iniciar um acampamento em frente à fábrica.

A Volkswagen mantém posicionamento de que “está realizando uma ação regular, que serve para a verificação e análise do posicionamento de preços de um serviço dentre as opções disponíveis no mercado” e que respeita os contratos com fornecedores.

ANGÚSTIA - Enquanto aguardam decisão oficial da empresa, trabalhadores vivem clima de insegurança. “Estou na segunda geração de cegonheiros da família. Meu pai começou a trabalhar com isso em 1963 e eu estou neste ramo há 25 anos. Se trocarem, não sei o que farei”, lamenta Jorge Araújo, 52 anos.

O motorista Antônio Bezerra Dantas, 69, considera como ingratidão a intenção da montadora de substituir os prestadores de serviço. “Desde a década de 1960, transporto veículos dessa marca. Já rodei por estradas de terra e fiquei sem comer, pois não havia restaurantes na rodovia. Peguei malária em viagens para o Norte e é assim que retribuem.”

Outro cegonheiro antigo é Artêmio Salles, 76. “Contamos com a compreensão da Volkswagen, pois eu vivo disso e gosto do que faço”, diz. O filho dele, de 47 anos, também atua no segmento.

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