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Os inimigos da rainha

Quem não sabe o que busca não identifica o que acha, dizia Immanuel Kant. Dilma decidiu bater duro, mas identificou o inimigo errado: o ódio pelo PSDB é tamanho que continua atacando Aécio, enquanto elogia o PMDB


Do Diário do Grande ABC

08/07/2015 | 07:00


Quem não sabe o que busca não identifica o que acha, dizia Immanuel Kant. Dilma decidiu bater duro, mas identificou o inimigo errado: o ódio pelo PSDB é tamanho que continua atacando Aécio, enquanto elogia o PMDB.

Dilma enfim percebeu que está em risco, mas ainda não sabe que Aécio e o PSDB são café com leite. Seus inimigos são mais hábeis, mais poderosos e mais bem situados: estão dentro do governo e comandam Senado e Câmara. Basta seguir a linha do tempo: o esfacelamento da base de Dilma coincide com a vitória, para a presidência da Câmara, do deputado Eduardo Cunha – que a presidente, embora se tratasse de um aliado, tentou trocar por um petista. Cunha, um dos parlamentares mais competentes do Congresso (pena que não esteja exatamente do lado do bem), reagiu duro, mostrando que o PT não tem aliados e quer todos os cargos; e derrotando várias vezes a presidente. Oficialmente, ele e Renan comandam alas opostas do PMDB; na prática, só existe uma ala no PMDB, a que gosta de cargos. Ele e Renan formam uma dupla unida: ele é o durão, Renan é o flexível. Os dois propõem que o PMDB se afaste do governo, enquanto Temer diz defender a aliança. O fato é que os três, juntos, ocupam todos os espaços.

Os três querem a saída de Dilma. Se só ela sair, por impeachment ou crime de responsabilidade, Temer assume (se ela ficar, Temer continua na coordenação política). Se saírem ela e Temer, por irregularidades na campanha, Cunha assume e comanda novas eleições. E, tenha certeza, seu candidato de coração não é Lula.

Sim, não, talvez
Mas ninguém imagine que Renan, Cunha e Temer sejam Os Três Mosqueteiros, um por todos, todos por um. Renan e Eduardo Cunha, se puderem, salvarão o mandato de Temer, para que ocupe a Presidência no lugar de Dilma. Se não puderem, não correrá uma lágrima: Cunha assume e convoca eleição. Cumpre a lei. De acordo com as regras não escritas da política, Temer será homenageado e transformado em conselheiro do partido. Vai virar uma gloriosa memória.

O manto diáfano
A articulação já se faz à luz do dia. O PMDB está negociando com adversários do PT uma maneira legal de convencer Dilma a sair, mantendo Temer no poder. O PSDB gostou da conversa de que o País não aguenta três anos e meio de uma presidente que esbraveja, grita e pensa que manda, mas sem poder real; e de que é preciso vencer a crise de governabilidade. PMDB e PSDB, juntos – e com o inevitável apoio do PTB, PPS, DEM e adesistas de última hora – têm ampla maioria no Congresso. O PT de Dilma pensa em atrair de volta o PMDB; o PT de Lula quer o “exército de Stedile” nas ruas. Mas, tirando a própria Dilma e uns poucos ministros, ninguém aposta um picolé de limão em sua permanência.

Dias de fúria
Hoje – por coincidência, aniversário dos 7x1 da Copa que abalaram o Brasil – há uma acareação de Pedro Barusco com seu antigo chefe Renato Duque, ex-diretor de serviços da Petrobras, na CPI. Se Barusco tinha quase US$ 100 milhões que na delação premiada aceitou devolver, quanto teria cabido a seu chefe?
Amanhã é pior: a acareação é de Barusco com João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT. A oposição espera que Barusco possa comprovar que a campanha de Dilma recebeu recursos desviados da Petrobras (nesse caso, o Tribunal Superior Eleitoral pode cassar o registro da candidatura de Dilma e Temer, retirando-lhes o mandato). Mais: se Vaccari mentiu à CPI em seu primeiro depoimento, em abril, está sujeito a processo criminal – o que poderia estimulá-lo a aderir à delação premiada, na qual contaria sua vida de tesoureiro do PT.
A propósito de delação premiada, Ricardo Pessoa, da UTC, é um nome-chave na questão de doações de campanha. Ele sabe se e quando houve dinheiro sujo.

As chances de Dilma
Por incrível que pareça, as melhores oportunidades da presidente estão no Congresso. Mesmo que o Tribunal de Contas recomende a rejeição das contas de Dilma, isso não passará de recomendação. O TCU é órgão auxiliar do Congresso. E o Congresso, mesmo contra a recomendação do tribunal, pode aprovar as contas. Mas pode ser mais sutil – o que faz parte do estilo do PMDB: para julgar as contas de Dilma, seria preciso analisar primeiro as contas pendentes. Há 15 relatórios que não foram examinados, e que têm precedência. A questão pode ir longe e só ser examinada depois de terminado o mandato da presidente. 



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