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O dia em que a Globo despencou


Gabriela Germano
Da TV Press

23/02/2009 | 07:00


Atualmente, a Globo dedica quatro noites de sua programação aos desfiles das escolas de samba de São Paulo e do Rio. Mas nem sempre foi assim. Em 1984, primeira edição da festa carioca na Marquês de Sapucaí, a extinta Manchete foi a única emissora a exibir o evento. E sambou bonito em cima da líder de audiência ao marcar mais de 80 pontos no Ibope. O jornalista Paulo Stein, que narrou o Carnaval daquele ano e comandou as transmissões até 1998 pela Manchete, lembra-se da repercussão. "Foi uma grande surpresa porque nem esperávamos exibir o Carnaval. O Adolfo Bloch até me beijou e abraçou comemorando o resultado", recorda Paulo, referindo-se ao dono da emissora.

Era a inauguração do sambódromo do Rio e o então vice-governador do Estado, Darcy Ribeiro, determinou que os desfiles seriam divididos em duas noites, para ficarem mais bem organizados. "E a Globo disse que não ia abrir mão da programação para exibir duas noites de Carnaval", conta Paulo Stein. O diretor executivo da Manchete na época, Mauro Costa, dá a sua versão. "A verdade é que a Globo não queria dar espaço para o Sambódromo porque era uma obra do governador Brizola, um desafeto de Roberto Marinho", enfatiza.

Recém-inaugurada, a Manchete resolveu investir na empreitada. Com equipamentos de última geração, foi fazer o reconhecimento do espaço para ver a melhor maneira de transmitir o evento. A Marquês de Sapucaí era uma novidade para todos e quem comandou tudo foi Maurício Sherman, na época diretor artístico da emissora. "Importamos quilômetros de cabos. Mas o sistema de exibição que criei foi tão bensucedido que é o mesmo usado até hoje", gaba-se Sherman. O diretor conta que a espécie de ‘L' invertido, torre de TV que hoje existe no meio da avenida - lugar onde a imprensa posiciona suas câmaras - é consequência de uma solicitação que ele fez diretamente a Oscar Niemeyer, que projetou o sambódromo. "Era o melhor lugar para instalar uma câmara e fazer imagens gerais, abertas. Para o Carnaval de 1985 já estava construído", valoriza.

Em 1984, duas escolas foram eleitas campeãs. Portela e Mangueira levaram o título, sendo que a verde-e-rosa chegou à Praça da Apoteose, deu a volta e retornou desfilando na avenida. "E eu voltei com ela, na maior alegria", recorda-se o mangueirense Maurício Sherman. Boni, vice-presidente de operações da Globo na época, não estava no sambódromo trabalhando, mas curtia a festa como folião e deu uma entrevista à Manchete, ao vivo. "Ele disse que estava muito admirado do Niemeyer ter construído aquele monstrengo", relembra Mauro Costa. Na ocasião, Boni determinou que a Globo reprisasse o especial de fim de ano de Roberto Carlos. E o clima de Quarta-Feira de Cinzas dominou a emissora com o resultado pífio.

Depois dessa derrapada, a Globo nunca mais deixou de exibir os desfiles. Mas até 1998, foi obrigada a dividir os direitos de transmissão com a Manchete, que decretou falência no ano seguinte mas permaneceu firme e forte exibindo o Carnaval até em seu período mais crítico. "Mas sempre levamos a fama de fazer uma cobertura melhor. Porque a gente mostrava mais as pessoas da comunidade, e não só artista e mulher bonita nua", gaba-se, Mauro Costa. Ainda de acordo com Mauro, a cobertura da festa acabou ficando enrijecida pela regulamentação do pool, criada pela Globo. "Do início ao fim dos desfiles, as duas emissoras tinham de exibir as mesmas imagens. Só tínhamos liberdade para outras reportagens fora do espaço da avenida", lamenta Mauro. "Mesmo assim fizemos grandes carnavais", diz ele, em tom de saudosismo.



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