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Urubus são a nova praga das cidades


Luciana Yamashita
Especial para o Diário

04/11/2006 | 19:55


Gerações de urubus se adaptaram ao ambiente das grandes cidades e são a nova praga urbana. A constatação é do ornitólogo brasileiro Johan Dalgas Frisch, 76 anos, também conhecido como O Senhor dos Pássaros.

O urubu é protegido pela Lei de Crimes Ambientais e não pode ser morto. Por isso, a solução para controlar a praga, que pode ser comparada à dos ratos, é outra.

“O jeito é quebrar os ovos. Quando os urubus estão rondando, as pessoas não podem deixar que fiquem. Assim a ave não procura mais o local e não vai ter novas gerações de urubus”, afirma Frisch.

Pioneiro em gravação do canto de aves com parabólicas, o ornitólogo é defensor dos pássaros. Mas em relação aos urubus, acredita que é necessário retirá-los de perto das pessoas.

“São inúmeras doenças que podem ser transmitidas pelos urubus. Não adianta achar graça e deixá-los por perto. As pessoas não vão achar graça nenhuma quando pegarem alguma doença”, alerta o especialista.

As aves não fazem ninho e a fêmea bota dois ovos por vez em cima do concreto nas cidades. São duas ninhadas por ano e o alto dos prédios costuma ser a preferência das aves. Mas os urubus estão chegando cada vez mais perto.

Um exemplo disso foi noticiado pelo Diário no dia 12 de setembro. Um casal de urubus da espécie cabeça-preta se instalou na varanda do 5º andar do prédio Maison D´Ami, no bairro Jardim, em Santo André.

Na ocasião, a estudante de jornalismo Carla Xavier contou que a família pensou em afastá-los. Assim que a fêmea pôs dois ovos, decidiram deixar as aves na varanda do apartamento. Um filhote nasceu no último dia 23 e o outro, no dia 26.

“Os urubus estão chegando ao desaforo de pegar até as varandas. Esse casal de urubus é sem-vergonha”, diz Frisch. Segundo o especialista, é preciso se adaptar à realidade. “Se fosse um sabiá não teria problema nenhum”, diz.

A adaptação dos urubus às cidades tem ocorrido nos últimos 10, 15 anos. “Começou com um urubu que chegou, botou ovos em algum prédio alto, e ninguém fez nada. Agora, os filhotes já nascem nas cidades”, explica.

Os lixões são pratos cheios para os urubus. O cheiro sobe com o ar e a ave consegue sentir a até dois quilômetros de distância. “Como não há mais vaca morta por aqui, por exemplo, a ave encontrou a facilidade dos lixões, onde consegue restos de carne e comidas em putrefação.”

Adaptados às cidades, os urubus urbanos não sobreviveriam no ambiente natural. “Se essas aves fossem para o Mato Grosso, morreriam de fome”, conta o ornitólogo.

Informações sobre o trabalho de Frisch no site www.avesbrasileiras.com.br.



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