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Estatísticas mostram os bairros mais violentos do RJ


Do Diário do Grande ABC

31/10/1999 | 20:04


As estatísticas provam que Copacabana nao é mais violenta que Campo Grande. Muito pelo contrário. No mês de setembro, segundo o último balanço publicado pelo governo do estado no Diário Oficial, enquanto o bairro da Zona Sul nao acusava nenhum homicídio, seqüestro ou estupro, o da Zona Oeste registrava 12 assassinatos e um estupro. Ainda assim, basta tentar abordar uma pessoa nas calçadas de Copacabana e de Campo Grande para se entender o peso do que é chamado de sensaçao de segurança.

Nos dois bairros considerados pelos cariocas ouvidos pelo Databrasil como os mais violentos da cidade, Copacabana e Tijuca, a simples aproximaçao do repórter do Jornal do Brasil causou reaçoes praticamente idênticas: os olhos se abrem, as maos se crispam sobre a bolsa, o passo é apertado e o rumo, alterado. Em algumas mulheres idosas, a reaçao foi tao alarmada que o repórter chegou a temer por um ataque cardíaco.

Nos bairros que a pesquisa apontou como os mais tranqüilos, Campo Grande e Urca, a reaçao foi oposta. Os moradores esperaram pela aproximaçao do repórter, sem mostrar qualquer defesa. E, quando tiveram o passo interrompido, nao se espantaram, nem trataram de apertar mais a bolsa contra o peito. Nos dois bairros, dados impossíveis de mensurar, como a expressao das pessoas e a velocidade do caminhar, sao as pistas para entender a razao das estatísticas de violência nao determinarem, necessariamente, a sensaçao de estar ou nao seguro.

Buscar explicaçoes para essa sensaçao de insegurança em Copacabana é difícil. Para o bancário aposentado Carlos Tâmega, 61 anos, que lia um jornal numa praça, enquanto esperava a hora de um compromisso, o seu bairro é injustiçado. "Nunca fui assaltado aqui, nem ninguém da minha família." Nascido em Campos e morando em Copacabana desde 1960, Tâmega reconhece, com desgosto, que a fama do lugar que escolheu para morar nao é das melhores.

Sua impressao de Copacabana, contudo, nao bate com a do comerciante Jorge Ramos, 44 anos. Morador do Méier, mas dono de uma tradicional loja de reforma de roupas, com mais de 70 anos no bairro, Ramos já cansou de tanta violência. "Só o meu prédio já foi invadido três vezes por bandidos", conta. Tantos casos lhe despertaram a vontade de começar a anotar as ocorrências policiais e elaborar uma espécie de estatística amadora de violência. "O meu quarteirao, nos últimos 10 dias, sofreu três assaltos a banco e dois apartamentos foram invadidos", relaciona.

As ruas do centro de Campo Grande, onde existe um comércio bastante desenvolvido, estao sempre agitadas. Mas quem passa olhando as lojas parece alheio às estatísticas do governo. Assassinatos? "O que a gente tem aqui é roubo pequeno, coisa boba, ratos de loja", acredita o taxista Fábio Figueiredo Castro, 23 anos, que veio de Vila Valqueire para o bairro, quando tinha seis anos. Segundo ele, os casos mais comuns sao os de ladroes que pulam os muros das casas para apanhar cascos de cerveja.

Ao contrário de Copacabana, nao há divergências sobre a tranqüilidade de Campo Grande. O funcionário público Daniel dos Santos, 37 anos, morador há quatro anos do bairro até conta que já foi assaltado. Mas logo ressalta: "uma vez só". No Méier, onde morava antes, foram três assaltos. Para ele, a explicaçao para a tranqüilidade de Campo Grande está na distância do que é marca registrada do Rio, suas montanhas.



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