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Alzira Stocco: uma bisavó que não descansa


Eliane de Souza
Do Diário do Grande ABC

26/07/2009 | 07:50


Embora este dia seja pouco lembrado pela falta de apelo comercial, hoje é comemorado o Dia dos Avós. A data foi escolhida em alusão ao dia de Santa Ana e São Joaquim, pais de Maria e avós de Jesus Cristo. O Diário presta homenagem a todos os avós contando a história de uma das professoras mais respeitadas da região: dona Alzira Stocco, 91 anos, fundadora do Colégio Stocco, de Santo André.

Ela recebeu a reportagem às 8h da manhã e elogiou a pontualidade. No fim da entrevista ficou fácil entender que disciplina é uma das grandes armas tanto para a sua longevidade como para o sucesso nos negócios. Dona Alzira é lúcida, tem uma memória que impressiona os mais jovens e não tem dificuldades para andar. A única limitação é para ler e reconhecer fisionomias de longe, fruto de complicações da diabete diagnosticada aos 85 anos. Lê as manchetes do jornal do dia com uma lupa e pede para que leiam as reportagens em voz alta.

A primogênita da família de Viradouro - a 400 quilômetros de Santo André - precisou parar de estudar entre os 10 e 15 anos para dar oportunidade de estudo aos nove irmãos mais novos. Conta que o pai ganhou na loteria e assim pôde arcar com a escola de quatro irmãos. Foi datilógrafa na Capital e realizou o sonho de se tornar professora aos 26 anos, já casada. "Ia para o magistério como uma mocinha, com saias de pregas, meias nos joelhos e fita no cabelo. Era a mais gordinha em sala com estudantes de até 16 anos", relembra com bom humor.

Foi ainda como professora do Grupo Escolar Gabriel Oscar de Azevedo Antunes que Alzira Stocco cuidou da preparação da filha Sandra para ingresso na EE Américo Brasiliense, em Santo André. À época, o colégio oferecia 200 vagas para uma média de 3.000 candidatos de toda a região.

Alzira e a sua irmã Nena Stocco improvisaram uma sala de aula na garagem com Sandra e outros seis alunos, que foram admitidos no Américo Brasiliense nas melhores colocações. A fama das professoras de português, Nena, e de matemática, Alzira, se espalhou e a garagem ficou pequena para atender tantos candidatos da escola estadual. As aulas foram transferidas para um pequeno imóvel na Rua Catequese, onde permanece há 54 anos.

Os métodos de dona Alzira não eram nada ortodoxos. Era tempo em que os pais autorizavam o castigo por parte dos professores. Se alguém fizesse barulho, dona Alzira não pensava duas vezes antes de lançar o apagador. "Há pouco tempo o Sérgio De Nadai reuniu alunos com mais de 50 anos numa festa surpresa. Eles se posicionaram em fila e pediam para que puxasse suas orelhas. Isso tudo era levado na brincadeira. Hoje em dia o aluno faz o que quer e não aprende", conta a professora.

Mas para Alzira Stocco, lecionar é um ato constante e vai além de lembranças no álbum de fotografias. Tanto que aguarda apenas desentraves burocráticos para criar duas salas de aula para alfabetização de adultos. Seu principal alvo são mulheres de classe média baixa, a quem pretende passar também lições de vida como economia doméstica e dicas de relacionamento com os maridos. "Hoje as mulheres são infelizes por ignorância. Brigam muito com o marido, além de trabalharem e não guardarem dinheiro."

As aulas serão ministradas por ela mesma no prédio do Stoquinho, a chácara que abriga a unidade infantil do colégio. O espaço de 27 mil metros quadrados foi planejado pensando nas crianças que vivem em apartamentos e não podem brincar longe dos olhares atentos da babá. Lá, ensina os pequenos a cultivar verduras e legumes, processar café e até a apreciar os alimentos saudáveis.

A idade avançada nunca foi motivo para deixar de fazer planos. Ela ainda pretende presentear os dois filhos, os quatro netos e os quatro bisnetos com livro de crônicas da irmã, a professora Nena, falecida em 1999.

Nena Stocco escondia a aptidão poética e só depois que partiu é que a família descobriu os diversos poemas guardados. Um deles foi escrito com inspiração no Stoquinho. Enquanto as belas palavras não ganham lugar na estante, é em placas gigantes dentro da escola que seus pensamentos são compartilhados.



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