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Planalto aposta no fim de 'reinado' da CBF e nova era para o esporte no Brasil



31/05/2015 | 06:30


Como antídoto aos escândalos de corrupção no futebol, o Palácio do Planalto aposta na aprovação pelo Congresso Nacional de medida provisória que abre caminho para uma gestão mais transparente e democrática para os clubes e que, na avaliação de auxiliares da presidente Dilma Rousseff, pode marcar uma nova era para o esporte brasileiro.

Na avaliação palaciana, o escândalo que levou à prisão do ex-presidente da CBF José Maria Marin e de outros dirigentes da Fifa enfraqueceu não só a entidade e a Fifa como também a bancada da bola, mais refratária às mudanças na legislação, no Congresso. O governo acredita que o atual cenário favorece o esvaziamento da CBF, que seria forçada a aceitar as mudanças propostas pela MP do futebol e até deixar de ser responsável pelo Campeonato Brasileiro.

Dilma encaminhou em março uma medida provisória que institui o Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro e permite o refinanciamento da dívida dos clubes com a União - em contrapartida, exige que os clubes cumpram regras de governança e de responsabilidade fiscal e trabalhista.

Os clubes terão, por exemplo, que fixar um período do mandato de presidente e dirigentes, permitindo uma única recondução. Atletas terão direito a votos em órgãos colegiados dos clubes. A MP prevê ainda a criação da Autoridade Pública de Governança do Futebol, que fiscalizará a implantação das medidas.

RELAÇÃO - Ao contrário do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que mantinha relação próxima com os cartolas da CBF, a presidente Dilma Rousseff sempre apostou em um contato mais pragmático e menos pirotécnica. Lula usava o futebol como um instrumento da diplomacia brasileira, distribuindo camisas da seleção brasileira mundo afora. Com Dilma, o relacionamento é meramente protocolar.

Em um outro movimento estratégico, Dilma se distanciou da CBF ao criar um canal de diálogo com o Bom Senso FC, entidade de jogadores que reivindica a adoção do fair play financeiro (punição para clubes devedores) e a adoção de um calendário de jogos mais equilibrado.

"É chegada a hora de discutir e investigar o comando do futebol brasileiro. (...) É hora de democracia e transparência no futebol. Medidas concretas neste sentido estão presentes na MP 671, a MP do Futebol, que refinancia a dívida dos clubes. Por isso, é urgente e necessária a sua aprovação", disse texto publicado na página oficial do Bom Senso FC na quarta-feira.

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, chegou a dizer que é "absolutamente legítimo" o Congresso Nacional abrir uma CPI para investigar a CBF. "O Congresso é autônomo ao tomar suas medidas, é absolutamente legítimo. Sempre que o Congresso decide, os representantes do povo decidem bem, portanto, vai tomar a medida que acha correta", afirmou, evidenciando postura mais incisiva do governo perante a opinião pública sobre a investigação da entidade. O Planalto vê na crise do futebol a chance de virar o jogo a favor da presidente Dilma Rousseff.



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Planalto aposta no fim de 'reinado' da CBF e nova era para o esporte no Brasil


31/05/2015 | 06:30


Como antídoto aos escândalos de corrupção no futebol, o Palácio do Planalto aposta na aprovação pelo Congresso Nacional de medida provisória que abre caminho para uma gestão mais transparente e democrática para os clubes e que, na avaliação de auxiliares da presidente Dilma Rousseff, pode marcar uma nova era para o esporte brasileiro.

Na avaliação palaciana, o escândalo que levou à prisão do ex-presidente da CBF José Maria Marin e de outros dirigentes da Fifa enfraqueceu não só a entidade e a Fifa como também a bancada da bola, mais refratária às mudanças na legislação, no Congresso. O governo acredita que o atual cenário favorece o esvaziamento da CBF, que seria forçada a aceitar as mudanças propostas pela MP do futebol e até deixar de ser responsável pelo Campeonato Brasileiro.

Dilma encaminhou em março uma medida provisória que institui o Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro e permite o refinanciamento da dívida dos clubes com a União - em contrapartida, exige que os clubes cumpram regras de governança e de responsabilidade fiscal e trabalhista.

Os clubes terão, por exemplo, que fixar um período do mandato de presidente e dirigentes, permitindo uma única recondução. Atletas terão direito a votos em órgãos colegiados dos clubes. A MP prevê ainda a criação da Autoridade Pública de Governança do Futebol, que fiscalizará a implantação das medidas.

RELAÇÃO - Ao contrário do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que mantinha relação próxima com os cartolas da CBF, a presidente Dilma Rousseff sempre apostou em um contato mais pragmático e menos pirotécnica. Lula usava o futebol como um instrumento da diplomacia brasileira, distribuindo camisas da seleção brasileira mundo afora. Com Dilma, o relacionamento é meramente protocolar.

Em um outro movimento estratégico, Dilma se distanciou da CBF ao criar um canal de diálogo com o Bom Senso FC, entidade de jogadores que reivindica a adoção do fair play financeiro (punição para clubes devedores) e a adoção de um calendário de jogos mais equilibrado.

"É chegada a hora de discutir e investigar o comando do futebol brasileiro. (...) É hora de democracia e transparência no futebol. Medidas concretas neste sentido estão presentes na MP 671, a MP do Futebol, que refinancia a dívida dos clubes. Por isso, é urgente e necessária a sua aprovação", disse texto publicado na página oficial do Bom Senso FC na quarta-feira.

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, chegou a dizer que é "absolutamente legítimo" o Congresso Nacional abrir uma CPI para investigar a CBF. "O Congresso é autônomo ao tomar suas medidas, é absolutamente legítimo. Sempre que o Congresso decide, os representantes do povo decidem bem, portanto, vai tomar a medida que acha correta", afirmou, evidenciando postura mais incisiva do governo perante a opinião pública sobre a investigação da entidade. O Planalto vê na crise do futebol a chance de virar o jogo a favor da presidente Dilma Rousseff.

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