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Sindicalistas, Grana e Marinho sofrem pressão

Marina Brandão/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Sto.André teve rejeição e S.Bernardo enfrenta greve; cidades são as únicas ainda sem acordo


Fabio Martins

31/05/2015 | 07:00


Oriundos do sindicalismo, os prefeitos de Santo André, Carlos Grana (PT), e de São Bernardo, Luiz Marinho (PT), sofrem pressão política diante da falta de acordo em relação a reajuste salarial ao funcionalismo público. As cidades governadas pelos petistas, que tiveram trajetória ligada a movimentos por melhores condições de remuneração dos metalúrgicos, são as únicas do Grande ABC ainda sem consenso sobre a oferta apresentada aos servidores. Em solo andreense, seis propostas foram rejeitadas pela categoria. No município vizinho, há greve que dura 19 dias.

Atualmente, como chefes do Executivo, ambos justificam dificuldade financeira da Prefeitura.
Em Santo André, o Sindserv (Sindicato dos Servidores Públicos) decretou estado de greve desde abril frente ao impasse nas tratativas. Setores pontuais chegaram a paralisar os serviços. Grana encaminhou à Câmara proposta fragmentada em duas parcelas de 4% – a primeira em abril, retroativa, e outra em dezembro, o que não agradou a classe, com 16 mil servidores. Por outro lado, em território são-bernardense o protesto iniciou por ausência de diálogo, sem índice. Na semana passada, Marinho ofereceu abono no valor de R$ 1.550 em junho e R$ 310 em dezembro, que dividiu a categoria – são 20 mil funcionários.

A última mobilização geral em Santo André se deu em 2005, quando o Paço era chefiado pelo petista João Avamileno. Em São Bernardo, o ato derradeiro havia sido no segundo mandato de Maurício Soares (PT, 1997-2000), com 21 dias parados. Coincidência ou não, os dois ex-prefeitos, que integram hoje os respectivos governos, também têm carreira atrelada à classe sindical.
Apesar de ainda não ter alcançado acordo com o sindicalismo andreense, Grana fez uso da experiência em movimentos para intermediar negociações entre patrões e lixeiros nas greves de 2014 e de 2015.

Presidente do sindicato andreense, Carlos Pavan classificou como desrespeito a situação ao avaliar que o percentual “não atinge a reposição da inflação, de 8,49%”. Em contrapartida, Grana defendeu que a categoria possui ciência da situação econômica complicada do Paço, elencando queda na arrecadação e aumento do índice de pagamento dos precatórios como agravantes e que entrou pessoalmente nas negociações. “Só de precatórios dá R$ 72 milhões ao ano. Apesar de todos os problemas, o reajuste proposto, incluindo biênio, totaliza, cumulativamente, 10,56%.”

Outro político ligado à CUT (Central Única dos Trabalhadores), o deputado federal Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho (PT), conversou com o prefeito de São Bernardo e sustentou que não vê nada de anormal no caso, porém disse que “é preciso entender que há estado de insatisfação”. “O Marinho zela pelo poder público, pelo patrimônio do município. Assim como o sindicato trabalha pelo melhor para a categoria. O importante é não fechar as portas.”

Cientista político, Rui Tavares Maluf frisou que ser prefeito “é muito diferente de ser líder de categoria”, que em “diversas situações colocam governantes contra os seus princípios” por série de dificuldades, como “problemas de recursos e morosidade em trâmites burocráticos”. Professor de Administração Pública da Fundação Getulio Vargas, Cláudio Couto alegou que o governante fica “refém de demandas”. “Muitas vezes, eles querem atender, mas se veem obrigados a honrar compromissos firmados anteriormente.”



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Sindicalistas, Grana e Marinho sofrem pressão

Sto.André teve rejeição e S.Bernardo enfrenta greve; cidades são as únicas ainda sem acordo

Fabio Martins

31/05/2015 | 07:00


Oriundos do sindicalismo, os prefeitos de Santo André, Carlos Grana (PT), e de São Bernardo, Luiz Marinho (PT), sofrem pressão política diante da falta de acordo em relação a reajuste salarial ao funcionalismo público. As cidades governadas pelos petistas, que tiveram trajetória ligada a movimentos por melhores condições de remuneração dos metalúrgicos, são as únicas do Grande ABC ainda sem consenso sobre a oferta apresentada aos servidores. Em solo andreense, seis propostas foram rejeitadas pela categoria. No município vizinho, há greve que dura 19 dias.

Atualmente, como chefes do Executivo, ambos justificam dificuldade financeira da Prefeitura.
Em Santo André, o Sindserv (Sindicato dos Servidores Públicos) decretou estado de greve desde abril frente ao impasse nas tratativas. Setores pontuais chegaram a paralisar os serviços. Grana encaminhou à Câmara proposta fragmentada em duas parcelas de 4% – a primeira em abril, retroativa, e outra em dezembro, o que não agradou a classe, com 16 mil servidores. Por outro lado, em território são-bernardense o protesto iniciou por ausência de diálogo, sem índice. Na semana passada, Marinho ofereceu abono no valor de R$ 1.550 em junho e R$ 310 em dezembro, que dividiu a categoria – são 20 mil funcionários.

A última mobilização geral em Santo André se deu em 2005, quando o Paço era chefiado pelo petista João Avamileno. Em São Bernardo, o ato derradeiro havia sido no segundo mandato de Maurício Soares (PT, 1997-2000), com 21 dias parados. Coincidência ou não, os dois ex-prefeitos, que integram hoje os respectivos governos, também têm carreira atrelada à classe sindical.
Apesar de ainda não ter alcançado acordo com o sindicalismo andreense, Grana fez uso da experiência em movimentos para intermediar negociações entre patrões e lixeiros nas greves de 2014 e de 2015.

Presidente do sindicato andreense, Carlos Pavan classificou como desrespeito a situação ao avaliar que o percentual “não atinge a reposição da inflação, de 8,49%”. Em contrapartida, Grana defendeu que a categoria possui ciência da situação econômica complicada do Paço, elencando queda na arrecadação e aumento do índice de pagamento dos precatórios como agravantes e que entrou pessoalmente nas negociações. “Só de precatórios dá R$ 72 milhões ao ano. Apesar de todos os problemas, o reajuste proposto, incluindo biênio, totaliza, cumulativamente, 10,56%.”

Outro político ligado à CUT (Central Única dos Trabalhadores), o deputado federal Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho (PT), conversou com o prefeito de São Bernardo e sustentou que não vê nada de anormal no caso, porém disse que “é preciso entender que há estado de insatisfação”. “O Marinho zela pelo poder público, pelo patrimônio do município. Assim como o sindicato trabalha pelo melhor para a categoria. O importante é não fechar as portas.”

Cientista político, Rui Tavares Maluf frisou que ser prefeito “é muito diferente de ser líder de categoria”, que em “diversas situações colocam governantes contra os seus princípios” por série de dificuldades, como “problemas de recursos e morosidade em trâmites burocráticos”. Professor de Administração Pública da Fundação Getulio Vargas, Cláudio Couto alegou que o governante fica “refém de demandas”. “Muitas vezes, eles querem atender, mas se veem obrigados a honrar compromissos firmados anteriormente.”

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