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PIB tem queda de 0,2% no 1º trimestre, segundo IBGE

Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Na comparação com o mesmo período de 2014,
economia encolheu 1,6%, chegando a R$ 1,4 trilhão


Fábio Munhoz
Do Diário do Grande ABC

30/05/2015 | 07:00


A geração de riquezas no País teve queda de 0,2% no primeiro trimestre ante os últimos três meses de 2014, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Na comparação com o mesmo período do ano anterior, o recuo do PIB (Produto Interno Bruto) foi de 1,6%, chegando a R$ 1,4 trilhão. Entre os motivos citados por especialistas como causadores da recessão na economia nacional estão os aumentos da inflação e nas taxas de juros e a quebra de confiança por parte dos investidores e consumidores.

No acumulado de 12 meses, a retração foi de 0,9%. Para 2015, o Ministério do Planejamento prevê queda maior, de 1,2%. O mercado financeiro é ainda mais pessimista e já considera recuo de 2% neste ano. “Não existe nenhuma perspectiva de que a economia não tenha recessão em 2015. Pelo contrário. A expectativa é de que tenhamos um segundo semestre pior do que o primeiro”, analisa o coordenador do curso de Administração do Instituto Mauá de Tecnologia, Ricardo Balistiero.

Na comparação do primeiro trimestre com os últimos três meses de 2014, a queda foi puxada pela redução no consumo das famílias, de 1,5%. “Isso é preocupante e ocorre pela primeira vez em 12 anos. Significa que a retração chegou forte nas famílias por conta do aumento no desemprego e da inflação, que reduz a renda.”

Os gastos do governo foram 1,3% inferiores aos do último trimestre do ano passado. Para Balistiero, essa diminuição também impacta no consumo doméstico. “Parte dos cortes do governo foram com programas sociais, como os que fomentam a Educação. Um exemplo é o Fies (Financiamento Estudantil). Com isso, a família é obrigada a enxugar outros gastos para compensar a perda de benefícios.”

O professor cita que a restrição ao crédito, o aumento nos juros (a taxa básica, a Selic, está em 13,25% ao ano) e a alta da inflação (que chegou a 8,17% em abril no acumulado de 12 meses) provocam a queda no nível de confiança, tanto por parte do investidor, quanto do consumidor em geral, o que dificulta ainda mais a retomada do crescimento.

O economista Leonel Tinoco Netto, delegado do Corecon-SP (Conselho Regional de Economia de São Paulo) no Grande ABC, esperava que a retração no primeiro trimestre fosse ainda maior, na casa de 0,5%. “Os dois primeiros meses foram muitos ruins e março deu uma pequena recuperada. Não que tenha compensado, mas melhorou um pouco. De qualquer maneira, entre 0,2% e 0,5% é um patamar muito ruim para a economia. Estamos com essa sinalização desde o fim do ano passado, pelo agravamento da situação na indústria.” Na comparação com o primeiro trimestre de 2014, o setor apresentou encolhimento de 3%.

No Grande ABC, durante os três primeiros meses do ano, houve a perda de 5.354 empregos com carteira assinada, estando boa parte deste saldo negativo (diferença entre contratações e demissões) concentrada no setor industrial, que, sozinho, cortou 3.308 vagas formais no período.

FUTURO

Para Balistiero, não há soluções em curto prazo para retomar o ritmo acelerado da economia. “O que está sendo feito pelo governo é uma tentativa de corrigir a inflação e colocar as contas públicas em ordem. O investidor, ao constatar melhoria, volta a ter confiança no Brasil”, acrescenta. 



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PIB tem queda de 0,2% no 1º trimestre, segundo IBGE

Na comparação com o mesmo período de 2014,
economia encolheu 1,6%, chegando a R$ 1,4 trilhão

Fábio Munhoz
Do Diário do Grande ABC

30/05/2015 | 07:00


A geração de riquezas no País teve queda de 0,2% no primeiro trimestre ante os últimos três meses de 2014, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Na comparação com o mesmo período do ano anterior, o recuo do PIB (Produto Interno Bruto) foi de 1,6%, chegando a R$ 1,4 trilhão. Entre os motivos citados por especialistas como causadores da recessão na economia nacional estão os aumentos da inflação e nas taxas de juros e a quebra de confiança por parte dos investidores e consumidores.

No acumulado de 12 meses, a retração foi de 0,9%. Para 2015, o Ministério do Planejamento prevê queda maior, de 1,2%. O mercado financeiro é ainda mais pessimista e já considera recuo de 2% neste ano. “Não existe nenhuma perspectiva de que a economia não tenha recessão em 2015. Pelo contrário. A expectativa é de que tenhamos um segundo semestre pior do que o primeiro”, analisa o coordenador do curso de Administração do Instituto Mauá de Tecnologia, Ricardo Balistiero.

Na comparação do primeiro trimestre com os últimos três meses de 2014, a queda foi puxada pela redução no consumo das famílias, de 1,5%. “Isso é preocupante e ocorre pela primeira vez em 12 anos. Significa que a retração chegou forte nas famílias por conta do aumento no desemprego e da inflação, que reduz a renda.”

Os gastos do governo foram 1,3% inferiores aos do último trimestre do ano passado. Para Balistiero, essa diminuição também impacta no consumo doméstico. “Parte dos cortes do governo foram com programas sociais, como os que fomentam a Educação. Um exemplo é o Fies (Financiamento Estudantil). Com isso, a família é obrigada a enxugar outros gastos para compensar a perda de benefícios.”

O professor cita que a restrição ao crédito, o aumento nos juros (a taxa básica, a Selic, está em 13,25% ao ano) e a alta da inflação (que chegou a 8,17% em abril no acumulado de 12 meses) provocam a queda no nível de confiança, tanto por parte do investidor, quanto do consumidor em geral, o que dificulta ainda mais a retomada do crescimento.

O economista Leonel Tinoco Netto, delegado do Corecon-SP (Conselho Regional de Economia de São Paulo) no Grande ABC, esperava que a retração no primeiro trimestre fosse ainda maior, na casa de 0,5%. “Os dois primeiros meses foram muitos ruins e março deu uma pequena recuperada. Não que tenha compensado, mas melhorou um pouco. De qualquer maneira, entre 0,2% e 0,5% é um patamar muito ruim para a economia. Estamos com essa sinalização desde o fim do ano passado, pelo agravamento da situação na indústria.” Na comparação com o primeiro trimestre de 2014, o setor apresentou encolhimento de 3%.

No Grande ABC, durante os três primeiros meses do ano, houve a perda de 5.354 empregos com carteira assinada, estando boa parte deste saldo negativo (diferença entre contratações e demissões) concentrada no setor industrial, que, sozinho, cortou 3.308 vagas formais no período.

FUTURO

Para Balistiero, não há soluções em curto prazo para retomar o ritmo acelerado da economia. “O que está sendo feito pelo governo é uma tentativa de corrigir a inflação e colocar as contas públicas em ordem. O investidor, ao constatar melhoria, volta a ter confiança no Brasil”, acrescenta. 

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