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Grande ABC tem 1.200 pessoas na espera por transplante de órgãos


Natália Fernandjes
Do Diário do Grande ABC

26/05/2015 | 07:00


No dia em que o primeiro transplante de órgãos do País completa 47 anos, hoje, o assunto ganha destaque e oportunidade de ser debatido. Desde que o médico Euryclides de Jesus Zerbini fez o procedimento em um lavrador do Mato Grosso, no Hospital das Clínicas da USP (Universidade de São Paulo), seis meses após a primeira experiência mundial, houve muitos avanços na medicina e no processo, porém, o tema ainda enfrenta inúmeros desafios, entre eles, a falta de infraestrutura, a recusa por parte das famílias dos possíveis doadores e a carência de centros de procura de órgãos.

O Estado tem atualmente 12.890 pessoas na fila por transplante, sendo a maioria – 9.178 delas – à espera de um rim, de acordo com a ABTO (Associação Brasileira de Transplante de Órgãos). Balanço trimestral da entidade aponta queda de 1,4% na taxa de potenciais doadores notificados e diminuição na quantidade de procedimentos em relação ao mesmo período de 2014: 7,6% menos transplantes renais e 7% de córnea. O documento destaca que a entidade tem “tarefa árdua para que as metas estabelecidas para 2015 sejam atingidas”. De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde, até o início do mês foram transplantados 1.760 órgãos.

Entre as sete cidades, a estimativa é que 1.200 pacientes estejam à espera de transplante, segundo a fundadora do Instituto Paulista de Educação e Saúde, Wilma Maria Rosa. A principal dificuldade na região, conforme ela, continua sendo a recusa familiar. “É a fila da agonia. As pessoas estão morrendo e ainda há muita desinformação sobre o assunto”.

Uma das soluções para o problema, segundo Wilma, é a criação de OPO (Organização de Procura de Órgãos), projeto que foi apresentado ao Consórcio Intermunicipal do Grande ABC em 2010, e não saiu do papel. “Conseguiríamos agilizar o processo e fazer com que mais doadores apareçam.”

A ideia de Wilma é diminuir o tempo de angústia daqueles que aguardam por um órgão, período que o pintor aposentado Alessandro de Souza, 39 anos, conhece bem. Ele teve de passar por dois procedimentos para transplantar o rim após falência do órgão. Antes da segunda ocasião, realizada em 2013, ficou por sete anos na fila.

A mãe de Alessandro, a secretária de escola aposentada Cecília da Silva, 59, foi a primeira doadora, mas o procedimento não teve sucesso. Ela lembra da época em que o filho era submetido a hemodiálise enquanto aguardava pelo segundo procedimento. “Às vezes batia desespero porque sabíamos que ele dependia disso para continuar vivo. E, infelizmente, sabemos que tem muita gente nessa situação. É importante que as pessoas se conscientizem de que um cadáver, como foi o caso dele, pode salvar muitas vidas.”



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Grande ABC tem 1.200 pessoas na espera por transplante de órgãos

Natália Fernandjes
Do Diário do Grande ABC

26/05/2015 | 07:00


No dia em que o primeiro transplante de órgãos do País completa 47 anos, hoje, o assunto ganha destaque e oportunidade de ser debatido. Desde que o médico Euryclides de Jesus Zerbini fez o procedimento em um lavrador do Mato Grosso, no Hospital das Clínicas da USP (Universidade de São Paulo), seis meses após a primeira experiência mundial, houve muitos avanços na medicina e no processo, porém, o tema ainda enfrenta inúmeros desafios, entre eles, a falta de infraestrutura, a recusa por parte das famílias dos possíveis doadores e a carência de centros de procura de órgãos.

O Estado tem atualmente 12.890 pessoas na fila por transplante, sendo a maioria – 9.178 delas – à espera de um rim, de acordo com a ABTO (Associação Brasileira de Transplante de Órgãos). Balanço trimestral da entidade aponta queda de 1,4% na taxa de potenciais doadores notificados e diminuição na quantidade de procedimentos em relação ao mesmo período de 2014: 7,6% menos transplantes renais e 7% de córnea. O documento destaca que a entidade tem “tarefa árdua para que as metas estabelecidas para 2015 sejam atingidas”. De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde, até o início do mês foram transplantados 1.760 órgãos.

Entre as sete cidades, a estimativa é que 1.200 pacientes estejam à espera de transplante, segundo a fundadora do Instituto Paulista de Educação e Saúde, Wilma Maria Rosa. A principal dificuldade na região, conforme ela, continua sendo a recusa familiar. “É a fila da agonia. As pessoas estão morrendo e ainda há muita desinformação sobre o assunto”.

Uma das soluções para o problema, segundo Wilma, é a criação de OPO (Organização de Procura de Órgãos), projeto que foi apresentado ao Consórcio Intermunicipal do Grande ABC em 2010, e não saiu do papel. “Conseguiríamos agilizar o processo e fazer com que mais doadores apareçam.”

A ideia de Wilma é diminuir o tempo de angústia daqueles que aguardam por um órgão, período que o pintor aposentado Alessandro de Souza, 39 anos, conhece bem. Ele teve de passar por dois procedimentos para transplantar o rim após falência do órgão. Antes da segunda ocasião, realizada em 2013, ficou por sete anos na fila.

A mãe de Alessandro, a secretária de escola aposentada Cecília da Silva, 59, foi a primeira doadora, mas o procedimento não teve sucesso. Ela lembra da época em que o filho era submetido a hemodiálise enquanto aguardava pelo segundo procedimento. “Às vezes batia desespero porque sabíamos que ele dependia disso para continuar vivo. E, infelizmente, sabemos que tem muita gente nessa situação. É importante que as pessoas se conscientizem de que um cadáver, como foi o caso dele, pode salvar muitas vidas.”

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