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Técnico Márcio Araújo
é contra Copa no País


Marco Borba
Do Diário do Grande ABC

19/09/2011 | 07:18


Com a experiência de quem conquistou dois acessos na Série B do Cameponato Brasileiro - 2008 com o Barueri e 2010 com o Bahia -, o técnico Márcio Araújo assumiu o comando do São Caetano no meio da semana com a missão de tirar o time da UTI. A volta à Série A, admite, é coisa distante, mas não impossível, ponderou. Para tanto, a equipe teria de vencer praticamente todos os 14 confrontos restantes e ainda torcer por outros resultados. Ao analisar a situação do Azulão, comparou-o a um paciente e disse que primeiro teria de diganosticar seu problema para depois aplicar o remédio correto.

Com praticamente 15 anos na carreira de treinador, revelou ter se afastado do futebol desde o fim de 2010 para se reciclar e mostrou-se contrário à realização da Copa no Brasil, em 2014. Araújo iniciou a carreira de técnico em 1997, quando teve de substituir Telê Santana, que estava doente, no Palmeiras. Desde então passou por diversos clubes, entre eles Paraná, Coritiba, Atlético-MG, no qual foi campeão estadual, em 2000.

DIÁRIO - Por que aceitou o convite para treinar o São Caetano se o time está na zona de rebaixamento e pelo histórico das frequentes trocas de técnicos?

MÁRCIO ARAÚJO - Porque é um clube organizado e sempre tive bom relacionamento com os dirigentes e conheço alguns dos jogadores. Trabalhei com vários deles. E também por causa da história do clube, que não merece estar nesta situação. Vim porque meu coração mandou. E quando manda, tem de ir.

DIÁRIO - Pelo que você já pôde observar, o que precisa ser feito para tirar o time dessa situação?

MÁRCIO - É preciso ver como um paciente que encontra-se doente. Primeiro é necessário fazer uma biópsia, ver o que acontece para tratá-lo e depois recolocá-lo bem nas ruas.

DIÁRIO - Você já é o quinto técnico este ano. O ex-técnico Márcio Goiano disse que ao aceitar o convite para treinar o clube sabia que teria de administrar vaidades. Esse parece ser um dos fatos responsáveis pela situação do time. O que fazer?

MÁRCIO - Cada um tem o seu ego, respeito a personalidade de cada um, mas é preciso saber administrar isso. Uns conseguem, outros não. Mas vamos identificar o que ocorre para tomar as medidas corretas.

DIÁRIO - Você acha que o acesso ainda é possível?

MÁRCIO - Primeiramente precisamos sair dessa situação incômoda que estamos e depois conquistar o que for possível.

DIÁRIO - Já passou por situação parecida em outro clube?

MÁRCIO - Em 2005 peguei o Avaí em 17º lugar na Série B do Campeonato Brasileiro e evitamos o rebaixamento do time.

DIÁRIO - Por que se afastou do futebol desde que conquistou o acesso com o Bahia no fim de 2010?

MÁRCIO - Este ano estava sendo um dos mais difíceis da minha vida, por questões familiares. Já passei por situações difíceis, mas não me vendi, não me perdi. Me ausentei por razões particulares e também para me reciclar. Ao longo da vida a gente comete erros e não percebe, principalmente no relacionamento com as pessoas. No futebol a pressão é muito grande e é preciso ter equilíbrio emocional. No Bahia passei por uma pressão forte, não tive nem tempo para colocar os pés na areia. Nas poucas vezes que saía às ruas, era cumprimentado, mas sempre sentia aquela cobrança reservada dos torcedores.

DIÁRIO - E o que você fez nesse período para aliviar a mente? Viajou, foi pescar, leu livros?

MÁRCIO - Não fiz nada disso. Não tenho esses hábitos. Fiquei em casa, com a família, de vez em quando ia ao shopping. Vi vários jogos, das séries A e B do Brasileiro, para me reciclar. Analisei os momentos das substituições. Isso é importante, porque a mudança no momento certo pode te ajudar num resultado, e também observei as variações táticas e formação das equipes.

DIÁRIO - O Brasil vai sediar a Copa do Mundo em 2014 e os brasileiros estão preocupados com a construção dos estádios, por causa do andamento das obras, e também com o papel da Seleção, que não foi bem no último Mundial e na Copa América. O que você pensa sobre essas questões?

MÁRCIO - Acho que as copas deviam ser realizadas de acordo com o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) dos países. O Brasil tem problemas sérios em vários setores, principalmente na Saúde e na Educação. Ainda há gente morrendo nos corredores e nas macas por falta de atendimento e condições precárias em pronto-socorros e hospitais. E a situação é precária não só no Norte e Nordeste, ocorre em grandes centros, como São Paulo. Antes de se fazer uma Copa, é preciso ver se vai trazer melhorias para o País como um todo e não apenas para as cidades sedes. Sou contra a realização da Copa no Brasil, acho que em vez de gastar dinheiro construindo estádios, o País deveria investir em saúde, educação, saneamento. Vamos ver se depois da Copa a situação vai melhorar no interior do Maranhão, no Piauí. Nesses estados tem gente morrendo em macas por falta de medicamento nos hospitais.

DIÁRIO - E quanto ao desempenho da Seleção na Copa. Não te preocupa o futebol que a Seleção vem apresentando, essa carência de craques?

MÁRCIO - Sim, preocupa, porque nos últimos anos estamos produzindo bons jogadores do meio-campo para trás. Isso ocorre porque importamos o esquema 3-5-2 do futebol europeu e diminuímos a quantidade de meias. O que o Brasil vai fazer se não está bem? É algo a se pensar.



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