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Corte de refeições impacta serviço de restaurante popular

Andréa Iseki/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Após Casa Amarela deixar de servir café da
manhã e almoço, Bom Prato tem filas e até brigas


Daniel Macário
Especial para o Diário

04/05/2015 | 07:00


O corte no fornecimento de refeições no Centro de Atenção à População em Situação de Rua – Casa Amarela, em Santo André, tem causado impactos diretos para outros equipamentos públicos da cidade. Isso porque, sem opções baratas para se alimentar, usuários tem recorrido à unidade do restaurante Bom Prato para realizar refeições como café da manhã e almoço, o que aumentou a demanda do espaço.

Conforme o Diário noticiou no dia 10 de abril, o serviço de alimentação havia sido cortado há três meses por falta de gás industrial, segundo relataram moradores que são atendidos no local. Após a publicação da reportagem, a Prefeitura de Santo André, por meio da Secretaria de Inclusão e Assistência Social, confirmou que o café da manhã e almoço estão sendo oferecidos no Bom Prato. São distribuídos vales para 91 pessoas almoçarem e 40 para café da manhã no restaurante popular. Entretanto, a quantidade é inferior ao número de pessoas que são atendidas na Casa Amarela. Atualmente, 339 passam diariamente pelo centro.

Com o corte no fornecimento e sem renda para se alimentar, muitos moradores já não sabem o que fazer. “Agora fico olhando carro para conseguir dinheiro”, desabafa Valdion Rodrigues de Brito, 41 anos.

Outro que relata problemas é o pintor Julio Pereira Albuquerque, 58. “Acabei tendo que fazer acordo em lugares que faço pintura para me alimentar”, relata o morador em situação de rua, que ainda desabafa da situação. “Acabou tudo na Casa Amarela. Não temos mais nada. Agora só vejo eles quando a van passa de madrugada perguntando se quero ir para o albergue.”

No dia 24, durante o horário de almoço, a equipe do Diário acompanhou a movimentação no Bom Prato, em Santo André. Por volta das 12h30, aproximadamente 60 pessoas aguardavam para entrar no local. A fila virava o quarteirão. Havia diversos moradores em situação de rua. Muitos deles pediam R$ 0,50 para completar o dinheiro para pagar pela refeição. “Todo dia é assim. Separo R$ 10 em moedas para distribuir. O restaurante está lotado. Sem policiamento, já teve briga. Virou um caos”, revela o comerciante Reinaldo Pinto, 53.

A unidade pública que é referência no atendimento especializado para esse grupo de moradores, no âmbito de proteção social, antes era responsável pela distribuição de todas as refeições diárias para quem passava por ali, incluindo café da manhã, almoço, café da tarde e jantar. Em 2013 a Casa Amarela recebeu investimento de R$ 125 mil, sendo R$ 25 mil de contrapartida municipal, por meio de parceria com o governo federal, para reformar sua cozinha comunitária e refeitório.

Em nota, a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social informou que a frequência do Bom Prato “não sofreu alteração no atendimento nos períodos apontados.” Além disso, disse que a média diária de refeições servidas é de 1.400.


Usuários denunciam interrupção em vans para albergues

Além da alimentação, moradores em situação de rua relatam o corte no transporte que faz o trajeto até os albergues noturnos da Prefeitura de Santo André. “Antes todos tinham direito. Agora só quem é idoso. Precisamos caminhar até uma hora da Vila Helena ao Centro. Isso às 6h da manhã. Imagine se você tem problemas na perna ou de saúde. Vem na chuva, escuro”, relata Julio Pereira Albuquerque.

Em nota, a administração municipal informou que garante o transporte a usuários debilitados, idosos e com dificuldades de locomoção, no período das 19h às 22h, com destino ao albergue noturno, e com retorno pela manhã, das 6h às 7h30. “Os demais moradores dirigem-se sozinhos ao local para pernoite.”

Segundo a Prefeitura, o serviço não foi interrompido e funciona regularmente. Além disso, após esses horários as peruas percorrem os perímetros em abordagem social a novos moradores por solicitação de munícipes.  



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