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‘Mudei por
conveniência política’

Banco de Dados Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Mauricio defende mudanças de
postura ao longo de 30 anos


Raphael Rocha
Do Diário do Grande ABC

03/05/2015 | 07:00


Não há um lado sequer onde Mauricio Soares, 75 anos, não tenha transitado na política de São Bernardo. Há duas semanas, ao anunciar saída do PT, com críticas implícitas a Luiz Marinho (PT), o ex-prefeito escreveu apenas mais uma história de mudança de postura desde que assumiu o comando da Prefeitura pela primeira vez, em 1989. E as constantes alterações eleitorais não abalam o ainda presidente da Fundação Criança de São Bernardo.

“Quem nunca mudou de lado? Mudo por conveniência e convicção políticas. Quem me critica precisa olhar para o próprio umbigo se quiser me condenar. Eu me responsabilizo por todos os atos. Nunca mudei por vantagens financeiras”, alegou o agora ex-petista. “Ganhei três vezes (para prefeito), nunca quebrei a cara como o Marinho disse. Posso quebrar desta vez, mas ainda não quebrei.”

Embora tenha sido suplente de senador de Fernando Henrique Cardoso no fim dos anos 1970, foi na década de 1980 que Mauricio se projetou politicamente. Advogado do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema, ganhou visibilidade política nas lutas sindicais ao lado de Luiz Inácio Lula da Silva. Foi na esteira da popularidade pelo combate à ditadura e dos ideais do recém-fundado PT que Mauricio chegou ao comando da Prefeitura de São Bernardo na eleição de 1988.

A primeira mudança política foi registrada em dezembro de 1990, quando anunciou a primeira saída do PT, desfiliação essa que nunca se concretizou. Ele se dizia descontente na sigla, classificou a legenda como “tribunal”. Foi convencido a ficar. Relacionamento só durou mais dois anos.
Mauricio não queria seu vice à época, Djalma Bom, como candidato do PT à sucessão. Defendia a indicação de Laurentino Hilário, seu secretário e braço-direito até hoje (uma das poucas parcerias políticas que manteve ao longo de sua trajetória). Perdeu a queda de braço e saiu do petismo, disparando contra a cúpula da agremiação. O PT também saiu derrotado do pleito: venceu Walter Demarchi.

Como ex-petista, Mauricio se aproximou do grupo governista de Demarchi, adversário do PT. Iniciou-se ali longa rivalidade entre o primeiro prefeito petista de São Bernardo e seu antigo partido. Mauricio retornou ao poder em 1996, pelo PSDB, vencendo o petista Wagner Lino e os então governistas Tito Costa (vice de Demarchi) e Waldir Cartola (foi supersecretário de Demarchi).

Em sua segunda administração, moldou seu grupo político. Inicialmente tinha ao seu lado Mauricio de Castro (como vice), filho da lendária prefeita Tereza Delta. Aos poucos, fez emergir politicamente o então vereador e médico William Dib. A parceria política resultou até na troca da chapa quando Mauricio buscou a reeleição, pelo PPS: trocou Mauricio de Castro por Dib, em acordo que resultaria em mudança após dois anos.

Sob alegação de problemas de saúde, Mauricio colocou em prática plano já costurado com Dib, o de dar o comando da cidade ao aliado. Dib dirigiu São Bernardo nos últimos dois anos do mandato de 2001 a 2004. Na tentativa de reeleição, triunfou com a maior votação da história de São Bernardo sobre o deputado federal Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho (PT). E chamou Mauricio para compor o núcleo duro do Paço.

Por três anos houve aparente harmonia no governo e inserções de novas figuras políticas, como Orlando Morando (PSDB) e Alex Manente (PPS). Até que chegou a hora de indicar o sucessor do bloco governista. Em 2007, evento convocado por Dib apresentou a chapa de sustentação: Mauricio Soares candidato ao Executivo novamente e Morando de vice. Porém, Morando entendia que o tempo de Mauricio já havia passado. Convenceu Dib a apoiá-lo, a chapa foi invertida, Mauricio não aceitou e saiu do grupo. E foi justamente ao lado de Marinho, candidato do PT para quebrar a hegemonia de Mauricio/Dib. 



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‘Mudei por
conveniência política’

Mauricio defende mudanças de
postura ao longo de 30 anos

Raphael Rocha
Do Diário do Grande ABC

03/05/2015 | 07:00


Não há um lado sequer onde Mauricio Soares, 75 anos, não tenha transitado na política de São Bernardo. Há duas semanas, ao anunciar saída do PT, com críticas implícitas a Luiz Marinho (PT), o ex-prefeito escreveu apenas mais uma história de mudança de postura desde que assumiu o comando da Prefeitura pela primeira vez, em 1989. E as constantes alterações eleitorais não abalam o ainda presidente da Fundação Criança de São Bernardo.

“Quem nunca mudou de lado? Mudo por conveniência e convicção políticas. Quem me critica precisa olhar para o próprio umbigo se quiser me condenar. Eu me responsabilizo por todos os atos. Nunca mudei por vantagens financeiras”, alegou o agora ex-petista. “Ganhei três vezes (para prefeito), nunca quebrei a cara como o Marinho disse. Posso quebrar desta vez, mas ainda não quebrei.”

Embora tenha sido suplente de senador de Fernando Henrique Cardoso no fim dos anos 1970, foi na década de 1980 que Mauricio se projetou politicamente. Advogado do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema, ganhou visibilidade política nas lutas sindicais ao lado de Luiz Inácio Lula da Silva. Foi na esteira da popularidade pelo combate à ditadura e dos ideais do recém-fundado PT que Mauricio chegou ao comando da Prefeitura de São Bernardo na eleição de 1988.

A primeira mudança política foi registrada em dezembro de 1990, quando anunciou a primeira saída do PT, desfiliação essa que nunca se concretizou. Ele se dizia descontente na sigla, classificou a legenda como “tribunal”. Foi convencido a ficar. Relacionamento só durou mais dois anos.
Mauricio não queria seu vice à época, Djalma Bom, como candidato do PT à sucessão. Defendia a indicação de Laurentino Hilário, seu secretário e braço-direito até hoje (uma das poucas parcerias políticas que manteve ao longo de sua trajetória). Perdeu a queda de braço e saiu do petismo, disparando contra a cúpula da agremiação. O PT também saiu derrotado do pleito: venceu Walter Demarchi.

Como ex-petista, Mauricio se aproximou do grupo governista de Demarchi, adversário do PT. Iniciou-se ali longa rivalidade entre o primeiro prefeito petista de São Bernardo e seu antigo partido. Mauricio retornou ao poder em 1996, pelo PSDB, vencendo o petista Wagner Lino e os então governistas Tito Costa (vice de Demarchi) e Waldir Cartola (foi supersecretário de Demarchi).

Em sua segunda administração, moldou seu grupo político. Inicialmente tinha ao seu lado Mauricio de Castro (como vice), filho da lendária prefeita Tereza Delta. Aos poucos, fez emergir politicamente o então vereador e médico William Dib. A parceria política resultou até na troca da chapa quando Mauricio buscou a reeleição, pelo PPS: trocou Mauricio de Castro por Dib, em acordo que resultaria em mudança após dois anos.

Sob alegação de problemas de saúde, Mauricio colocou em prática plano já costurado com Dib, o de dar o comando da cidade ao aliado. Dib dirigiu São Bernardo nos últimos dois anos do mandato de 2001 a 2004. Na tentativa de reeleição, triunfou com a maior votação da história de São Bernardo sobre o deputado federal Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho (PT). E chamou Mauricio para compor o núcleo duro do Paço.

Por três anos houve aparente harmonia no governo e inserções de novas figuras políticas, como Orlando Morando (PSDB) e Alex Manente (PPS). Até que chegou a hora de indicar o sucessor do bloco governista. Em 2007, evento convocado por Dib apresentou a chapa de sustentação: Mauricio Soares candidato ao Executivo novamente e Morando de vice. Porém, Morando entendia que o tempo de Mauricio já havia passado. Convenceu Dib a apoiá-lo, a chapa foi invertida, Mauricio não aceitou e saiu do grupo. E foi justamente ao lado de Marinho, candidato do PT para quebrar a hegemonia de Mauricio/Dib. 

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